Críticas

Maze Runner: Prova de Fogo (2015)

Da mesma família que outras franquias adolescentes, Maze Runner: Prova de Fogo tem infectados e boas cenas de suspense!

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Maze Runner: Prova de Fogo
Original:Maze Runner: The Scorch Trials
Ano:2015•País:EUA
Direção:Wes Ball
Roteiro:T.S. Nowlin, James Dashner
Produção:Marty Bowen, Eddie Gamarra, Wyck Godfrey, Ellen Goldsmith-Vein, Joe Hartwick Jr., Lee Stollman
Elenco:Dylan O'Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Dexter Darden, Alexander Flores, Jacob Lofland, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito, Patricia Clarkson, Aidan Gillen, Terry Dale Parks, Kathryn Smith-McGlynn, Lili Taylor, Barry Pepper

A adolescência é marcada por incertezas e descobertas. Enquanto busca uma posição oficial na sociedade e uma aproximação das responsabilidades da vida adulta, ao mesmo tempo o adolescente ainda possui raízes na ingenuidade infantil diante do novo. Se isso já é uma definição tradicional do comportamento juvenil, conhecido até mesmo pelos próprios em sua longa jornada a caminho da maturidade, a ficção literária e cinematográfica não poderia deixar de explorar esse rito de passagem, fazendo uso de linguagem figurada em produções fantásticas como percurso adequado para estabelecer o diálogo. O jovem se espelha nas personagens, nas relações amorosas e nos conflitos pessoais, ao passo que se diverte com monstros, quebra-cabeças e vilões. Da safra atual que se alimenta dessa tendência, temos a saga Crepúsculo, a série Divergente, as franquias Jogos Vorazes, Instrumentos Mortais, Dezesseis Luas…uma evolução para os pequenos que acompanhavam as aventuras de Harry Potter, As Crônicas de Nárnia e Percy Jackson.

Maze Runner faz parte dessa fase. A série de livros escrita por James Dashner já teve duas adaptações, bem distintas em sua realização e proposta. A primeira, The Maze Runner: Correr ou Morrer (2014), é baseada numa obra homônima publicada em 2009, e tem um enredo que lembra a franquia Cubo e o clássico O Senhor das Moscas (1963), colocando as personagens num labirinto, onde a saída necessita de coragem e ousadia. Nela, o jovem Thomas (Dylan O’Brien) acorda desmemoriado em um elevador que o conduz à Clareira, um espaço aberto, repleto de meninos com idades variadas e que seguem regras de sobrevivência em uma sociedade rústica, diante da entrada para um imenso labirinto móvel, habitado por criaturas tecno-orgânicas parecidas com aranhas. Contestador, Thomas não aceita a condição de novato, imposta pelo líder de ocasião Gally (Will Poulter), e logo se aventura entre os Corredores, aqueles que tentam diariamente buscar meios de escapar do local. Em breve, a presença da primeira garota, a bela Teresa (Kaya Scodelario), irá mexer com os brios do grupo, conquistando a confiança e o carinho do protagonista, assim como o oriental Minho (Ki Hong Lee), o gordinho Chuck (Blake Cooper) e o esperto Newt (Thomas Brodie-Sangster), entre outros, que tentarão enfrentar os perigos para escapar da situação imposta pela CRUEL, sob o comando de Ava Peige (Patricia Clarkson, de Ilha do Medo, 2010), cuja motivação está relacionada à realidade atual do mundo, um terrível vírus e a busca pela cura.

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Embora lembre bastante a franquia Jogos Vorazes, ao colocar jovens num jogo de morte, The Maze Runner, dirigido por Wes Ball, a partir de um roteiro escrito por Noah Oppenheim, Grant Pierce Myers e T.S. Nowlin, desenvolveu pernas próprias ao misturar no enredo um desafio lógico, claustrofobia, conflitos internos, monstros e muita ação. Sem explicar muito, mesmo na sequência final quando algumas descobertas saltam à tela, o ambiente único é satisfatório o suficiente para manter a atenção do público e instigar a curiosidade pela continuação. Será que um segundo filme iria beber da mesma fonte, colocando jovens novamente em outro labirinto ou partiria para uma outra linha narrativa? A resposta atende pelo título Maze Runner: Prova de Fogo (Maze Runner: The Scorch Trials, 2015), baseado no segundo livro da série, que chegou aos nossos cinemas no dia 17 de setembro, e tem mais uma vez a direção de Wes Ball para um roteiro de apenas T.S. Nowlin.

