Críticas

Colheita Maldita (1984)

O resultado é um filme bem-feitinho, mediano, mas nada memorável – e, por isso mesmo, indigno da fama que tem!

Colheita Maldita (1984) (3)

Colheita Maldita
Original:Children of the Corn
Ano:1984•País:EUA
Direção:Fritz Kiersch
Roteiro:Stephen King, George Goldsmith
Produção:Donald P. Borchers, Terrence Kirby
Elenco:Peter Horton, Linda Hamilton, R.G. Armstrong, John Franklin, Courtney Gains, John Philbin, Robby Kiger, Anne Marie McEvoy, Julie Maddalena

Pense rápido: qual a franquia interminável de filmes de horror de baixo orçamento que lançou para o mundo cinematográfico vários astros de sucesso e ganhou status de “clássico dos anos 80“??? Será que é Halloween? Será que é Sexta-Feira 13? Será que é A Hora do Pesadelo??? Que nada, gente!!! Pode parecer esquisito, mas a resposta para a pergunta é A Colheita Maldita, cujo primeiro filme, um terrorzinho convencional feito em 1984, foi um grande sucesso e gerou várias continuações. Pela franquia, que rendeu alguns filmes muito ruins, passaram atores que já foram ou hoje são astros do cinema, como Linda Hamilton, Charlize Theron, Naomi Watts, David Carradine, Fred Williamson, Nancy Allen, Alexis Arquette, Eva Mendez e muitos outros. Fico imaginando que cara essa gente hoje conceituada faz quando alguém cita: “Ahá, mas então você trabalhou em A Colheita Maldita 5, não é?“!!!

Baseado num conto de 28 páginas escrito por Stephen King, A Colheita Maldita é um daqueles filmes que rapidamente ganhou uma injustificada fama de filme de culto. Hoje, alguns fãs mais fervorosos e até críticos o consideram um “clássico dos anos 80“. Bem, acho que o conceito de “clássico” anda caindo bastante desde que o termo era usado para se referir a verdadeiros clássicos, como A Profecia e O Bebê de Rosemary. Eu jamais entendi o porquê da fama do filme ao ponto de transformá-lo numa referência do cinema de horror da década de 80, chegando a gerar uma interminável série. Bem convencional, com pouquíssima violência e nem um pouco assustador, não passa de uma adaptação livre do conto “As Crianças do Milharal“, de King, uma das muitas histórias que aparecem em seu famoso livro Sombras da Noite (de onde também saíram os contos que deram origem aos filmes The Mangler, A Criatura do Cemitério, O Passageiro do Futuro e O Comboio do Terror, entre outros).

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O problema é: como transformar um conto de pouco mais de 20 páginas num filme com 1h36min? Como curiosidade, é bom lembrar que no ano anterior, 1983, um grupo de estudantes de cinema liderados pelo diretor John Woodward rodou um curta-metragem amador baseado no mesmo conto, chamado Disciples of the Crow (“Os Discípulos do Corvo”), com duração média de 30 minutos e um resultado muito melhor e fiel à história de King. Para quem quiser conferir, o trabalho está incluído na fraca coletânea Night Shift, lançada no Brasil em VHS e VCD com o título O Túnel do Horror. Mesmo que o curta seja bem amador, ainda assim consegue dar um banho no longa A Colheita Maldita em clima e fidelidade à fonte. Mas o curta-metragem não foi o suficiente, e os produtores Donald P. Borchers e Terence Kirby resolveram fazer um longa-metragem baseado na história de King. Claro que o roteirista teve que se desdobrar para preencher o tempo morto. No fim, o resultado é um filme bem-feitinho, mediano, mas nada memorável – e, por isso mesmo, indigno da fama que tem, na minha opinião.

