Críticas

A Colheita Maldita 7: A Revelação (2001)

Mas que revelação, que não há nenhuma no filme? Só se for pelo fato do filme revelar-se uma ruindade total!

Colheita Maldita 7 - A Revelação (2001) (4)

Colheita Maldita 7 - A Revelação
Original:Children of the Corn: Revelation
Ano:2001•País:Canadá
Direção:Guy Magar
Roteiro:Stephen King, S.J. Smith
Produção:Michael Leahy, Joel Soisson
Elenco:Claudette Mink, Kyle Cassie, Michael Ironside, Troy Yorke, Michael Rogers, Taylor Hobbs, Jeffrey Ballard, Crystal Lowe, Sean Smith

Eu até me arrependi de ter dado nota zero para a sequência anterior, A Colheita Maldita 666, porque esta parte 7 é simplesmente um lixo. Nada se salva, nem um único movimento de câmera, nem uma única linha do roteiro, nem uma única morte, enfim, é um NADA absoluto, 80 minutos da sua vida literalmente atirados pela janela. Perto desta porcaria, qualquer um dos outros filmes da série é um Cidadão Kane.

Bem, talvez eu esteja exagerando um pouco. Mas talvez não, porque este é um dos filmes mais imbecis, mais chatos, mais desnecessários, mais ridículos, mais bobos, mais feios, mais desinteressantes, mais feios, mais fedorentos, enfim, mais inúteis que eu já vi na vida. E seu fiasco comercial (nem os raros “fãs” desta frustrante cinessérie gostaram) enterrou de vez a franquia. Quer dizer, se nem o primeiro era grande coisa, o que dizer de um sétimo ou oitavo filme?

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Novamente produzido pela Dimension, com um orçamento estimado em US$ 2.500.000 (não se vê um centavo deste dinheiro na tela), A Colheita Maldita 7 não tem absolutamente nada a ver com os seis filmes anteriores. Nada de Isaac, Gatlin, crianças assassinas no milharal… só tem uma menção de apenas dois segundos ao demônio conhecido como “Aquele que Anda por Trás do Milharal” – que seria o próprio Satanás, segundo as palavras de um padre no final do filme. O que parece é que a Dimension comprou o roteiro de um filme qualquer (assinado por S.J. Smith, que não tem outro trabalho e, pelo que vemos aqui, nem deverá ter tão cedo) e transformou num A Colheita Maldita, incluindo espigas de milho e um milharal na história. O restante simplesmente não se encaixa na “mitologia” da franquia (cruzes…), lembrando mais uma história de casa assombrada qualquer do que algo próximo dos seis filmes anteriores.

Pelo menos desta vez os produtores tiveram vergonha na cara e, ao invés de tascar um “Baseado no conto de Stephen King” nos créditos iniciais, foram mais modestos e colocaram apenas “Baseado em personagens criados por Stephen King“. Humpf! Continua propaganda enganosa, pois o único personagem da trama que realmente foi criado pelo famoso escritor é “Aquele que Anda por Trás do Milharal” – e, como eu disse anteriormente, este é citado em apenas dois segundos dos 80 minutos de filme!

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O roteiro (???) conta a história de Jamie (a péssima Claudette Mink, de Monkeybone), que está preocupada por não receber notícias da avó (Louise Grant) há uma semana. Sem pensar duas vezes, ela pega um táxi até o hotel vagabundo onde a velhinha mora, chamado Hampton Arms, cujo número é 696 (dããããã!). Pior: o prédio tem, pasmem, um milharal plantado bem em frente – e que nasceu da noite para o dia, como descobrimos posteriormente, mas ninguém pareceu estranhar o fato! Jamie logo descobre que o prédio está abandonado e condenado, mas mesmo assim ainda reúne alguns excêntricos moradores. Entre eles, uma stripper chamada Tiffany (a gostosinha Crystal Lowe, de Insônia), o maconheiro Jerry (Troy Yorke, de Todo Mundo em Pânico 3), um maluco chamado Stan, que vive isolado e tem o quarto repleto de armas pesadas (Michael Rogers, de Hellraiser: Caçador do Inferno) e um mal-humorado paralítico (John B. Destry, que também apareceu em Hellraiser: Caçador do Inferno).

