Críticas

A Colina Escarlate (2015)

Apesar dos efeitos digitais, A Colina Escarlate ainda permanece como uma ótima opção principalmente para ser conferida no cinema!

Crimson Peak (2015)

A Colina Escarlate
Original:Crimson Peak
Ano:2015•País:EUA
Direção:Guillermo del Toro
Roteiro:Guillermo del Toro, Matthew Robbins
Produção:Guillermo del Toro, Callum Greene, Jon Jashni Thomas Tull
Elenco:Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam, Jim Beaver, Burn Gorman, Leslie Hope, Doug Jones, Jonathan Hyde, Bruce Gray, Emily Coutts

Não é de hoje que o cinema de horror traz histórias com casas que são verdadeiros personagens dentro da narrativa. Desafio do Além (1963) é provavelmente um dos exemplos mais claros e que sempre surge na lembrança dos fãs do gênero. A verdade é que ao pesquisarmos a filmografia de horror, a ideia de uma ação que está diretamente ligada a uma casa já faz parte das regras do gênero. O mais novo filme do diretor Guillermo Del Toro tem na sua casa uma grande personagem.

Del Toro já é um velho conhecido dos fãs do gênero. Seus filmes como A Espinha do Diabo (2001) e O Labirinto do Fauno (2006) fizeram sucesso por onde passaram ao misturarem histórias fantásticas com cenas de forte impacto visual. A Colina Escarlate (Crimson Peak) chegou aos cinemas brasileiros com o carimbo estilístico que os fãs de Del Toro já conhecem bem. O destaque do novo trabalho vai para a excelente e luxuosa direção de arte, fotografia e os belíssimos figurinos. Tudo orquestrado para, de acordo com o trailer, contar uma história de fantasmas. História esta que tem ligação direta com uma casa, neste caso a velha mansão Allerdale Hall, localizada em uma isolada área rural inglesa.

Crimson Peak (2015)

Curiosamente a mansão não é logo apresentada. Antes de entrar em cena, o público vai conhecer os personagens principais do filme. A ação começa nos Estados Unidos, no primeiro ano do século passado. O roteiro traz os misteriosos irmãos ingleses Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille (Jessica Chastain). Fica logo claro que os dois escondem um segredo e estão na América com um objetivo, embora não seja clara a motivação da dupla. A história segue e Thomas se aproxima da norte-americana Edith (Mia Wasikowska), filha do milionário Carter (Jim Beaver).

Nesta primeira parte do filme, a trama gira muito em torno do mistério dos irmãos com uma pegada de romance gótico. Além disso, cada sequência é um espetáculo visual. Fãs mais impacientes por um “filme de terror” talvez achem esta primeira parte maçante. A Colina Escarlate é tudo menos uma obra maçante, e toda esta “introdução” serve para colhermos pistas, conhecermos os personagens e criar expectativa quanto ao que vai acontecer. Após Carter ser assassinado, Edith se casa com Thomas e se muda para a Inglaterra.

Crimson Peak (2015)

Ao chegar na mansão, Del Toro vai explorar o máximo este cenário que passa a ser descoberto pouco a pouco por Edith. Ela e os dois irmãos são os únicos moradores da propriedade, embora existam alguns empregados que ficam do lado de fora trabalhando em uma máquina de extração de argila que Thomas desenvolveu. Já em sua primeira noite, Edith passa a ter visões de fantasmas. Estes seres sempre surgem com expressões de agonia. Assustada com as primeiras visões, Edith começa a investigar a casa na certeza de que existe algum segredo macabro no lugar.

Apesar do cenário e do aspecto visual, outro grande trunfo do filme é o elenco. Tom e Mia estão muito bem em seus papeis. Mas quem rouba a cena sempre que aparece e faz o filme crescer é a Lucille de Jessica Chastain. Os fãs de Del Toro vão reconhecê-la de Mama, embora os títulos mais importantes dela são Histórias Cruzadas (2011) e A Hora Mais Escura (2012). Jessica Chastain está excelente como a misteriosa irmã. Não será de surpreender se ela for indicada ao Oscar de atriz coadjuvante.

Crimson Peak (2015)

Além disso, o filme tem as já conhecidas cenas de violência que Del Toro sabe fazer tão bem. Então é possível falar que A Colina Escarlate é uma obra prima? Apesar dos inúmeros pontos positivos, Del Toro errou feio em um dos quesitos aparentemente mais simples da trama: a concepção dos fantasmas, que aqui são feitos por CGI e não enganam ninguém. É estranho, para não dizer decepcionante, ver um cineasta que conseguiu destaque por filmes que traziam excelentes trabalhos de maquiagem se render ao uso de CGI de forma tão explícita.

E é curioso, e igualmente decepcionante, perceber que o filme é tão bem realizado e de repente tem sua ação narrativa desequilibrada simplesmente por fantasmas digitais e escandalosos que não assustam ninguém. Ou melhor, dão sustos unicamente por que quase todos surgem acompanhados por altas e repentinas inserções sonoras. Del Toro não precisava disso. As poucas sequências boas de fantasmas são justamente as mais sutis e discretas, como, quando em um sonho, Edith vê um espectro ao longe apontando para algo, ou quando ao tomar banho percebe uma sombra no final do corredor. Ou quando um fantasma solitário toca um piano e a câmera sutilmente se aproxima.

Inclusive algumas aparições são totalmente desnecessárias. A primeira “visita” da mãe de Edith serve apenas para quebrar qualquer clima de mistério. E para piorar, os fantasmas digitais são bem parecidos com a “mama” do filme homônimo, cujo resultado visual foi igualmente fraco. Se Del Toro tivesse optado por efeitos mais simples, ou mesmo a velha e boa maquiagem e usando efeitos especiais apenas para finalizar e corrigir cenas, talvez tivéssemos na tela um resultado bem diferente. Apesar deste descuido, A Colina Escarlate ainda permanece como uma boa opção principalmente para ser conferida no cinema.

Curiosidades:

– O orçamento de A Colina Escarlate foi de US$ 50 milhões.
– A logo da Universal, produtora do filme, aparece em tom escarlate.


– A mansão vista no filme foi construída, em tamanho real, especialmente para as filmagens.
SPOILER: Apesar de caírem folhas dentro da casa, uma vez que parte do telhado cedeu, não existe nenhuma árvore cujos galhos estejam acima da casa. Para piorar, não existe nenhuma árvore perto para justificar as folhas caindo constantemente.

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7 Comentários

  1. Seu Gilderfran

    Não são folhas caindo no salão. É a madeira podre do teto descascando.

  2. roberto cardoso

    Gostei do clima gótico, cenários, fotografia…E também por lembrar os filmes da Hammer.

  3. Paulinha

    òtimo filme!!!!

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Até que em fim!!! 😀

  4. Belíssimo filme! Diversas referências para os fãs do gênero e ainda subverte os romances góticos colocando a mocinha como dona do seu destino. Deltoro destrói!!!

  5. Fabio

    Na verdade os fantasmas são feitos por atores em roupas, retocados em CGI. Acho que o problema é que eles aparecem muito.

  6. Roger

    Realmente, a única coisa que incomoda são os efeitos visuais e sonoros que os acompanham. Decepcionante ainda mais se lembrarmos os magníficos efeitos de O Labirinto do Fauno. Mas, fora isso, é produção muito bem dirigida, filmada, encenada, visualmente exuberante, reprodução de época belíssima, atores muito bons.

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