O conto original, “As Crianças do Milharal“, para quem nunca teve a oportunidade de ler, é uma das boas histórias de Stephen King, escrita numa época em que ele ainda se preocupava com boas histórias, e não apenas em ganhar dinheiro. Nas vinte e poucas páginas, King narra as aventuras de um casal em viagem pelo interior dos Estados Unidos, que acaba parando numa cidadezinha chamada Gatlin, somente para descobrir que ela está deserta há praticamente 10 anos. Aos poucos, baseados nos indícios que vão encontrando, eles descobrem que as crianças da cidadezinha se revoltaram e resolveram matar todos os adultos para adubar o milharal com seu sangue, devotos de uma criatura pagã chamada “Aquele que Anda por Trás do Milharal“. O conto terminava com a mulher sendo raptada pelas crianças, cruficificada e morta no milharal, enquanto seu marido era sacrificado justamente por “Aquele que Anda por Trás do Milharal“.

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George Goldsmith, que escreveu a adaptação para as telas, manteve a essência da história (a seita de crianças assassinas no milharal), mas falhou justamente no início e na conclusão da trama. Goldsmith, que não tem grandes créditos cinematográficos (seu outro trabalho digno de menção é o filme Inseto, trash sobre mosquito gigante que ataca um hospital), falhou justamente em entregar desde o início o que aconteceu em Gatlin, ou seja, a revolta das crianças contra os adultos, de forma que quando os dois heróis chegam à cidade, e começam a investigação para saber que diabos aconteceu no local, o espectador não se vê envolvido pelo roteiro, porque já sabe o que aconteceu. Ao entregar de bandeja o motivo porque Gatlin está deserta, o roteirista destruiu todo o clima de suspense e mistério do conto, onde o casal vai descobrindo, aos poucos, a terrível verdade sobre a cidadezinha e o destino dos seus adultos.

A Colheita Maldita teve um orçamento médio de US$ 1.600.000, sendo que 500 mil dólares deste total teriam sido pagos ao escritor Stephen King para liberar os direitos de filmagem da história!!! Ou seja: sobrou US$ 1.100.000 para todo o resto, um orçamento que hoje não paga nem o trabalho do eletricista do set – tudo bem, é exagero, mas qualquer produção média, atualmente, custa no mínimo uns 10 milhões de dólares. O diretor é o inexpressivo Fritz Kiersch, outro que não tem grandes créditos, e aqui faz seu filme de estreia. O diretor é mais conhecido por este e também por Tuff Turf, de 1985, aquele em que um jovem James Spader dá o troco na quadrilha de delinquentes que o agrediu no colégio. Mas o ponto alto na carreira de Kiersch é a fantasia de ficção científica Gor e Os Guerreiros Selvagens, de 1988, onde Urbano Barberini (Demons) era um professor que sofria um acidente e acordava num fantástico mundo medieval. Em A Colheita Maldita, o diretor não faz nada de muito interessante, “escondendo” as cenas mais violentas e mostrando uma surpreendente covardia na hora de adaptar as partes mais fortes do conto. Se o filme consegue criar um clima arrepiante, isso se deve unicamente à expressiva trilha sonora, sinistra e bem orquestrada por Jonathan Elias, lembrando uma mistura do tema de A Profecia (a música “satânica“) com a música-tema de Amityville Horror (o macabro coral de vozes, que lembra uma cantiga infantil).

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A história começa com a narração em off de uma das crianças de Gatlin, o jovem Bob (Robby Kieger), que vai a uma lanchonete com seu pai quando o massacre dos adultos começa. No caso, os jovens tomam conta do café da cidadezinha, matando seus pais com veneno, golpes de foice e facadas. Desde o início, já se percebe a covardia do roteiro, que não chega aos pés da trama originalmente composta por King. Só para começar, o filme apresenta dois personagens “bonzinhos” entre as crianças más da cidade – no caso, Bob e sua irmã sensitiva, Sarah (Anne Marie McEvoy) -, ao invés de fazer todas as crianças de Gatlin malvadas, como acontecia no conto. Além disso, o filme é covarde ao representar os assassinos como adolescentes mais velhos, e não crianças. Apesar de às vezes vermos algumas crianças pequenas com foices na mão ao longo da trama, elas nunca são mostradas matando ninguém – parece que só os “mais velhos” são assassinos, o que, convenhamos, não chega a ser tão assustador quanto uma criança pequena e homicida. Além disso, a narração em off de Bob não se justifica, já que ele deixa de narrar o filme a partir de então!!!

