Críticas

Comboio do Terror (1986)

Um filme bom de tão ruim como este merece uma visita sem compromisso e abastecido com uma alta dose de álcool no sangue!

Comboio do Terror (1986) (4)

Comboio do Terror
Original:Maximum Overdrive
Ano:1986•País:EUA
Direção:Stephen King
Roteiro:Stephen King
Produção:Dino De Laurentiis
Elenco:Emilio Estevez, Pat Hingle, Laura Harrington, Yeardley Smith, John Short, Ellen McElduff, J.C. Quinn, Christopher Murney, Holter Graham, Frankie Faison, Pat Miller

“As máquinas são vassouras… Apareceram para nos varrer para fora do planeta…” – Bill Robinson

Eu gosto muito dos livros de Stephen King. Todos já sabem que suas adaptações para o cinema foram tão numerosas quanto variadas, oscilando de clássicos para lixos completos (infelizmente para cada Carrie existem dois Mangler), e com toda essa quantidade não poderia deixar de finalmente conferir uma adaptação especial de um conto do Mestre do Terror. A diferença é que esta história foi dirigida pelo próprio King em pessoa, que resolveu levar para as telas o conto “Caminhões” do livro “Sombras da Noite“.

Até consigo imaginar o que ele deve ter pensado quando teve a ideia de fazer o filme: “Cacete, esses caras estão arruinando com meus livros. Vou dar uma lição para eles” e foi lá e fez. A princípio pode-se pensar que sairia algo realmente bom, já que habitualmente os autores valorizam mais o desenvolvimento da história do que a gana de vender ingressos, só que o resultado não foi bem assim, e é considerado por muitos como a pior adaptação de King. Dizem até que o próprio diretor achou uma porcaria, o que na minha opinião é um tremendo exagero, mas que tem um certo fundamento.

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Mas, afinal, por que Comboio do Terror foi tão massacrado pela crítica e, mesmo assim, raios, eu me diverti com ele? Na verdade, depende da forma com que você assiste. É um trash de primeiro escalão e, levando em conta que é um produto drive-in dos anos 80, há uma chance de você gostar, mas quando você “raspa a casca” e analisa mais profundamente, passando a levar em conta que é um filme de Stephen King, aí a coisa encrespa e fica claro que ele como diretor é um excelente escritor.

E isso você comprova já na abertura: com uma imagem revertida da Terra, ficamos sabendo que nosso planeta entrou na cauda de um misterioso cometa e que permanecerá por lá nos próximos 8 dias. Nos primeiros segundos, um distinto homem vai tirar dinheiro do caixa de um banco e a máquina o chama de babaca – esta hilária cena de abertura é protagonizada por uma participação especial do próprio Stephen King, talvez se esta cena se passasse no final do filme ela faria mais sentido, mas vamos lá.

Os créditos iniciais se desenrolam ao som de “Who made Who” da banda AC/DC, responsável por toda a trilha sonora a pedido do próprio diretor, o que demonstra o bom gosto musical de Stephen King, só que isto não vem ao caso no momento. O negócio começa a ficar esquisito quando uma ponte suspensa começa a levantar sem nenhuma explicação; o mais estranho de tudo é que as pessoas que estão sobre ela não têm a capacidade mental de dar uma ré ou sair correndo a pé da bendita, que não pára de levantar e rola até um eixo de caminhão cair, sem explicação – de qualquer maneira a situação causa a maior bagunça.

Agora vemos um grande caminhão preto com uma escultura do Duende Verde estacionando no posto de gasolina Dixie Boy para uma geral antes de seu motorista Andy (J. Don Ferguson, Eu Sei o Que Vocês Fizeram do Verão Passado) seguir viagem. Lá conhecemos a garçonete Wanda (Ellen McElduff), que está tendo problemas com seu rádio e o anti-herói Bill “faz-tudo” Robinson (o ex-famoso Emilio Estevez, de O Clube dos Cinco), que está fritando alguns ovos quando é chamado para uma conversa com seu chefe.

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Nesse interlúdio, um homem negro (Giancarlo Esposito, de Ali e O Exterminador da Ilha, creditado apenas como “Videoplayer“) está no salão de jogos do Dixie Boy quando as máquinas começam a ficar malucas, como a máquina de cigarros que começa a jogar dinheiro e produtos para fora. O rapaz que de bobo não tem nada começa recolher cada centavo e cada maço para dentro do bolso.

