Terror na Floresta (2006)

Terror na Floresta (2006) (7)

Terror na Floresta
Original:The Hunt
Ano:2006•País:EUA
Direção:Fritz Kiersch
Roteiro:Fritz Kiersch, Danny Martin, Jonathan de la Luz
Produção:Jonathan de la Luz, Danny Martin
Elenco:Joe Michael Burke, Cliff De Young, Robert Rusler, Mitchell Burns, Amy Briede, Thomas Cunningham, Brett Bower

“Hitchcock fez você ter medo do chuveiro, Spielberg fez você ter medo da água, Kiersch fez você ter medo das plantações de milho e agora ele vai fazer você nunca mais entrar em uma floresta de novo”. (Frase publicitária de divulgação do filme The Hunt)

Caçar é um esporte perigoso. Mesmo os que caçam para sobreviver têm que se deparar com muitos perigos: o isolamento da civilização, a escuridão e mesmo o silêncio cortante são grandes chamarizes para várias histórias sobrenaturais ou de maníacos assassinos. Pensando nisso, o diretor Fritz Kiersch dirigiu The Hunt, que chega nacionalmente no mercado de DVD com o título genérico Terror na Floresta.

Filmado em apenas 12 dias com um orçamento estimado em 500 mil dólares, Kirersh exercita um mockumentary bem feito e surpreendente com seu cadenciamento lento e suas revelações bem sacadas, mas abusa da inteligência do espectador ao tentar vendê-lo como autêntico e, o roteiro, apesar de escrito a seis mãos (pelo próprio Kiersh com ajuda de Jonathan de la Luz Danny Martin) é bem rudimentar e compacto.

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Um ex-cinegrafista de sucesso chamado Atticus (Robert Rusler de A Hora do Pesadelo 2 e Às Vezes Eles Voltam…) sem muitas opções de trabalho se une a Jack (Joe Michael Burke, O Último Comando), um jovem caçador, para produzir um vídeo de caça de cervos ou algo assim. O grande diferencial segundo a dupla é mostrar o passo a passo dando todas os macetes de caça com arco e flecha.

Jack está empolgado com o acontecimento, enquanto Atticus vê a oportunidade como a chance de retomar sua carreira de sucesso, pois mesmo antes de começarem já fecharam contrato de distribuição de uma série de quatro vídeos com uma grande cadeia de supermercados e com o local para a caça, arrendado exclusivamente para este objetivo – o sucesso é praticamente garantido.

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Todos os preparativos para a partida são mostrados e Jack levará Clint (Mitchell Burns), o filho de Tessa (Amy Briede), que é sua nova mulher. Seu propósito maior nisto é incluir o menino no projeto e obviamente estreitar seu relacionamento com o garoto que não é lá grande coisa. Esta atitude preocupa Tessa, não tanto pelos perigos óbvios como animais selvagens ou pela possibilidade de que se percam, mas principalmente pelo fator humano: ela desconfia totalmente de Atticus e isso demonstra que nunca se deve duvidar da intuição feminina em um filme de terror, hehehe…

Mesmo assim partem com uma pequena ajuda financeira do pai de Clint, Kraw (o veterano Cliff De Young, de Tommyknockers e Fome de Viver) e já no caminho todos os movimentos do trio estão sendo filmados por Atticus, com sua câmera profissional ou pela câmera afixada no capacete de Clint. Após uma parada para tomar um café, chegam à floresta.

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Os aventureiros começam a encontrar dificuldades logo na chegada ao terreno, pois encontram um estranho homem corpulento (interpretado por Thomas Cunningham), que os adverte que não há nada lá que possa ser caçado, num prenúncio de que algo ruim estaria por acontecer.

As filmagens começam efetivamente e não tarda muito para descobrirmos o quão Tessa estava correta com relação a Atticus: o homem tem problemas com a bebida e Jack não sabe, mas Clint descobre. Com o passar do tempo, as hostilidades entre Clint e Atticus se tornarão um empecilho para a realização do projeto.

