Críticas

Dead Rising: Watchtower – O Filme (2015)

Adaptação consegue capturar o espírito do game, mas falha como filme de zumbis!

Dead Rising (2015) (1)

Dead Rising: Watchtower - O Filme
Original:Dead Rising
Ano:2015•País:EUA
Direção:Zach Lipovsky
Roteiro:Tim Carter
Produção:Tim Carter
Elenco:Jesse Metcalfe, Meghan Ory, Virginia Madsen, Keegan Connor Tracy, Aleks Paunovic, Dennis Haysbert, Gary Jones, Carrie Genzel, Rob Riggle, Reese Alexander, Harley Morenstein

De maneira geral os serviços de streaming vem cada vez mais angariando notoriedade e investindo em produções próprias. Liderados pelo Netflix, Hulu, Yahoo e Amazon, despontam como criadoras de conteúdo e remodelando até as grandes premiações da televisão, como o Emmy. E mesmo que pequeno em comparação com as citadas, o serviço de streaming Cracke, subsidiária da Sony Pictures, chama a atenção por ser gratuito e por ter adquirido os direitos de distribuição da adaptação do popular game de zumbis da Capcom Dead Rising.

Apesar de ainda não estar disponível no catálogo da Crackle no Brasil, Dead Rising: Watchtower – O Filme (péssimo título em português) tem a missão de emular a diversão descompromissada imprimida na série de games iniciado em 2006 em uma produção de baixo orçamento com simplicidade, força e criatividade, porém no fim das contas apenas alguns destes objetivos foram atingidos, resultando em uma boa adaptação, mas apenas um medíocre filme de zumbis.

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O roteiro é situado entre as histórias de Dead Rising 2 e 3, todavia não requer conhecimento prévio da trama para perfeito entendimento do filme. Basta saber que quando os zumbis apareceram, o governo dos Estados Unidos criou zonas de quarentena onde os infectados que ainda se mantém humanos conscientes são tratados diariamente com uma droga chamada Zombrex. O medicamento precisa ser administrado a cada 24 horas ou a manifestação se torna irreversível.

Nesta zona desolada o repórter “gonzoChase Carter (Jesse Metcalfe, Todas Contra John) e a cinegrafista Jordan (Keegan Connor Tracy, Bates Motel) registram “in loco” o drama da população que os demais tentam esquecer. Quando um lote de Zombrex aparentemente não dá efeito e a infecção volta a se espalhar, Chase e Jordan estão lá para reportar, investigar e sobretudo escapar da crescente ameaça.

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O exército é rapidamente acionado e resolve trancar á área com todos (infectados ou não) lá dentro, atirando em qualquer um que apareça na fronteira. Jordan consegue sair e Chase fica com Crystal (Meghan Ory, Once Upon a Time), garota infectada que depende do Zombrex, e Maggie (Virginia Madsen, O Mistério de Candyman), mãe que recentemente perdeu a filha pequena para o apocalipse zumbi.

Do lado de fora, a imprensa faz sua cobertura tendo como comentarista o sobrevivente de um surto anterior, o fotógrafo e jornalista Frank West (Rob Riggle, Anjos da Lei). Assim como no game, logo o exercito decide “apelar” e destruir toda a cidade com um ataque aéreo em 24 horas, é o tempo que Chase e seu grupo tem para, com recursos limitados, encontrar uma forma de sair e divulgar para o mundo o que está acontecendo na quarentena.

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Escrito por Tim Carter (do game Sleeping Dogs) e dirigido por Zach Lipovsky (do péssimo O Duende: As Origens), o filme consegue boas cenas de ação e conexões interessantes para os fãs do game: os variados tipos de zumbi, a contagem regressiva, a investigação no estilo quebra cabeças, a presença de Frank West, as roupas e pequenos easter eggs, mas principalmente, na improvisação.

O grande trunfo do jogo em comparação com seus congêneres, a capacidade de improvisar e criar armas perigosas através de itens comuns, é bem explorado neste filme. Este fator McGyver torna a produção divertida não somente nas armas usadas, mas nas variadas formas onde os protagonistas estão enrascados e conseguem se adaptar a situações de risco de morte. Por este ângulo Dead Rising: Watchtower presta um adequado e esperado fan service, mas sabemos que nem só de fan service vive um bom filme…

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A ambientação é muito inspirada em Despertar dos Mortos, de George Romero, contudo o roteiro é muito preguiçoso e poderia se adequar a qualquer filme de zumbis genérico que existem aos montes. O baixo orçamento e a recusa em mostrar violência gráfica são pontos contra, assim como as intervenções “engraçadinhas” de Frank West que, no começo, são tratadas com um sarcasmo divertido, mas que após o quinquagésimo corte percebe-se que sua função é somente encher linguiça.

Embora o elenco tenha nomes conhecidos da televisão e sejam competentes em suas funções – com Dennis Haysbert (24 Horas), Aleks Paunovic (iZombie) e Gary Jones (Stargate SG-1) completando o castingDead Rising: Watchtower começa com um construção movimentada e divertida, termina em uma conclusão cheia de revelações e explosões, mas o meio é rançoso e enrolado… Um sanduiche invertido onde o bom não está no recheio.

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