Depois, em uma cena externa, o frentista Duncan (J.C. Quinn, C.H.U.D. e Dias de Trovão) abastece o grande caminhão preto e a bomba falha, não colocando mais diesel no veículo. Vamos analisar friamente: estamos em um filme de terror, Duncan (que não deve ser um frentista experiente) coloca a mangueira na frente do rosto para ver o que houve… Não é preciso ser Einstein para saber o que acontece em seguida…

Seu chefe, Hendershot (Pat Hingle, o Comissário Gordon nos quatro primeiros filmes do Batman), não dá a mínima para o acidente de Duncan e continua sua conversa com Robinson, que exige que o rapaz trabalhe 9 horas ganhando apenas 8, já que Robinson está trabalhando em liberdade condicional no posto.. Hendershot é um porco chauvinista, pão duro e sem o menor senso de humanidade – isto no código dos filmes de terror significa morte rápida e talvez dolorosa, entretanto chegaremos lá.

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Agora é Wanda quem frita ovos, mas uma faca elétrica se move furtivamente para seu braço, ela se liga sozinha e faz um bom talho na mulher que derruba o aparato que vai na direção do seu pé… Um minuto, se são as coisas elétricas que são controladas, como a faca anda? Qual o mecanismo?

O legal é o “tchan, tchan, tchan” tipo Psicose da trilha sonora: ao invés de dar susto, causa risos. Então a máquina não quer parar e é preciso a intervenção do nosso herói Robinson munido de um martelo para acabar com a insistência psicótica da faca elétrica.

O cara no salão de jogos pega a última moeda, mas é “hipnotizado” por um fliperama que emite sons estranhos e mostra figuras desconexas. A anta vai e encosta-se à máquina e acaba eletrocutado.

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Em outra cena, alguns garotos jogam baseball em um campinho. O jogo termina, e o treinador do time vencedor vai comprar refrigerantes na máquina do lugar, mas ela engole sua moeda. Quando o homem se abaixa para olhar leva uma latinha em alta velocidade no saco (UADARRÉU?!) e em seguida no estômago e na cabeça, o efeito cômico é inevitável.

A máquina enlouquece e começa a lançar latinhas nos garotos no meio do campo. O engraçado que os meninos começam a cair, mortos ou desmaiados, só que nitidamente as latinhas “voam” em baixa velocidade e soa falso e ridículo.

O garoto prestativo Deke (Holter Graham), que calha de ser o filho de Duncan, vai ver o que houve com o treinador, mas consegue se desvencilhar do ataque das latinhas, fugindo com sua bicicleta. Para infelicidade de alguns dos moleques no campo, aparece um rolo compressor pra terminar o serviço.

Agora estamos novamente na estrada. A garota Brett (Laura Harrington, O Advogado do Diabo) pega carona com um tipico vendedor de bíblias safado. O rádio pede que todos saiam das estradas, e, como o homem oferece um pouco de resistência, a caronista resolve pegar no volante, forçando o carro a sair da rota. Coincidentemente acabam parando no Dixie Boy. Uma discussão entre os dois se inicia, mas é interrompido quando o grande caminhão do goblin dá partida sozinho e investe contra os dois.

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Como ninguém no restaurante do posto entende nada e nem vai ver o que raios aconteceu, acompanhamos as últimas personagens desta história: Curtis (John Short que fez pontas em Apolo 13 e O Grinch) e Connie (Yeardley Smith, conhecida como a voz de Lisa Simpson), que acabaram de se casar e vão partir para uma lua de mel, só que ao pararem em um outro posto de gasolina, avistam um corpo e várias manchas de sangue. Pessoas sensatas sairiam disparadas daquele local, mas Curtis desce do carro e vai ver o estrago e recebe uma investida de um caminhão guincho desgovernado. Depois de uma tosca perseguição contra outro caminhão chegam também ao Dixie Boy.

Antes disso, Robinson vai finalmente ver o que houve com o caminhão duende. Não encontra nada lá e, quando vai para a traseira do veículo, o motor liga-se novamente sozinho, entretanto Brett aparece e o caminhão desliga… Mas qual é o sentido disso? Se as intenções das máquinas vivas eram matar os humanos, por que não pegar dois de uma só vez? Se alguém conseguir perguntar isso ao Stephen King, pergunte também porque o espelho retrovisor do caminhão se ajusta em seguida para focalizar o casal. Seria a forma pela qual as máquinas “enxergam“?

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Vá fazendo uma lista de questionamentos, porque o filme tem mais para mostrar. Deke anda com sua bicicleta em uma rua aonde os hidrantes vão se ligando conforme ele passa, mas quando ele se vira para olhar… Os jatos desligam… hahahaha, essa me lembrou o Chapolim… O narrador do rádio avisa que estes tipos de eventos estão acontecendo em todas as partes do mundo e recomenda que se desliguem todos os aparelhos elétricos… Espera um minuto, o rádio também é elétrico e está ligado (pausa para reorganizar a cabeça).