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A caçada não vai bem e apenas depois de muita caminhada avistam um cervo que não consegue ser abatido, mas apenas ferido. A busca pelo animal machucado acaba em um cercado de enorme extensão, onde uma placa de aviso proíbe a entrada. Depois de muito discutir, receando o fracasso da expedição, o trio entra por uma falha da cerca e continua suas buscas pelo bicho, quando inexplicavelmente desaparece.

O mistério sobre o sumiço dos três mobiliza uma frenética busca organizada por civis, a contra-gosto da policia e dos políticos locais por motivos desconhecidos. Dizer mais seria uma maldade, mas as idas e vindas no tempo mostram o terror passado pelos três na mata e as investigações incessantes de Kraw e Jean (Becky Love), sua atual esposa.

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Um dos principais méritos vem do elenco, pois todos são convincentes; até aqueles que têm um pé atrás quando se trata de atores mirins precisam admitir que o nanico Mitchell Burns faz um bom trabalho e isso já é um fator significativo, pois seu personagem tem papel fundamental no roteiro. Por haver poucos papéis no geral, dá muito tempo para tridimensionalizar todas as personagens.

O roteiro por sinal é bastante simples, não se preocupa em explicar coisa alguma, apenas lança as possibilidades – e o final aberto reforça este conceito, além de possuir uma interessante reviravolta que me pegou de surpresa realmente e que fez com que o filme ganhasse alguns pontos extras comigo, (Atenção, possível Spoiler) ainda mais por tocar em um ponto que eu gosto muito: as teorias de conspiração. (Fim do Spoiler). A fotografia de Michael Goi também merece menção, pois a floresta, embora não tão densa como em produções similares, dá aquela sensação característica de “embora não estejamos vendo, há alguma coisa assustadora lá fora“.

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Fritz Kiersch também conhecido como o diretor de A Colheita Maldita (não que isso seja grande coisa) faz um bom trabalho por trás das câmeras, até mesmo porque a ideia do “documentário encontrado na floresta” não é original em absoluto, entretanto a história é conduzida de uma maneira não linear que é diferente e dá uma certa personalidade à produção.

Mas, por ironia, é justamente neste aspecto mais marcante que residem as maiores falhas de Terror na Floresta: a fragmentação da ação alternando as duas sub-tramas quebra uma grande parte do suspense e as tentativas insistentes de Kiersch tentar nos mostrar que as fitas encontradas se tratam de um documentário autêntico, o que não é verdade, forçam a barra e chateiam bastante, especialmente os que esperavam algo mais do que uma nova tentativa de se fazer A Bruxa de Blair.

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A violência é praticamente nula, apenas um dedo decepado é encontrado na floresta, e nenhuma morte (se é que elas ocorrem) é mostrada on-screen. A péssima opção por enxertar computação gráfica em um momento tão importante como o clímax soa artificial e a soma dos fatores acaba tornando Terror na Floresta nada mais do que um episódio duplo de um seriado de TV, como Arquivo X ou Supernatural, bem roteirizado e dirigido – um elogio e uma crítica na mesma sentença. Nota zero também vai para a distribuidora nacional, a VideoFilmes, que solta um spoiler fortíssimo já no menu principal do DVD e quase entrega a surpresa do final do filme.

Em resumo, se você curte florestas sombrias e boas histórias de suspense, vale a pena conferir, mas não espere ficar muito tenso, porque aí é exigir demais de Terror na Floresta.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

3 comentários em “Terror na Floresta (2006)

  • 13/12/2015 em 18:01
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    Quero muito ver esse filme mas não acho a legenda na Internet de jeito nenhum! Alguém pode me dar uma luz?

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  • 12/09/2015 em 23:43
    Permalink

    Nossa n meu comentário ba vdd e uma pergunta, já procurei florestas sombrias n consigo achar, pf me ajudem desde já obgd.

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  • 09/08/2015 em 01:19
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    Quase 4 caveiras? Vc tá de brincadeira né?! Eu só dava metade de uma. Filme muito ruim!!!

    Resposta

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