Críticas

Voo 7500 (2014)

Não assusta, não intriga, não surpreende, comprovando o quanto o diretor e o cinema de terror japonês perderam o fôlego nos últimos anos!

Voo 7500 (2014) (1)

Voo 7500
Original:7500
Ano:2014•País:Japão, EUA
Direção:Takashi Shimizu
Roteiro:Craig Rosenberg
Produção:Takashige Ichise, Roy Lee
Elenco:Leslie Bibb, Ryan Kwanten, Amy Smart, Jamie Chung, Scout Taylor-Compton, Nicky Whelan, Jerry Ferrara, Christian Serratos, Alex Frost, Rick Kelly

Do começo até meados dos anos 2000, o cinema de terror foi invadido pelo J-Horror vindo direto da Terra do Sol Nascente e, por consequência, suas refilmagens americanas. Era de praxe você encontrar nos materiais promocionais de divulgação dos filmes, principalmente aqui no Brasil onde o subgênero fez um relativo sucesso e até frequentava com assiduidade as salas de cinema, dizeres como: “Do mesmo diretor de O Chamado”. “Dos mesmos produtores de O Grito”, e por aí vai.

Nesta quinta-feira estreia no Brasil a produção nipo-americana Voo 7500, com atraso de mais de um ano de seu lançamento, dirigida por Takashi Shimizu, o mesmo de O Grito, original e remake, e, obviamente, há essa informação em destaque no pôster nacional. Só que passados dez anos do boom dos filmes de espíritos cabeludos vingativos e o completo declínio do subgênero, esse não é um motivo prático que irá levar o público a se interessar pelo longa, ainda mais tratando-se de um filme tão ruim e anticlímax quanto este daqui.

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Na trama, escrita por Craig Roseneberg, roteirista de O Mistério de Duas irmãs, a refilmagem do coreano Medo, e de A Marca do Medo, mais recente lançamento da Hammer, o tal voo 7500 parte de Los Angeles em direção a Tóquio, em uma longa viagem que levará dez horas. Tudo normal, até que, enquanto ele sobrevoa o Pacífico, um dos passageiros, Lance Morrell (Rick Kelly), que leva uma misteriosa caixa de madeira no compartimento de bagagem, sofre um violento ataque repentino e, mesmo na tentativa das aeromoças e um dos passageiros que é paramédico, Brad Martin (Ryan Kwanten, o Jason Stackhouse de True Blood) tentar salvá-lo e reanimá-lo, ele acaba falecendo.

Bom, deve ser uma bad horrível você estar em um voo tão longo com um passageiro morto, mas essa sensação de pavor e desconforto não é explorada da forma que renderia. Seu corpo sem vida é colocado na primeira classe, fazendo com que todos os passageiros tenham de ir para a classe econômica, e o avião subitamente passa por uma terrível turbulência e despressurização da cabine. Após a pressão voltar ao normal é que a esperada pegada sobrenatural começa a se desenvolver, enquanto o rádio para de funcionar e o capitão Haining (Johnathon Schaech) não consegue contato com a torre de controle.

Um dos passageiros idiotas (quase sempre tem um em todo voo, ou todo filme de terror) resolve subir até a primeira classe, pois o gênio teve a ideia de roubar o Rolex do falecido, quando ele repentinamente se mexe e ataca o larápio. Passa um tempo e as aeromoças percebem que um dos passageiros desapareceu e, ao subir a primeira classe, notam que o cadáver também não está mais lá.

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Um a um os passageiros começam a desaparecer de forma misteriosa (e absolutamente nonsense, com o aparecimento de uma neblina e uma mão saindo de lugares inusitados, ao melhor estilo japonês de se fazer terror) e, investigando os pertences do morto, descobre-se que ele carregava diversos tubos com cabelos femininos e aparentemente era um fabricante de bonecas, pois dentro daquela misteriosa caixa, mostrada de relance lá no embarque dos passageiros, há uma sinistra boneca de madeira, que faz barulho de galinha (JURO!). Uma das passageiras góticas do rolê, Jacinta Bloch (Scout Taylor-Compton de Halloween – O Início) explica que é uma shinigami, uma boneca da morte japonesa que coleta a alma daqueles que morrem deixando algum tipo de mágoa ou assunto inacabado antes de partir, bem naqueles velhos ensinamentos do budismo e do xintoísmo que permeiam os J-Horrors desde sempre.