Seja como for, o garoto passa pela rua, as pessoas (e até um cachorro) estão mortos, eletrocutados por walkmans ou enforcados com o cabo de um secador de cabelo (UADARRÉU?!). Depois de uma fuga contra um cortador de grama, vemos Duncan recobrando a consciência e querendo ir atrás do filho, mas o caminhão de lixo que estava lá é mais rápido e o mata antes de ter a oportunidade de sair do lugar. Em seguida é o vendedor de bíblias que cai em desgraça. Nitidamente o caminhão não estava em velocidade suficiente para fazer o estrago que é mostrado e agora todos os caminhões “resolvem” se ligar ao mesmo tempo e ficar circulando no posto… Ué? Até os objetos motorizados fazem exercícios de vez em quando…

 

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Uma série de barbaridades depois, Curtis e Connie tem a brilhante ideia de se “ilhar” junto com os outros no posto e Hendershot revela um arsenal suficiente para começar uma pequena guerra, explodindo dois dos caminhões com um lança-foguetes (um lança-foguetes em um posto de gasolina? Péssima ideia…). Anoitece, Robinson e Brett se “enamoram” (raios, é um restaurante ou um motel?), Wanda incita uma bravata ridícula que entra para a história dos filmes trash (que por sinal lembra muito a transformação de Bruce Banner em Hulk) e Deke consegue chegar ao lugar com uma operaçãozinha de resgate, bolada pelo nosso herói com a ajuda de Curtis ao som de “For Those About Rock“.

No dia seguinte, aparece um carrinho com uma arma presa nela para intimidar os cativos… Com um pouco de tempo, congele a imagem e pense bem: de onde vem o carrinho? Do exército? Se veio do exército, por que parece um daqueles módulos lunares? Já que deve ser completamente desconfortável pilotar um veículo sem banco e sem nenhuma proteção para o motorista e para o atirador… Mas de todas as respostas que o Sr. King precisa elucidar, a maior delas é por que NINGUÉM usa o lança-foguetes contra o carrinho???

Acuados, algumas pessoas morrem por causa das balas disparadas pelo veículo, que transmite uma mensagem em código Morse com a buzina que só o garotinho consegue decifrar. “Nos abasteçam ou nós vamos matá-los” Ok, sejamos sensatos novamente para entender: estamos em um filme de terror com um monte de máquinas movidas a diesel que querem nos matar, seu combustível está acabando e você conta com o arsenal de um pequeno exército, o que você faz? Espera, se esconde até que todos parem de vez, aproveita pra fugir, ou sei lá, enfrenta os trucados com granadas? Qualquer coisa EXCETO abastecer os dito cujos, o que é tão imperdoável como fugir de um assassino correndo escada acima, como em Pânico. A justificativa do herói (de que eles podem chamar um caminhão de Napalm para explodir o lugar) é ridícula, porque as personagens humanas já estavam morrendo há muito tempo na mão das personagens não-humanas, então perguntem ao King…hahahaha…

E não é que todos os sobreviventes abraçam a ideia e vão encher os tanques dos caminhões? Ao som de “Hells Bells” até o garoto Deke parece se divertir na tarefa, não lembrando que no dia anterior seu pai morreu na mão de um deles. Enquanto isso, secretamente, eles elaboram finalmente um plano de fuga… E vou parar por aqui, mas fiquem a vontade para conferir porque o festival de bobagens não acaba, o filme termina virando um grande jogo dos sete (mil) erros, que podem divertir alguns (como eu) e irritar outros tantos.

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Um dos grandes defeitos do filme foi transformar um conto curtíssimo e sem muitas explicações em um longa metragem de 97 minutos, já que para quem leu o conto e assistiu em seguida sabe que a história do livro termina pela metade do filme, com as máquinas vencendo os humanos que a construíram. O “troco” dos humanos ficou exclusivamente para filme e nisso King erra a mão, enrolando muito e dando um encerramento feliz pouco convincente para a trama, pois todos sabemos que existem coisas que funcionam no papel e que não se resolvem na tela. Outra coisa é que um escritor do calibre de Stephen King foi muito infeliz com os diálogos das personagens, quase sempre falam um monte de bobagem e pouca coisa de trama se aproveita, além das excessivas incoerências e buracos de roteiro já citados.

Como diretor Stephen King é um tanto fraco e, por ser seu primeiro e único trabalho no comando, existem incríveis e astronômicos erros de continuidade; por diversas oportunidades a equipe técnica e os equipamentos de filmagem aparecem em cena, mas lembrem que estamos assistindo ao filme pelo lado trash da coisa e isso pode causar várias risadas involuntárias. O suspense é nulo, as coisas acontecem de uma hora para outra e não há tempo de se criar uma atmosfera de medo. Aliás, algumas passagens lembram episódios de comédia pastelão d’Os Três Patetas ou O Gordo e o Magro, o que é péssimo vindo da pessoa que é considerada um “mestre do terror“.