Após a matança, a história continua três anos depois (e não 10 exagerados anos, como no conto), quando somos apresentados ao casal de heróis: o recém-formado em Medicina Burton Stanton (Peter Horton, atualmente diretor de seriados de TV) e sua namorada, Vicky (Linda Hamilton, que se transformaria em estrela no mesmo ano graças a O Exterminador do Futuro, de James Cameron). Eles estão cruzando o estado americano de Nebraska, a caminho da cidade onde Burt vai assumir o cargo de médico residente. No caminho, porém, envolvem-se num acidente, bem no meio de uma estrada deserta cercada por um vasto milharal. Acontece que um garoto chamado Joseph (Jonas Marlowe), que queria fugir de Gatlin por não concordar com a fúria homicida de seus coleguinhas, teve a garganta cortada pelos próprios amigos e foi atirado bem no meio da estrada (para não “contaminar” o milharal), sendo então atropelado pelo carro do casal.

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A primeira impressão após o acidente é o choque, pois o casal pensa ter atropelado e matado o jovem. Mas logo Burt descobre que o pescoço do garoto está cortado e que há um rastro de sangue que leva para dentro do milharal. Ali, encontra uma maleta ensanguentada, a evidência de que o garoto foi assassinado – algo bem fiel ao que acontece no livro. Ele então enrola o cadáver num cobertor e coloca no porta-malas do seu carro, saindo em busca de ajuda. Como o lugar é deserto, o único sinal de civilização em quilômetros é uma oficina mecânica que fica na beira da estrada. Ali, o mecânico Diehl (R.G. Armstrong) praticamente expulsa o casal, e, misteriosamente, Burt nem comenta nada sobre o assassinato, apesar de ter a “prova do crime” enrolada que nem salame bem no seu porta-malas. Diehl sugere que o casal dirija pelas próximas 30 milhas até uma cidade habitada, Hemingford, sem parar em Gatlin, que fica mais próxima, porque o local seria habitado por “fanáticos religiosos“. Desnecessário dizer que Diehl será a próxima vítima da criançada assassina, num crime que não fica bem explicado (saiba mais no final do texto).

Porém, Burt e Vicky são cabeçudos e resolvem seguir direto para Gatlin. Afinal, fica mais perto que Hemingford. Mas eles logo descobrem que a cidadezinha está completamente deserta. Prédios como a lanchonete, a escola, a igreja, a delegacia e a prefeitura estão vazios e repletos de milho seco. Mesmo assim, o casal não consegue perceber que há algo de errado em Gatlin (ora, o que haveria de suspeito numa cidade-fantasma?). Eles então param numa casa na saída da cidade e encontram os irmãos Bob e Sarah. Neste momento, o casal se separa: Burt sai a pé em busca de “adultos” (apesar de já ter cruzado a cidade sem encontrar ninguém) e Vicky fica na casa, sendo em seguida aprisionada pela seita dos meninos assassinos. Burt também é atacado, mas consegue fugir e, a partir de então, vai descobrindo a verdade sobre o que aconteceu na cidade.

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No conto “As Crianças do Milharal“, todas as crianças de Gatlin eram assassinas sádicas. Já A Colheita Maldita, além de jamais mostrar as crianças menores matando alguém, ainda inventa dois vilões adolescentes sobre quem recai a culpa da maior parte das mortes, como se o roteirista quisesse inocentar o resto da garotada – afinal, eles só estavam “obedecendo ordens superiores“. Um destes vilões-mirins é o profeta Isaac Chroner (John Franklin, que voltaria ao papel, já adulto, no sexto filme da série). Segundo o roteiro de Goldsmith, e segundo o que Bob narra no início do filme, as crianças só se tornaram assassinas quando o demoníaco Issac apareceu, influenciados pela suas palavras. Além disso, o roteiro introduz uma espécie de “capanga” de Isaac, chamado Malachai (Courtney Gains), que já é adolescente e se encarrega da maior parte do serviço sujo no filme. É bom lembrar que no conto de King não havia um “vilão” para justificar o acontecido, as crianças simplesmente resolviam se transformar em assassinas num estalo, e pronto – algo muito mais assustador, diga-se.