E olha que todos os personagens envolvidos têm diversas pendengas para resolver: é a aeromoça, Laura Baxter (Leslie Bibb, de Contos do Dia das Bruxas), que tem um caso com o piloto, que por sua vez é casado e a engana dizendo que vai abandonar a esposa; é a outra aeromoça, Suzy Lee (Jamie Chung, de Pacto Secreto), que não sabe se casa com seu noivo ou se compra uma bicicleta; é o casal Rick (Jerry Ferrara, de Battleship: A Batalha dos Mares) e Liz (Nicky Whelan, de Halloween II), onde o sujeito tem dúvidas se fez certo ao casar e a moça tem TOC, é racista, xenófoba, hipocondríaca e tudo mais; tem a gótica que parece não curtir muito viver e tem um apreço pela morte; e também o paramédico Brad, que fora viajar com sua ex, Pia (Amy Smart, de Espelhos do Medo), e ex-relacionamentos por si só já tem um monte de coisas para se acertar.

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Bom, entrar em maiores detalhes seria o equivalente a entregar os SPOILERS do filme, mas você começa a sacar que há alguma coisa de diferente naquele voo logo após a turbulência e despressurização da cabine, que quase matou todo mundo, porque de repente o avião está sempre MUITO escuro e todos os demais passageiros parecem ter sumido do nada, focando apenas naquela meia dúzia de personagens centrais – acho que ninguém cometeria um erro de continuidade tão crasso assim ou então aquele foi o voo mais miado e escuro da história dos EUA para o Japão. E para completar em seu final temos um plot twist medíocre, naquela velha necessidade deslavada de “surpreender o espectador”, mas que acaba funcionando ao inverso, pois,  ao descobrirmos o que realmente aconteceu no fatídico voo 7500, todos os outros detalhes da trama, principalmente a parte sobrenatural, deixam de fazer o menor sentido.

Voo 7500 não assusta, não intriga, não surpreende com seu final, que seria sua verdadeira intenção, e você tem a nítida impressão que perdeu uma hora e meia da sua vida que não lhe trouxe absolutamente nada, comprovando o quanto Shimizu e o cinema de terror japonês perderam fôlego nos últimos anos.

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11 Comentários

  1. Mari

    Eu desisti de ver depois de ler as críticas.

  2. Kathy Gisele

    Filme bosta , de pior qualidade !

  3. Helena

    Sinceramente, eu achei o filme otimo! A história por tras que é o grande “tcham”..nossas pendencias em terra impedindo nossa evolução! mas eu tiraria os espiritos que aparecem durante o filme kk desnecessarios

  4. Naga

    Aqueles típicos filmes B que você encontra na internet e vê,mas no caso não empolga e muito menos dá medo,eu quase ri aqui em casa das cenas no avião,esperei até a Amy Smart pular de paraquedas com o cheque do cachê já acertado.

  5. Ana Tavares

    Alguém me explica o final, no entendi. Todos morrem?

    • Darisson Marrony

      Sim minha linda… no gnal todos descobrem q só estavam fazendo hora extra na terra em modo “Espírito”…

  6. Filme chato, arrastado, o suspense começa so depois de uma hora de filme, e o final realmente não surpreende!

  7. Leonardo

    Eu não entendi o filme. Posso parecer burro (talvez seja), mas o que tem a ver a morte do cara inicial, os dentes que perdeu, a boneca na mala….com o final…o qual não comento por possíveis spoilers

  8. Thi MarQs

    Se o filme fosse feito em qqr lugar da Ásia, acho que ainda teria o seu mérito.
    Agora, JAP e EUA…, não foi uma junção muito feliz…

  9. Laura

    Que pena! Tinha alguma expectativa com esse filme…. :/

    • Heverton

      Fui esperando o pior dos filmes … não é tão ruim quanto parece… com poucas expectativas da2 para se divertir.

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