O elenco é mediano com exceção dos exageradamente exagerados Emilio Estevez como o mocinho (que solta até uma frase de efeito “Schwarzeneggerniana” lá pelo final), Pat Hingle como o vilão (um “son of a bitch” na essência da palavra) e não dá pra não notar a voz quase irritante da futura Lisa Simpson, Yeardley Smith, que simplesmente não pára de reclamar até os créditos finais.

Os efeitos são pobres e não menos hilários, a atmosfera verde é feia pra doer e as explosões dos caminhões não destroçam nenhum deles – o resultado é tão porco que o filme levou duas indicações para o famigerado “framboesa de ouro” de pior diretor e pior ator para Emilio Estevez.

O fato é que King não se aventurou mais na carreira de diretor, o que é muito bom para o cinema sério, mas um filme bom de tão ruim como este merece uma visita sem compromisso e abastecido com uma alta dose de álcool no sangue.

Curiosidades:

– O posto de gasolina Dixie Boy era localizado no condado de Columbus no estado da Carolina do Norte. Foi realmente um posto real até ser demolido final da década de 80;

– Um acidente aconteceu no dia 31 de julho de 1985 durante filmagens em um subúrbio da cidade de Wilmington onde um cortador de grama controlado por rádio saiu do controle e bateu em um bloco de madeira utilizado como suporte de câmera, arremessando farpas que acertaram o diretor de fotografia Armando Nannuzzi, que acabou perdendo um olho. Nannuzzi acionou judicialmente Stephen King no dia 18 de fevereiro de 1987 pedindo 18 milhões de dólares por danos físicos, mas as partes chegaram a um acordo fora do tribunal;

– Durante a cena em que o rolo compressor passa pelo campo de baseball, King solicitou à equipe de efeitos especial que colocassem um saco de sangue falso próximo ao boneco do jogador que seria esmagado. O efeito desejado era que uma faixa de sangue aparecesse no rolo que seria transferido para a grama, como uma impressora de jornais. No entanto, enquanto filmavam, o saco de sangue explodiu muito antes e jogou sangue por todo a parte, fazendo parecer que a cabeça do garoto explodiu também. King adorou o resultado, mas os censores pediram que a cena fosse cortada;

– O trailer do filme utilizou parte da trilha sonora do filme Halloween III, de autoria de John Carpenter e Alan Howarth;

– Enquanto filmavam a cena em que o caminhão de sorvete capotava sobre os dublês, as tomadas não estavam saindo como o desejado, então colocaram um novo aparato para que o caminhão capotasse várias vezes, mas na filmagem o caminhão capotou apenas uma vez e deslizou sobre seu teto direto para a câmera. O cameraman foi retirado do caminho no último segundo;

– A trilha sonora do filme originou o disco “Who made Who” do grupo AC/DC, muito embora alguns críticos lembrem do disco “Blow up your video“… Não imagino o porquê… hahaha;

– A versão final do filme tem 12 segundos a menos da versão original devido aos cortes para evitar uma classificação X (a mesma dos filmes pornôs) de acordo com o sistema de classificação da época. As cenas removidas são: seis segundos de cenas no Dixie Boy, três segundos do rolo compressor passando por cima do garoto e três segundos da morte do vendedor de bíblias;

– O orçamento foi estimado em 10 milhões de dólares, mas gerou menos de 7,5 milhões. Um fracasso comercial, mas que poderia ser pior, acreditem;

– Teve um remake lançado direto para a TV em 1997 chamado Trucks e que consegue ser pior que o original.

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1 Comentário

  1. Murilo

    É o meu conto favorito no Sombras da Noite <3
    Realmente concordo depende muito de com você assiste o filme, especial se tratando de uma adaptação.
    Eu não esperaria algo incrivel nos dias de hoje, apesar da confusão (Todos aparelhos eletronicos ficarem loucos sendo q no conto apenas os meios de transportes ficaram pirados) eu acredito q a intenção do filme foi boa, se tivessem melhores efeitos enquadrados no momento ideal, menos dialogos forçados a serem engraçados se sairia muito melhor
    O casal que acabou de se casar foi totalmente diferente do que era na história original, os momentos de tensão que estavam no conto, traduzidos para a pelicula ficaram curtos e duraram pouco tempo (prova disso é os protagonistas acharem tempo pra foder enquanto se encontram rodeados de caminhões) e ao meu ver a cena do campo de beisebol foi totalmente inutil para o filme
    Contudo, acredito q valeu a pena assistir pois estava procurando bastante esse filme e quando encontrei ele legendado pulei de alegria!
    Acredito q seja um clássico pelo fato de ser dirigido pelo Stephen

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