Críticas

Always Watching – A Marble Hornets Story (2015)

O found footage certo, oito anos atrasado!

Always Watching (2015) (3)

Always Watching: A Marble Hornets Story
Original:Always Watching: A Marble Hornets Story
Ano:2015•País:EUA
Direção:James Moran
Roteiro:Joseph DeLage, Ian Shorr, Victor Surge, Troy Wagner
Produção:Kirill Baru, Jimmy Miller, Matt Riley, John Zaozirny
Elenco:Alexandra Breckenridge, Jake McDorman, Doug Jones, Alexandra Holden, Chris Marquette, Rick Otto, Cynthia Murell, Shashawnee Hall, Blair Bomar, Michael Bunin, Angus Scrimm

Cada geração tem uma lenda urbana assustadora para chamar de sua, seja o bicho papão, o homem do saco ou a loira do banheiro… Imaginar o quanto de verdade existe em histórias tão diversas é suficiente para deixar qualquer inocente infante com dificuldades para dormir. Para a atual geração Youtube, entre Creepypastas, Jeff the Killers e Suicide Mouses, nenhum pode ser considerado tão popular e explorado na rede quanto The Slender Man, personagem criado em 2009 e popularizado rapidamente, especialmente com o jogo Slender e derivados.

Apesar do apelo, somente pequenos curtas e exercícios de filmagem aconteceram para explorar mais o potencial do misterioso vilão e a mais conhecida delas com certeza é o canal Marble Hornets do Youtube. Orbitando a lenda de Slender Man como tema de seus vídeos com pequenas e numerosas intervenções iniciadas em 2009, o grupo se tornou conhecido o suficiente para encabeçar seu próprio longa metragem, Always Watching, lançado em VOD.

Como não poderia ser diferente para quem já conhece os jogos sobre Slender Man, Always Watching é um filme no estilo found footage e conta a história de uma equipe de um telejornal local fazendo algumas matérias sobre casas abandonadas para o canal.

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Nesta tarefa o produtor Charlie (Jake McDorman), a repórter Sara (Alexandra Breckenridge) e o operador de câmera Milo (Chris Marquette, Freddy vs Jason) descobrem uma série de símbolos misteriosos no porão de uma casa aparentemente normal. A impressão é que a família que lá vivia, diferente das outras, fugiu de lá apressada, sem levar malas ou mudança. Uma caixa de fitas de vídeo é encontrada e o interesse em descobrir qual foi o destino da família desaparecida é despertado, especialmente em Milo, que tem a tarefa de assistir as dezenas de horas de filmagens caseiras em busca de alguma pista.

Não tarda para que Milo descubra um misterioso homem de terno aparecendo constantemente ao fundo de algumas cenas retratadas pela família. Nomeado apenas como “O Operador” (Doug Jones), esta figura não tem rosto e marca suas vitimas com seu símbolo no que em seguida as persegue e as ataca. Enquanto se aprofundam no drama da família desaparecida, os membros da equipe descobrem que, talvez, o Operador esteja agora perseguindo a eles mesmos e, enquanto procuram respostas, são forçados a manter suas câmeras rodando para se manter vivos.

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Assim como no game Slender: The Arrival (que inclusive contou com a ajuda do Marble Hornets na concepção), o “Operador” no filme só aparece para os protagonistas quando eles estão com câmeras funcionando, o que é um excelente catalizador para a paranoia e uma boa justificativa para o found footage, coisa rara na maioria destas produções.

O elenco é competente, a trama é conduzida de maneira adequada, balanceando o drama, sustos e momentos de tensão, tanto por parte dos protagonistas quanto quando é contada a história da família desaparecida. A única exceção é o previsível triangulo amoroso formado por Charlie, Sarah e Milo que gera conflitos rasos e desinteressantes. Aliás, enquanto procura a assombração nos cantos escuros das imagens gravadas, veja se encontra a pontinha especial do ator Angus Scrimm, o Tall Man da franquia Fantasma.

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Contudo a grande questão de Always Watching é que apesar de bem realizado, pega elementos usados à exaustão no gênero found footage, especialmente o primeiro Atividade Paranormal.
Até uma “marca da morte” aparece, remetendo a “mordida do demônio” do filme debut de Oren Peli. As semelhanças numerosas separadas por oito anos de abuso da fórmula enfraquecem sobremaneira o filme que acaba sendo ao final apenas um competente exercício cinematográfico, mas sem qualquer brilho próprio que exceda as expectativas de quem já assistiu outras produções parecidas e bastante inferior aos intrincados vídeos que a Marble Hornets possui em seu canal no Youtube.

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