Críticas

Os 13 Pecados (2014)

Remake americano de filme cult tailandês entretém, mas tem pecados demais para sequer chegar perto do original!

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13 Pecados
Original:13 Sins
Ano:2014•País:EUA
Direção:Daniel Stamm
Roteiro:Daniel Stamm, David Birke, Chookiat Sakveerakul, Eakasit Thairatana
Produção:Kiki Miyake, Steven Squillante
Elenco:Mark Webber, Devon Graye, Tom Bower, Rutina Wesley, Ron Perlman, Pruitt Taylor Vince, Clyde Jones, Deneen Tyler, Tom Lawson Jr., Greg Pearson

Antes de mais nada advirto que esta análise vai ser um pouco tendenciosa, pois eu adorei cada minuto de 13 Desafios, uma grata surpresa vinda da Tailândia e lançada em 2006 (aqui no Brasil saiu direto em DVD). Não foi surpresa que os irmãos Weinstein compraram os direitos no mesmo ano e os repassaram para o produtor Jason Blum (Atividade Paranormal, A Forca), que colocou sua máquina de dinheiro de filmes efetivos e baratos na adaptação, dirigido por Daniel Stamm, de O Último Exorcismo (2010).

Lançado em circuito limitado em 2014 para cair depois direto em home vídeo e VOD, Os 13 Pecados mantém a premissa do original onde um cidadão americano comum e pacato chamado Elliot Brindle (Mark Webber, Scott Pilgrim Contra o Mundo) está prestes a receber uma onda de sucessivas más notícias: às vésperas do casamento, sua noiva (Rutina Wesley, True Blood) está grávida, perde o emprego repentinamente, sua única fonte de renda, e ainda tem que lidar com o pai explorador (Tom Bower, Viagem Maldita) indo morar com ele e seu irmão deficiente mental (Devon Graye, Dexter).

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Deprimido como muitos de nós em sua situação, Elliot está no carro pensando na vida quando recebe um misterioso telefonema que promete mudar toda sua vida: a oportunidade de entrar em um jogo que pode deixá-lo milionário em apenas 48 horas. São 13 desafios, aumentando em complexidade e em premiação, mas há um problema: se desistir ou contar para alguém que está jogando, perde tudo o que já ganhou.

O primeiro desafio, praticamente um bônus, é matar uma mosca. O segundo é engolir a mosca morta… A partir daí as tarefas vão se tornando cada vez mais sombrias e as consequências para a vida de Elliot serão tão profundas que talvez nem os 7 milhões de dólares da premiação final poderão compensar.

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No decorrer da trama a polícia, representada pelo detetive Chilcoat (Ron Perlman, Hellboy), começa a perceber um padrão entre estes e outros atos aleatórios de violência que aconteceram periodicamente no passado e seguindo a trilha chega ao paranoico Vogler (Pruitt Taylor Vince, O Mentalista), que tem coletado por anos informações sobre este misterioso grupo que supostamente tem manipulado pessoas para participar destes jogos demoníacos.

Os 13 Pecados é um filme com bons momentos, possui um nível de entretenimento suficiente para você ficar assistindo até o final, contudo sempre fica a sensação de que em cada cena tem algo faltando… É como chupar uma bala de menta depois de comer uma cebola inteira, no final do frescor há um mau cheiro que incomoda e que não passa por um bom tempo. Por exemplo, o próprio tom da produção é indefinido: quando você mostra a decadência no conceito de civilidade de uma pessoa, normalmente você começa com ironias até cômicas, culminando em uma selvageria desmedida para terminar os desafios. Esta transformação, pontuada várias vezes no decorrer da película, aqui é incoerente, pois quando o espectador pensa que Elliot está prestes a “estourar” e engatar a quinta marcha, ele volta atrás num súbito vislumbre de consciência. Essas idas e vindas pouco sutis não fazem o menor sentido.

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O resultado é que, perdido entre um thriller psicológico poderoso, um torture porn e uma comédia de situações constrangedoras, Os 13 Pecados mostra o personagem principal sendo responsável por ferir gravemente uma pessoa e depois urinando num arranjo de flores, como se fossem parte de um crescendo que, evidentemente, não funciona.

Outra situação está na sub-trama do policial e do paranoico. Pouco interagindo com o restante dos personagens, sua única função prática é tentar (sem sucesso) criar uma dimensão maior para os desafios do que a situação isolada de Elliott. Sem orçamento para isto e tentando desesperadamente se fazer relevante, é notório que estas cenas estão sobrando e, fora um detalhe no final do filme, não fazem qualquer diferença para compreender o que se passa.

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Agora o pior “pecado“, como citado no começo do texto, é a comparação. Não sou contra remakes, só que sempre vou chiar quando um material que já era bom se esfarela em uma nova adaptação.
Em primeiro lugar há o imprescindível fator carisma e Krissada Sukosol Clapp, o ator principal do original, é muito mais verossímil que Mark Webber em todos os aspectos, começando com a coerência do personagem já pontuada e passando pelo próprio talento no ofício. Os desafios de Phuchit Puengnathong em 13 Desafios são trabalhados para sempre se correlacionar traumaticamente a sua infância, os de Elliot Brindle são apenas vagos em relação a isto.

Phuchit também é um protagonista melhor porque, embora esteja se transformando em alguém totalmente diferente do começo da história, ele usa esta mudança de maneira inteligente, procurando pessoalmente os responsáveis pelo jogo (e até os encontra no final), enquanto no americano, Elliot é uma biruta de aeroporto, somente recebendo e executando ordens, tratando estes poucos conflitos de maneira simplista.

A icônica cena do varal de aço do original é reprisada em Os 13 Pecados e mostra o quanto foi mal entendido seu espírito na adaptação. No original, Phuchit não associa (até que seja tarde demais) o inocente fato de estender um varal de aço para uma senhora idosa possa causar qualquer problema… A cena é tratada de forma meiga, um refresco a tensão imprimida até minutos atrás, uma franca surpresa para o espectador. No remake, a armação já começa tensa, a senhora tem cara de louca, diz palavras desconexas e Elliot está nitidamente alterado; ele trata a tarefa com desdém como se já esperasse que algo acontecerá. E de fato acontece, contudo com um desdobramento covarde e o fator surpresa já indo para o beleléu.

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Existem reviravoltas no final que são diferentes das do original e não vou me alongar para não entregar spoilers, porém são pouco impactantes e até acrescentam um elemento de contradição que prejudica uma segunda vista, pois nega o senso comum e certos eventos apresentados anteriormente no próprio filme.

Depois de tudo isto você pode achar que Os 13 Pecados é ruim… Não, não é. Se busca aquela típica perda de tempo para um sábado a noite, a boa direção, algumas cenas realizadas com impacto e uma trama com um bom compasso podem ser medíocres o suficiente para valer uma assistida. Agora se quer um filme bom de verdade, inovador, reflexivo, surpreendente, talentoso, escape para a Tailândia imediatamente.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: gabrielpaixao@bocadoinferno.com.br

3 Comentários

  1. A. Q. Pena

    Eu não estou buscado uma obra, que, aliás, é coisa rara. Só quero me entreter um pojco. Puta merda, como você é chato.

  2. simone

    Concordo plenamente, o original é de longe muuuito melhor que o remake. Assistam o tailandês.

  3. Paulo

    Nao concordo…. o original é ridiculo , esse ficou melhor!

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