Críticas

Cooties: A Epidemia (2014)

Zumbis, violência infantil e muitas risadas aguardam no filme que ficou a um passo de se tornar um clássico cult!

Cooties (2015)

Cooties: A Epidemia
Original:Cooties
Ano:2014•País:EUA
Direção:Jonathan Milott, Cary Murnion
Roteiro:Leigh Whannell, Ian Brennan, Josh C. Waller
Produção:Tove Christensen, Georgy Malkov, Daniel Noah, Steven Schneider, Josh C. Waller, Elijah Wood
Elenco:Elijah Wood, Rainn Wilson, Alison Pill, Jack McBrayer, Leigh Whannell, Nasim Pedrad, Ian Brennan, Jorge Garcia, Cooper Roth, Miles Elliot, Morgan Lily, Sunny May Allison

O cinema de terror americano anda muito sério. Lá se vão seis anos desde Zumbilândia – que, vamos combinar, já não era lá grandes coisas – e o terrir andou sumido dos grandes circuitos comerciais. Se do outro lado do Atlântico, na Europa, o gênero continua vivo e bem (Matadores de Vampiras Lésbicas, Doghouse, Zumbis na Neve 2, The World’s End), dos Estados Unidos temos que nos conformar com besteiróis do nível de Inatividade Paranormal 2 e Vampiros que se Mordam.

Eis que a salvação da lavoura veio pelas mãos de uma dupla de peso. De uma bizarra associação entre o roteirista de Jogos Mortais e Sobrenatural, Leigh Whannell, com o criador e produtor dos seriados Glee e Scream Queens, Ian Brennan, surgiu o roteiro de Cooties – uma gíria americana para piolhos. Dirigida pela dupla de estreantes Jonathan Milott e Cary Murnion e recebido com louros no Festival de Sundance de 2014, o filme é diversão garantida, regada a sangue, violência e nuggets de frango.

Cooties (2014)

Na sugestiva cidade de Fort Chicken, Illinois, derivados de frango são a principal fonte de renda e um orgulho local. Porém práticas condenáveis de manipulação dos bichos acabam contaminando um lote de nuggets que é despachado e servido nas escolas de educação básica da região.

Quando Shelly, aluna da quarta série, consome um destes pútridos empanados, acaba doente e coberta em feridas. Enquanto isto, o inofensivo aspirante a escritor de horror Clint Hadson (Elijah Wood, Maníaco), que retornou recentemente de Nova York, é acionado para substituir um professor na escola da cidade. Lá se reencontra com uma paixão de adolescência, Lucy McCormick (Allison Pill, Scott Pilgrim contra o Mundo), mas descobre que ela está namorando Wade Johnson (Rainn Wilson, The Office), o turrão professor de Educação Física.

Cooties (2014) (1)

Durante a aula, Shelly, que está sofrendo numerosos sintomas, brutalmente arranca a mordidas um pedaço do rosto de seu colega de classe Patriot (Cooper Roth), que passa a se comportar de maneira feroz e manifestar os mesmos sintomas físicos. Quando se descobre que a infecção se espalha entre as crianças através dos ataques, como piolhos (remetendo ao título original), é tarde demais para reagir.

Clint, Lucy e Wade se trancam na sala dos professores com os demais membros da equipe que ainda permanecem vivos: Tracy Lacey (Jack McBrayer, 30 Rock), Rebbekah Halverson (Nasim Pedrad, Scream Queens) e o esquisitão professor de Educação Sexual Doug (Leigh Whannell). Em um local cercado por zumbis infantes sedentos por carne humana e com a política do vice-diretor Simms (Ian Brennan) de não permitir celulares na escola, impossibilitando qualquer contato externo, sobreviver e fugir para um lugar seguro é a primeira prioridade. Completam o elenco Jorge Garcia (Lost) como o guardinha chapado Rick e Matt Jones (o Badger, de Breaking Bad) como o policial Daves.

Cooties (2014) (2)

Cooties tem quase tudo que queremos ver em uma produção assim, dos personagens disfuncionais que precisam se tornar improváveis aliados até a violência desmedida (contra crianças, cabe o reforço). O elenco faz rir ante sua mera presença e não faz questão de apresentar sutilezas; seu estereótipo é tão escrachado que faz parte do charme do filme: tem a professora certinha, a ultraconservadora de direita, o gay enrustido, o zelador oriental mestre das artes marciais, e por aí vai. Destaque absoluto para Rainn Wilson, entregando ouro puro ao incorporar o professor caipira “badass”, só por ele já vale o filme todo.

Os valores de produção – fotografia, figurino, efeitos especiais – são de primeira linha e as piadas são frequentes, funcionando na maior parte do tempo. Algumas abordagens são explícitas, chegando a quebrar a “quarta parede”, e outras apostam na crítica social e na reflexão, mas todas são bem vindas.

Com tanta energia, conceitos e potencial, é uma pena que após os primeiros vinte minutos a trama acabe imersa em uma guinada preguiçosa, com poucos diálogos e tiradas baratas, perdendo uma cadência perfeita que só é retomada no explosivo terceiro ato. Outra pena é o subaproveitamento do personagem de Jorge Garcia, que, embora engraçado, só tem relevância no final.

Sobram homenagens às obras de George Romero (Despertar dos Mortos), Robert Kirkman (The Walking Dead) e Dan O’Bannon (A Volta dos Mortos Vivos) e com tanta reverência é difícil não gostar do filme. Contudo é de se lamentar que não fossem por pequenos, porém relevantes detalhes, Cooties grudaria na cabeça do fã de comédias de horror de um jeito que nem Escabin com pente fino consegue tirar.

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