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Logo na entrada do prédio, Jamie percebe que circulam pelo local umas crianças misteriosas, vestidas como garotos do século 19, com o rosto pálido, expressão de fúria e sempre sem dizer uma palavra. Mas ela, que de detetive não tem nada, nunca se importa realmente com o fato, mesmo quando começa a ser perseguida pelas tais crianças por todo local que vá. No apartamento da avó, ela não encontra nenhuma pista sobre o desaparecimento da velha. Somente uma Bíblia sobre a cômoda – algo estranho, considerando que a vovozinha não acreditava em Deus.

A netinha desamparada então procura a polícia, representada pelo detetive boa-pinta Armbrister (Kyle Cassie, outro que, caramba!, está em Hellraiser: Caçador do Inferno!!!). Este informa a Jamie que uma pessoa só é considerada oficialmente desaparecida 24 horas depois – embora a velha já esteja sumida há uma semana. A partir daí, começa o inferno para a personagem principal – e para o espectador. As tais crianças mudas aparecem por todo lado. Pior: Jamie insiste em ir investigar qualquer barulhinho mínimo que escute durante a noite, descendo até o escuro porão do prédio ou entrando em becos cheios de fumaça de gelo seco – algo que todos nós sabemos ser uma péssima ideia num filme de horror. Numa dessas andanças, ela chega a encontrar uma das misteriosas crianças pulando amarelinha num pentagrama (!!!), e mesmo assim continua sem estranhar o fato!!!

 

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A partir de então, pouco ou nada acontece. Jamie começa a descobrir, da forma mais implausível e forçada possível, toda a verdade sobre o seu passado. Parece que sua avó pertencia a uma seita de garotos fanáticos, lideradas por um pregador-mirim chamado Abel. Certo dia, 60 anos antes, quando os adultos da cidade iam acabar com a seita, os garotos cometeram suicídio coletivo no meio de um milharal, ateando fogo aos próprios corpos. Menos uma: a avó de Jamie, que não teve coragem de se matar e fugiu, dando início à sua família e levando uma nova vida. O problema é que a velha foi morar no tal prédio construído, convenientemente, bem em cima do local onde seus amiguinhos cometeram suicídio no passado (argh!). Detalhe: tudo isso Jamie descobre olhando uma citação na Bíblia e consultando um recorte de jornal! Isso sim que é detetive!

Paralelamente, as pessoas do prédio começam a morrer. Mas sempre de forma anticlimática e desinteressante. Aliás, é bom ressaltar que nenhuma das mortes é sangrenta ou envolve pedaços do corpo sendo arrancados ou esquartejados, como ficamos acostumados a ver desde a parte 3 da franquia. O primeiro a padecer (hahahaha) é o maconheiro Jerry, empurrado do terraço do prédio por duas das crianças (ai, que medo!). Depois sobra para a gatinha Tiffany, a única personagem que fazia o filme valer a pena (porque era gostosa e estava sempre com pouca roupa). Felizmente, antes de morrer, a loirinha gostosa brinda o público masculino com um rápido banho de banheira, quando vemos, bem de relance, um dos seus peitões, na ÚNICA CENA DE NUDEZ de toda a série!!! Uma salva de palmas, senhoras e senhores! Ah sim: quer saber como Tiffany morre? Um dos garotos joga umas sementes de milho dentro da banheira e cresce um pé de milho gigante (juro que é sério!), que agarra a loirinha e a afoga!!! Convenhamos: se eu lesse um roteiro com uma frase assim (“pé de milho afoga loirinha na banheira“), a primeira coisa que eu faria seria pedir a imediata internação do sujeito que escreveu aquilo, e não dar dois milhões de dólares para alguém filmar esta imbecilidade!!!

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E o detalhe é que mesmo com todo o prédio desaparecendo misteriosamente, mesmo com aquelas crianças assustadoras andando para lá e para cá, mesmo descobrindo evidências de que o local é amaldiçoado, a burra da Jamie simplesmente não vai embora dali!!! Não, ela prefere passar as noites dormindo no hotel, continua investigando os corredores e o porão escuros sempre que escuta algum barulho no meio da madrugada, continua não dando bola para a criançada fantasmagórica, e por aí vai. Qualquer pessoa normal não ficaria nem cinco minutos naquele lugar, mas Jamie insiste em passar dias. E mesmo quando o último dos hóspedes ainda vivo, o malucão Stan, avisa à garota que está deixando o prédio, nem assim ela muda de ideia e continua disposta a ficar no hotel! Isso é que é teimosia!