Só que esta não foi a única “liberdade poética” tomada pelo roteirista Goldsmith. Tudo bem que algumas das mudanças até ficaram legais, como o fato da menina Sarah ter o poder da clarividência (algo comum nas obras de Stephen King, mas que originalmente NÃO aparecia neste conto). Pois a garota representa suas visões do futuro através dos desenhos. Numa cena que foi cortada da edição final, os pais de Sarah analisavam alguns desenhos que mostravam justamente o destino dos adultos da cidade, antes que as crianças tomassem conta de Gatlin. Já em outra cena aproveitada no filme, Sarah desenha o futuro de Vicky, aprisionada pelos meninos e crucificada no milharal.

Colheita Maldita (1984)

Um pesadelo adulto!

Um pecado de A Colheita Maldita é nunca deixar claro porque, afinal, as crianças resolveram tomar conta da cidade e matar todos os adultos. No conto original, Burt chega à conclusão de que as crianças viraram fanáticas assassinas durante uma seca que destruiu o milharal, principal fonte de trabalho e renda na cidade. Então, teriam iniciado um culto pagão para sacrificar os adultos ao misterioso deus do milharal, “Aquele que Anda por Trás do Milharal“, adubando o milho com o sangue dos seus pais mortos. Ainda no conto, as crianças assassinas que pertenciam ao culto também eram sacrificadas ao demônio do milharal quando atingiam a idade de 18 anos, e assim os discípulos do milho iam morrendo jovens – e “inocentes“, pois para eles a idade adulta representava o fim da inocência -, ao mesmo tempo em que novos bebês nasciam para dar origem a mais crianças assassinas. No filme, jamais fica bem explicado que os jovens não podiam chegar à cidade adulta, embora em certo momento até mostre o ritual de despedida de um dos rapazes de 18 anos, chamado Amos (John Philbin, de A Volta dos Mortos-Vivos), que aparece entrando no milharal para ser morto por “Aquele que Anda por Trás do Milharal“. Curiosamente, a parte 6 da série apresenta uma personagem que seria filha de Amos com uma garota da seita.

As melhores cenas de A Colheita Maldita são aquelas em que Burt e Vicky andam pelas ruas desertas de Gatlin, tentando descobrir que tipo de calamidade aconteceu para a cidade estar deserta – e aqui eu volto a frisar que é uma pena o roteiro ter entregado a verdade sobre o destino dos adultos desde o início, ao invés de deixar esta revelação para o clímax do filme. Em uma das cenas mais climáticas, Burt ouve sons vindos da igreja da cidadezinha e vai investigar, descobrindo um ritual satânico. Neste momento, a câmera de Kiersch dá closes arrepiantes em imagens de arte sacra que foram vandalizadas pelos garotos, com pinturas de Jesus e Nossa Senhora destruídas e rabiscadas – cena cortada quando o filme foi exibido na TV.

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Infelizmente, A Colheita Maldita não é um filme “com colhões“, ou corajoso. Termina com um duelo ridículo entre Burt e “Aquele que Caminha por Trás do Milharal” (demônio representado na forma de um montinho de terra que fica se mexendo, como se houvesse uma toupeira por baixo). E reserva um destino bem fraquinho para a figura do responsável por todo o mal em Gatlin, o pregador-mirim Isaac. Além disso, a criançada assassina demonstra ser bem suscetível ao que escuta e facilmente influenciável. Por quê? Ora, se três anos antes eles mataram seus pais e todos os adultos do vilarejo após ouvirem as palavras de Isaac, aqueles pequenos psicopatas mirins, que viveram os últimos tempos como violentos fanáticos religiosos, se regeneram em menos de cinco minutos, após ouvirem Burt dar um discurso dizendo que “nenhuma religião é verdadeira sem compaixão e amor!“. Nesse momento fraterno, após ouvirem este belo ensinamento, os meninos e meninas subitamente se arrependem, largam suas foices e machados e ficam bonzinhos de novo, quando qualquer filme mais macho mostraria os heróis sendo obrigados a exterminar aquelas pequenas pragas da face da Terra o mais rapidamente possível – tem que ser muito ingênuo para acreditar que é possível mudar tão rapidamente o comportamento da garotada com apenas meia dúzia de sermões!

