Críticas

O Vampiro da Noite (1958)

O Vampiro da Noite é um clássico absoluto, uma obra seminal. Ponto de referência para tudo que veria depois em termos de terror gótico!

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O Vampiro da Noite
Original:Dracula / Horror of Dracula
Ano:1958•País:UK
Direção:Terence Fisher
Roteiro:Jimmy Sangster, Bram Stoker
Produção:Anthony Hinds
Elenco:Peter Cushing, Christopher Lee, Michael Gough, Melissa Stribling, Carol Marsh, Olga Dickie, John Van Eyssen, Valerie Gaunt, Janina Faye, Barbara Archer, Charles Lloyd Pack, George Merritt

Os filmes de vampiros nunca mais foram os mesmos depois das produções da Hammer da década de 60. O pontapé inicial desse filão é o clássico absoluto O Vampiro da Noite, que acabou formatando a fórmula vencedora da lendária produtora inglesa. Além de repetir a dobradinha de protagonistas de A Maldição de Frankenstein, Peter Cushing e Christopher Lee. O que não só os transformou-os em ícones do gênero, como marcou definitivamente a figura de Lee como Drácula e Cushing como seu arquiinimigo, o Dr. Van Helsing.

Baseado muito livremente no livro de Bram Stoker. Com as personagens secundárias tendo seus papéis rearranjados aqui, a obra começa com a chegada de Jonathan Harker (John Van Eyssem) ao castelo do conde Drácula, ele se apresenta como um bibliotecário, que estaria ali para catalogar os livros do conde. Na verdade Harker está com outro propósito, o de destruir Drácula e acabar com seu reinado de terror.

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Além do Conde, também habita o castelo uma misteriosa mulher (Valerie Gaunt) que se diz prisioneira do castelo e pede ajuda ao suposto bibliotecário para que a ajude a fugir dali. Porém ela se revela uma vampira. Harker, sinceramente, se revela um caçador de vampiros dos mais incompetentes e se torna presa fácil do conde.

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Depois desse começo vitorioso para o vilão, entra em cena o Dr. Van Helsing, o mestre de Jonathan. O caçador de vampiros encontra no castelo de Drácula Jonathan transformado em vampiro. Depois de usar a providencial estaca de madeira no novo vampiro e encontrar o diário de seu pupilo, Van Helsing retorna para sua cidade. De volta ao lar, ele tem de informar a morte de Jonathan, mas escondendo o verdadeiro motivo do óbito para Arthur Holmwood (Michael Gough), irmão de Lucy (Carol Marsh), a noiva do falecido Jonathan.

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Porém, como no romance de Stoker, Drácula tinha se encantado com a foto da noiva de seu hóspede e acaba indo em busca dela. Só depois de Drácula ter transformado Lucy em vampira, e já rondando Mina (Melissa Stribling), a esposa de Arthur, é que este último acaba unindo forças com Van Helsing na caça ao vampiro.

Lançado na Inglaterra como Dracula, o filme receberia o título de Horror of Dracula nos EUA, para não ser confundido com o clássico de Tod Browning. O sucesso foi absoluto. Pela primeira vez na história do cinema se mostravam caninos sangrentos em glorioso technicolor e pobres vítimas em decotes insinuantes (vale perceber que à medida que eram feitos os filmes da Hammer, os decotes ficariam ainda maiores até o ponto das mulheres começarem a finalmente exibirem seus seios).

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A ambientação gótica acabaria virando referência ao cinema de horror, influenciando indubitavelmente a obra de diretores como Mario Bava e Tim Burton, entre outros. Todos os pontos vão para Terence Fisher, que já tinha dirigido A Maldição de Frankenstein, e não só era o diretor mais talentoso da Hammer, como praticamente o diretor que estabeleceu o padrão dos filmes da produtora, como é um mestre do cinema de horror.

A fotografia de Jack Asher é belíssima. Algumas tomadas são verdadeiras pinturas – a atual versão restaurada evidencia ainda mais esse aspecto. Tudo emoldurado pela trilha clássica de James Bernard.

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O que dizer de Lee? O astro que tem poucas falas no filme, ele só dialoga com Jonathan Harker no começo do filme para passar o resto da obra só soltando grunhidos, mas sua presença em cena é impactante. No livro de Stoker, Drácula era um conde da Transilvânia, mas no filme vive numa região da Alemanha, e possui uma aparência totalmente britânica – Lee é tão brilhante que esses detalhes são meramente ignorados.

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Apesar de todo o sucesso, Christopher passaria anos se recusando a fazer uma sequência, se rendendo apenas oito anos depois em Drácula – O Príncipe das Trevas, e sem falar uma única linha de diálogo, isto porque o ator não teria gostado das falas do roteiro e exigiu que Drácula ficasse calado o filme inteiro. Ao todo Lee faria o conde em sete filmes da Hammer, o que o marcaria para sempre como a personificação definitiva da personagem.

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Esqueçam Edward Van Sloan, Antonhy Hopkins, Lawrence Olivier, Rutger Hauer e, é claro, Hugh Jackman, pois Peter Cushing é Van Helsing! Ao contrário da obra original de Stoker, em que o cientista é mostrado como um senhor de idade, aqui ele é personificado mais moço e ativo.

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Jimmy Sangster, o melhor roteirista da Hammer, que posteriormente não correspondeu o talento quando assumiu a cadeira de diretor, criou uma trama diversa do livro, mas dinâmica e bem amarrada. Embora haja uma inconsistência aqui que não convence: mesmo sendo um conde, é difícil imaginar que um vampiro precise de um bibliotecário para catalogar seus livros. No péssimo Dracula 3D de Dario Argento, o diretor italiano tenta homenagear esse clássico da Hammer, fazendo menção justamente à figura do bibliotecário, um dos muitos equívocos da malfadada produção italiana.

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O título lançado no Brasil, numa era pré-Crepúsculo, não fazia muito sentido, afinal, O Vampiro da Noite nos leva a perguntar se existia algum vampiro do dia? Piadas à parte, esse título viraria mais tarde o subtítulo da versão de Nosferatu, de Werner Herzog.

O Vampiro da Noite é um clássico absoluto, uma obra seminal. Ponto de referência para tudo que veria depois em termos de terror gótico.

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3 Comentários

  1. roberto

    rapaz…

  2. Augusto

    Esse é foda… sério…

    • roberto

      Rapaz…

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