Para terminar este festival de patetadas, entra em cena um padre anônimo interpretado pelo veterano Michael Ironside. Sim, aquele mesmo que fez vilões memoráveis em Scanners, de David Cronenberg, e O Vingador do Futuro, de Paul Verhoeven, entre tantos outros filmes. Pois aqui, Ironside aparece em cena por menos de três minutos – e olha que ele é o maior astro do elenco!!! Sua única função na trama é esclarecer a história (???). Ele conta a Jamie que sua avó deveria ter morrido no suicídio coletivo. Como não morreu, enfureceu o demônio chamado “Aquele que Anda por Trás do Milharal“. E ele está disposto a eliminar a vovozinha e toda a sua família, para corrigir o erro que a velha cometeu ao não se suicidar 60 anos atrás. Ou seja: uma chupação total do enredo de Premonição (aquele em que a morte mata os jovens que deveriam ter morrido num acidente de avião, lembra?). E depois que o padre anônimo conta sua historinha, e dá um gole de vinho de comunhão para a mocinha beber, some da história para não mais reaparecer – e eu, besta, achando que ele iria ajudar no confronto contra as forças do mal!

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Bem, dentro desta lógica furada do roteiro, as crianças que ficam zanzando pelo prédio seriam os espíritos (sim, fantasmas!) dos fanáticos mortos 60 anos antes. E o alvo prioritário delas deveria ser a vovó que fugiu do suicídio coletivo e depois sua neta – já que os pais de Jamie tinham morrido alguns anos antes. Bem, a vovó foi a primeira a morrer (como descobrimos em flashback), mas então por que diabos as crianças não passaram imediatamente a pensar no assassinato de Jamie e encerraram seu serviço, ao invés de ficar perdendo tempo matando todos os outros personagens secundários da trama??? Acredite se quiser, mas morre até o dono da mercearia que fica metros distante do prédio, e que nada tem a ver com a história!!! Seria muito mais simples para os gasparzinhos do mal matarem Jamie logo que ela chega ao prédio, e depois a vingança estaria terminada e eles poderiam aproveitar toda a eternidade pulando amarelinha no inferno. Mas não: eles preferem passar mais de uma hora só seguindo a garota, jogando “House of the Dead” no fliperama (acredite se quiser!!!) e matando, sem motivo, os outros hóspedes do hotel…

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Quando você acha que A Colheita Maldita 7 não pode ficar pior, o roteiro continua surpreendendo no quesito “ruindade“. Ressuscita o pregador chamado Abel (interpretado por um garoto, Sean Smith, mas dublado com voz de adulto), as crianças começam a finalmente perseguir Jamie pelos corredores do hotel (mas se eles são fantasmas, por que simplesmente não atravessam as paredes e a agarram de uma vez????), e o policial Armbrister surge na hora H para salvar sua donzela de um ataque de um pé de milho demoníaco (é sério!). O filme termina deixando uma sensação de que, na verdade, nada se resolveu, e que a qualquer momento as crianças fantasmas podem voltar do limbo para perseguir a pobre Jamie. Fala sério: vale a pena perder 1h20min da sua vida com essa tralha?

Pior é que o roteirista S.J. Smith, além de não saber escrever, também é uma nulidade em matemática. Em determinada cena, Jamie conta a Armbrister que sua vó tinha 84 anos quando desapareceu. Em seguida, a neta encontra uma foto da vovó feita nos tempos do culto infantil, onde ela aparece menininha ao lado do pastor-mirim Abel. Mas calma lá: se a vovó tinha 84 anos e o suicídio coletivo da seita foi 60 anos antes, isso quer dizer que… a vovó deveria ter 24 anos na época em que a seita de crianças cometeu suicídio!!! Meio velha demais para integrar um clã infantil, não é mesmo? Some a esse erro grosseiro o fato da história não se encaixar de forma alguma na mitologia dos filmes anteriores, e pronto: você tem a bomba da série!