Para piorar ainda mais o resultado irregular do filme, o roteiro tem furos imensos. Por exemplo: como é que em três anos ninguém desconfiou do que acontecia em Gatlin? Nenhum dos mortos da cidade tinha parentes fora dali? Nenhum viajante ou vendedor passou pela cidade, estranhou o lugar vazio e alertou as autoridades? Tudo bem, talvez as crianças tenham exterminado todos os invasores antes de Burt e Vicky, mas e se alguém passasse de carro pela cidade, desconfiasse e não parasse, continuando a seguir viagem? Aliás, como viviam as crianças abandonadas ao Deus dará na cidade vazia? Como se alimentavam? Será que só comiam milho – cozido, assado, refogado e frito? E o que será que convencia aquela criançada a permanecer na cidade vazia, trabalhando no milharal e ainda matando todos os adultos que se aproximavam? É bom lembrar que Isaac não os deixava ver TV, desenhar nem ouvir música (coisas proibidas, segundo sua religião); é impossível pensar que a gurizada não iria se revoltar rapidinho contra o pequeno líder. Enfim, são várias perguntas que ficam sem resposta, assim como o motivo que levou a seita de assassinos mirins a matar o mecânico Diehl (lembra que eu citei no resumo da história?). Ao que parece, Diehl havia sido poupado até então justamente para ficar na sua oficina e convencer os viajantes a não pararem em Gatlin. Porém, sem mais nem menos, as crianças simplesmente decidem matá-lo, sem motivo algum, numa total incoerência do roteiro, considerando que o cara foi poupado durante três anos e de repente acabou assassinado – e isso que ele nem contou nada a Burt e Vicky!

A Colheita Maldita ainda tenta convencer o espectador de que uma boa chave-de-roda é a melhor arma para se ter nas mãos quando você está em perigo. Em qualquer momento do filme, quando um personagem se sente ameaçado, ele pega uma chave-de-roda para se defender. Burt o faz quando encontra o jovem morto na beira da estrada, Diehl o faz quando pressente a chegada das crianças assassinas e Burt pega novamente uma chave-de-roda quando foge da seita assassina e se esconde no porão de uma casa – onde, diga-se de passagem, poderia talvez encontrar armas bem mais eficientes, como facas e machados, mas não o faz, porque prefere a segurança que a chave-de-roda transmite. Então, você já sabe: na sua próxima viagem para um local desconhecido, não deixe de ter uma chave-de-roda à mão. Carregada, de preferência.

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Juro que ainda não consegui entender o motivo que transformou A Colheita Maldita num filme tão respeitado e conhecido. Ele tem muito mais defeitos que acertos, e jamais chega a assustar ou fazer qualquer diferença numa década (anos 80) que gerou centenas de bons filmes, muito mais interessantes e memoráveis. Para escrever esta análise, eu tive que assistir novamente A Colheita Maldita (que eu não via desde a infância), e confesso que lembrava de muito pouco da história; ou seja, nunca foi um filme muito marcante para mim. Mesmo assim, tem gente que gosta bastante, ama até. E não é meia dúzia, é muita gente! Tanto que desde que saiu a primeira continuação, A Colheita Maldita 2 – Os Filhos do Mal, em 1993 (quase dez anos depois do original), foi lançada praticamente uma sequência a cada ano até 2001, quando chegou às locadoras Children of the Corn: Revelation, sétimo, e depois em 2011, Children of the Corn: Genesis, até agora último filme da série. Mas as crianças assassinas de Gatlin são incansáveis e, quando a gente pensa que está livre delas, as pragas logo acabam voltando para mais mortes no milharal.