Thomas e os demais sobreviventes – Minho, Newt, Teresa, Frypan (Dexter Darden) e Winston (Alexander Flores) – foram resgatados de helicóptero da saída do labirinto e conduzidos a um laboratório de pesquisa, comandado por Janson (Aidan Gillen, de Blackout, 2007), onde fazem uma bateria de exames e são levados ao encontro com outros jovens. Com a ajuda de Aris Jones (Jacob Lofland), um dos internos, ele descobre que aqueles que sobreviveram ao labirinto estão sendo drenados por uma máquina para a produção da cura para uma doença que acometeu boa parte da população mundial e transformou as pessoas em criaturas parecidas com zumbis, os chamados Cranks. Thomas resolve, então, fugir do local com os amigos, mesmo sabendo que o lado de fora pode ser mais perigoso e mortal do que as instalações médicas. Eles enfrentarão o terrível deserto, os cranks, além de grupos isolados de sobreviventes, com suas regras próprias, objetivando os rebeldes que se escondem nas montanhas.

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Maze Runner: Prova de Fogo é também interessante e levemente superior ao primeiro, mas possui falhas bobas em seu conteúdo, problemas que poderiam ser resolvidos com uma observação melhor do roteiro. Entre as bobagens vistas em sua longa duração, cito algumas difíceis de engolir: há uma cena em que um garoto armado revolve usar as balas contra os seguranças que se aproximam ao invés de atirar no cadeado que segura a porta de saída. Também soa forçado a fuga rápida para um shopping muito próximo das instalações, e o local nem sequer é vistoriado pelos soldados, mesmo sabendo que os jovens acabaram de fugir para uma tempestade no deserto e estão em busca de abrigo. E a cena então em que Brenda (Rosa Salazar) é sustentada por um vidro – similar ao que aconteceu com Julianne Moore em O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) -, e ele começa a rachar a cada movimento da garota, mas não quebra quando um Crank cai em cima e ocorre a luta no local. Isso sem contar o fato dos jovens fugirem do laboratório e ficarem dias no deserto sem alimento e pouca água…

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Na jornada pelo amadurecimento, Thomas encontra, além de Brenda, o auxílio de Jorge (Giancarlo Esposito, de A Sombra do Inimigo, 2012), líder de uma comunidade que mantém cranks prisioneiros, Vince (Barry Pepper) e Mary (a veterana Lili Taylor, de Invocação do Mal, 2013), além de duas conhecidas de Aris, Harriet (Nathalie Emmanuel) e Sonya (Katherine McNamara). São esses encontros e os embates com o pessoal da CRUEL que tornam o filme tão parecido com a série Divergente, bastando substituir a personagem de Patricia Clarkson pelo da Kate Winslet. A liderança de Thomas também remete à posição absoluta de Katniss (Jennifer Lawrence) em Jogos Vorazes…e por aí vai.

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As cenas de tensão, a caracterização dos cranks – sem olhos e movimentos parecidos com os infectados de Last of Us -, e toda a aventura no deserto, fugindo de raios e pequenas comunidades, em ótima fotografia e efeitos bem realizados, tornam Maze Runner: Prova de Fogo um filme bem legal, sem incomodar o espectador, mesmo que carregue em dramas pessoais, como o que aflige Teresa, e a leva à atitudes impensadas. Vale uma conferida nos cinemas, sem a necessidade do 3D, ainda que você já tenha visto tudo isso antes em outras produções envolvendo adolescentes e desafios!

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1 Comentário

  1. só pela Kaya Scodelario eu assisto esse filme!! ela é linda demais!!

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