Críticas

O Caçador de Bruxas (1968)

Vincent Price em uma atuação marcante como o lendário caçador de bruxas do século XVII!

O Caçador de Bruxas (1968) (1)

O Caçador de Bruxas
Original:Witchfinder General
Ano:1968•País:UK
Direção:Michael Reeves
Roteiro:Michael Reeves, Tom Baker, Ronald Bassett
Produção:Louis M. Heyward, Arnold L. Miller, Philip Waddilove
Elenco:Vincent Price, Ian Ogilvy, Rupert Davies, Hilary Heath, Robert Russell, Nicky Henson, Tony Selby, Bernard Kay, Godfrey James

Em pleno período conturbado da Guerra Civil Inglesa (1642-1649), com o conflito entre os partidários do rei Carlos I e o parlamento, comandado por Oliver Cromwell, um rapaz adquiriu uma privilegiada importância no combate à entidades maléficas. Matthew Hopkins (1620-1647) foi um popular caçador de bruxas, tendo o nome relacionado a aproximadamente 300 execuções, entre 1644 e 1646, com o auxílio de John Stearne, atravessando as províncias de Essex, Norfolk, Cambridgeshire, Huntingdonshire, Northamptonshire e Bedfordshire. Com sua passagem registrada pelos exagerados enforcamentos, além de todo conteúdo mantido em registros, o cinema encontraria uma forma de expor suas ações no clássico O Caçador de Bruxas (Witchfinder General, 1968), de Michael Reeves (Sob o Poder da Maldade, 1967).

Para viver o frio algoz a comando extra-oficial do parlamento, foi convidado o lendário astro Vincent Price, cujo currículo nem necessita de maiores apresentações. Ele atravessa as comunidades lentamente com seu cavalo ao lado do parceiro John Stearne (Robert Russell), recebendo uma boa grana pelos julgamentos e execuções. Diferente da trajetória real, ele realiza atos de violência contra os suspeitos, seja furando com a navalha para ver se vertem sangue e sentem dores ou afogando num fosso. Como a inocência é considerada improvável, todos os julgamentos terminam em execuções na forca ou na fogueira, sempre testemunhadas pelos cidadãos agitados.

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Em uma dessas “justiças divinas“, Hopkins é convocado para verificar o comportamento de um padre, John Lowes (Rupert Davies, de Drácula, o Perfil do Diabo, 1968), com seus métodos violentos de costume. Antes de proceder a condenação, ele é assediado pela sobrinha do réu, Sara (a gata Hilary Heath, de O Uivo da Bruxa, 1970), que teme pela sua morte. Hopkins concorda em mantê-lo apenas na cadeia, enquanto faz visitas íntimas à garota todas as noites. No entanto, Sara é noiva do soldado Richard Marshall (Ian Ogilvy, ainda na ativa), que não medirá esforços para se vingar do caçador de bruxas, mesmo a contragosto de seu comandante militar.

Além da presença sempre marcante de Vincent Price, O Caçador de Bruxas possui um enredo interessante de vingança, com um ótimo contexto histórico. Apesar das ações exageradas de Hopkins na busca por pessoas a serviço de Satã, o filme não traz elementos sobrenaturais, deixando evidente a todo momento que o antagonista apenas cometia injustiças por interesses próprios. O Hopkins do enredo de Tom Baker (Sob o Poder da Maldade), além de ser mais velho e experiente, é mais frio e insensível do que sua versão real – como se isso importasse para o espectador, empolgado por mais uma produção marcante de Price.

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Entre as curiosidades que envolvem a produção, vale mencionar a mudança do título oficial nos Estados Unidos de Witchfinder General para The Conqueror Worm numa referência ao clássico poema homônimo de Edgar Allan Poe, publicado em 1843. A mudança serve para relacionar o longa ao ciclo de filmes de Roger Corman baseados em trabalhos de Poe, muitos estrelados por Vincent Price. O Caçador de Bruxas tem muito em comum com O Homem de Palha, estrelado por Christopher Lee, e que também não possui elementos sobrenaturais – ambos os atores tinham um enorme apreço por suas atuações nesses filmes. No caso de Price, seu orgulho também envolve um conflito pessoal com o diretor, que chegou a dizer abertamente que imaginava o papel do antagonista na mão de Donald Pleasence, mas foi forçado a contar com o ator a pedido da produtora AIP.

Um ano após o lançamento do filme, o diretor Michael Reeves, que já trabalhava em O Ataúde do Morto-Vivo (The Oblong Box, 1969), morreu prematuramente por conta de uma overdose. Assim como o personagem de seu filme, Matthew Hopkins, encontrou seu destino antes de completar trinta anos.

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1 Comentário

  1. Rafael Batista

    Vi esse filme em um cinema aqui de Recife.

    Foi uma grata surpresa. Vincent Prince interpreta um dos mais escrotos personagens do horror. Matthew Hopkins é frio, insano, canalha e não mede esforços pra conseguir se dar bem.

    E que espetáculo é essa tal de Hilary Heath, heim? Presença marcante.
    Filmaço!

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