Com o surgimento da Internet, os fãs apaixonados da série (volto a frisar: não são poucos!) se multiplicam em páginas como “Children of the Corn on the Web“, “Children of the Corn Fan Page” e “COTC Homepage: 15 Years of Terror“. Estas páginas são verdadeiras declarações de amor por esta franquia que é uma verdadeira piada, incluindo resenhas elogiosas aos filmes, “fan-fiction” (onde os adoradores da série escrevem historinhas baseadas no universo de A Colheita Maldita) e até serviços de e-mail e de envio de cartões virtuais com fotos do filme! Isso sem contar as dezenas de comunidades na internet, onde alguns até se apresentam como “Os Filhos de Gatlin“!!! Como tem louco nesse mundo! Só espero que eles não sejam tão influenciados pela obra ao ponto de pegarem foices para eliminar os adultos de suas próprias cidades…

Mas convenhamos: um conto de 28 páginas render uma franquia de oito filmes? Caramba! Fico imaginando quantos filmes iriam fazer se resolvessem adaptar a Bíblia!!!

NÚMEROS DA COLHEITA:
Nota: 6/10
Mortes: 10 on-screen, todos os adultos de Gatlin off-screen e um cachorro off-screen
Astros: 1 (Linda Hamilton)
Atores mais ou menos conhecidos: 1 (Peter Horton)
Número de mulheres nuas: ZERO
Número de cenas em milharais: incontáveis
Quantos filmes o diretor fez além deste: 9, mais episódios de um seriado de TV
Melhor morte: um pobre coitado tem sua mão enfiada dentro de um fatiador de presunto

VOCÊ SABIA QUE…
– …o filme não foi realmente rodado em Nebraska, mas sim em Iowa, numa cidade chamada Whiting?
– …um exemplar do livro Sombras da Noite, de Stephen King (aquele que contém o conto “As Crianças do Milharal“), pode ser visto no carro de Burt?
– …o nome de Stephen King foi erroneamente informado como STEVEN King no trailer do filme?
– …John Franklin, o ator que interpreta o vilão-mirim Isaac, foi o primo It (aquele coberto de pelos) nos filmes da série A Família Addams?
– …Frankin também dublou as frases dos bonecos da linha “Good Guy” de Brinquedo Assassino?
– …o diretor cortou uma cena onde Isaac recebia uma terrível visão de “Aquele que Caminha por Trás do Milharal“, mostrando qual seria seu destino?
– …o diretor e a equipe técnica do filme podem ser vistos refletidos no vidro do carro, na cena em que Burt pára numa encruzilhada, antes de chegar em Gatlin?
– …a frase original do cartaz do filme era “An adult nightmare“?

A FRASE DO FILME
Qualquer religião sem amor e compaixão é falsa! É uma mentira!
Burt (Peter Horton), passando uma mijada nas crianças e fazendo com que elas se arrependam de tudo o que aprontaram

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7 Comentários

  1. Paulinha

    Se possui tantos fãs é por que tem os seus méritos!

  2. Nite

    Tem uma cena em que a Linda Hamilton aparece com os seios a mostra no quarto de hotel onde ela acorda o protagonista cantando feliz aniversário, mas faz tempo que eu vi e você pode ter visto uma versão cortada.

  3. Nite

    Lembro desde criança desse filme justamente por tê-lo achado fraco em comparação com os clássicos que eu procurava. Sempre me perguntei o que algumas pessoas viam nele. Fico feliz por não estar sozinho nesse mundo fanzine

  4. Gilson Bloch

    esse primeiro filme , é razoável , apesar de ter a nossa querida linda hamilton , que dispensa apresentações..

  5. Augusto

    Sempre achei esse filme meia boca… as continuações então… nem se fala.

  6. Eu sou um desse monte de gente que gosta , mais não a ponto de ser fã do filme .
    Mais eu concordo com você Felipe que A Colheita Maldita não merece ter status de clássico mesmo sendo muito famoso .
    É um filme com altos e baixos por isso eu também concordo com nota 5 pois não é um filme ruim e nem tão bom , ele fica no meio termo .
    ” A Colheita Maldita ” faz parte da minha coleção .

  7. Que falta fazem as resenhas detalhadas do Boca como essa do Felipe M. Guerra! Espero mais resenhas dessas 😀

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