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Longe do clima dos outros capítulos, com mais cenas passadas nos corredores do escuro prédio “abandonado” do que em milharais (o que me leva a concluir que o roteiro não foi originalmente escrito para fazer parte da franquia), A Colheita Maldita 7 é, de longe, a maior bomba de uma série que já começou ruim. Se pelo menos tivesse partido para o exagero ou para a auto-paródia da parte 5, com efeitos especiais nojentos e muita violência explícita, até poderia se transformar em curiosidade trash. Mas parece que o diretor Guy Magar (que também fez O Padrasto 3) estava mais interessado em fazer um “suspense sobrenatural“. Acordou certo dia, olhou-se no espelho e achou que era M. Night Shyamalan! Sério: a pretensão do sujeito não tem limites, e ele acredita estar fazendo arte com os sustos tolos que pipocam na tela o tempo inteiro. Pelo menos é interessante a música “satânica” composta por Steve Edwards, que lembra os primeiros filmes da série. Mas a completa falta de violência ou gore não se justifica, ainda mais em uma franquia que já havia partido para o vale-tudo assumido. As mortes são todas desinteressantes. Tem até uma vítima que é atropelada por um trem em alta velocidade, mas seu cadáver fica inteirinho e nem ao menos manchado de sangue!!! E o roteiro desperdiça o personagem do paranoico Stan, aquele que tem um verdadeiro arsenal de armas no seu apartamento. Pois não é que o cara, apesar de armar-se até os dentes, acaba morrendo de… ataque cardíaco??? Arghhhhhhh!!!

Para encerrar: este sétimo filme é tão ruim, mas tão ruim, que nem o subtítulo faz sentido. Revelation? Mas que revelação, que não há nenhuma no filme? Só se for pelo fato do filme revelar-se uma ruindade total! Pior é que dois outros títulos estavam cogitados pelos produtores: Children of the Corn 2001 (dá pra ser mais original?) e Children of the Corn – Resurrection (outro subtítulo originalíssimo que, depois, foi aproveitado no oitavo filme da série Halloween). Se A Colheita Maldita 7 serve para alguma coisa, é para terminar de vez com essa horrível e péssima franquia. Que agora parece, de uma vez por todas, enterrada e sepultada. Parece! Isso porque todos nós sabemos que os monstros do cinema, mesmo as crianças do milharal, nunca estão realmente mortos – apenas escondidos, no escuro, esperando uma chance de retornar.

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Mas que este retorno não seja tão cedo, porque A Colheita Maldita 7 é um filme horrendo, que só pode ser indicado para um único tipo de público: aquele que morre de medo de milharais e acha milho a coisa mais horrível e assustadora do mundo. Ou seja: 0.0000000000000001% da humanidade. Se você se encaixa nesta porcentagem, pode alugar (ou melhor, fazer download do filme) sem medo. Caso contrário, o negócio é procurar por um outro filme qualquer. Até House of the Dead serve. Bem, também não vamos exagerar…

NÚMEROS DA COLHEITA:
Nota: 1/10
Mortes: 5 on-screen e 1 off-screen
Astros: 1 (Michael Ironside)
Atores mais ou menos conhecidos: zero
Número de mulheres nuas: UMA!!!! ALELUIA!!! Uma cena rápida com a atriz Crystal Lowe mostrando os peitos, a única cena de nudez nos sete filmes da série!!!!
Número de cenas em milharais: poucas
Quantos filmes o diretor fez além deste: 5, mais episódios de várias séries de TV
Melhor morte: nenhuma

VOCÊ SABIA QUE…
– …o filme inicialmente seria chamado de A Colheita Maldita 2001?
< – …outro título considerado era Children of the Corn: Resurrection? Mas este subtítulo foi aproveitado em outra sequência produzida pela Dimension, Halloween Resurrection, filmada na mesma época…
< – …este é o único dos sete filmes a mostrar uma cena de nudez?
< – …uma máquina de fliperama do jogo The House of the Dead aparece em destaque no início do filme (hmmmm…)?
< – …Michael Ironside gravou toda a sua participação como padre em um único dia?
< – …a maior parte das cenas foram filmadas no Canadá,io e não no interior dos Estados Unidos, como aconteceu nos outros seis filmes?

A FRASE DO FILME
The end.
A frase que mais dá prazer de ver, e que aparece nos créditos finais

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1 Comentário

  1. O pior da franquia , era melhor nem ter sido feito , uma falta de respeito total com o mestre King por envolver o seu nome nesta porcaria e aos fãs .

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