Críticas

Drácula, o Perfil do Diabo (1968)

Terceira aventura do nobre vampiro na pele de Christopher Lee, que volta com toda a pompa e elegância morder pescoços de jovens camponesas!

Drácula, o Perfil do Diabo (1968) (5)

Drácula, o Perfil do Diabo
Original:Dracula Has Risen from the Grave
Ano:1968•País:UK
Direção:Freddie Francis
Roteiro:Anthony Hinds
Produção:Aida Young
Elenco:Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing, Barry Andrews, Ewan Hooper, Marion Mathie, Michael Ripper, John D. Collins, George A. Cooper

Terceira aventura do nobre vampiro na pele de Christopher Lee, que volta com toda a pompa e elegância morder pescoços de jovens camponesas.

Um ano após os acontecimentos de Drácula, o Príncipe das Trevas, os habitantes do vilarejo, que fica no pé da montanha que leva ao castelo do conde, ainda são tomados pelo medo e pela superstição. Os fiéis não frequentam mais a igreja por considerá-la assombrada pela sombra do castelo do vampiro, resultando em missas vazias.

É neste pé que chega a cidade o monsenhor (Rupert Davies), aparentemente encarregado de fiscalizar os padres das paróquias da região. O forasteiro religioso se revolta com o medo instalado na cidade, que afetou inclusive o padre local (Ewan Hooper). O monsenhor então decide exorcizar o castelo de Drácula levando o padre consigo.

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Claro que essa empreitada dos dois clérigos resultará em trapalhada. Após escalar um caminho íngreme, o monsenhor lacra a porta do castelo com uma enorme cruz dourada, porém o padre local acaba sofrendo um acidente e com seu sangue acaba despertando o vampiro de seu sono.
Sem se dar conta da ressurreição do vampiro, nem mesmo do paradeiro do padre, o monsenhor retorna para sua cidade. Enquanto isso, Drácula transforma o padre em servo.

Seria muito fácil o vampiro pedir para seu novo criado que retirasse a cruz da porta, ele entraria em seu castelo, mas com certeza o filme acabaria aí. Por isso Drácula fica indignado com a insolência do monsenhor em lacrar sua moradia, e parte com o padre atrás de vingança.

Como não poderia deixar de faltar, temos a mocinha indefesa, que aqui é Maria (a bela Veronica Carlson, que considera este o seu trabalho favorito na Hammer), nada menos que a sobrinha do monsenhor, portanto uma criatura perfeita para a vingança diabólica do vampiro. No entanto surgirá uma nova pedra no sapato do vampiro, o jovem Paul (Barry Andrews), um atlético funcionário de uma estalagem, namorado de Maria. Curiosamente, em princípio esse jovem herói é ateu, mas terá que rever suas convicções para derrotar o príncipe das trevas.

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Esse filme era para ter sido dirigido novamente pelo mestre Terence Fisher, porém este acabou sofrendo um acidente de trânsito e cadeira de diretor acabou para o usualmente diretor de fotografia Freddie Francis, que inclusive já tinha ganhado um Oscar por Filhos e Amantes, de 1960 (ele ganharia outra estatueta, mais tarde, por Tempo de Glória (1989)), e dirigido uma das melhores e obscuras produções da Hammer: Nightmare (1964).

Também é o primeiro filme da série sem a presença de Jimmy Sangster no roteiro, que acabou sendo escrito pelo produtor Anthony Hinds, assinando com o pseudônimo de John Elder.
Sem o diretor e o roteirista dos primeiros filmes, Drácula, O Perfil do Diabo acabou perdendo um pouco de qualidade. O roteiro é simplório, não que os dos filmes originais fossem mirabolantes ou primores de engenhosidade, mas temos aqui o fiapo de trama mais frágil até o momento, claro que não chega aos pés da apelação e tosquice dos filmes do conde que seriam feitos na década seguinte. Há elementos que o script poderia ter explorado melhor, como o conflito entre o jovem ateu e o veterano monsenhor, e a ambiguidade do padre que vira servo do vampiro, mas isso tudo acaba sendo defenestrado rapidamente.

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Claro que o filme tem todos os elementos que fizeram a fama da franquia: Christopher Lee abusando de seus caninos, mordendo suas vítimas em um clima carregado de sensualidade, sem falar nos closes dos seus olhos injetados de sangue, closes de estacas cravando no peito (que obviamente foram cortados na época e só recuperados na era digital), cenários góticos, sangue vermelho, moças com decotes generosos e propaganda da religião cristã.

Uma coisa que chama a atenção para quem acompanhou os primeiros filmes é que, entre o anterior e esse aqui, houve uma explosão demográfica na região, já que o castelo de Drácula se mantinha afastado do vilarejo, e, ao contrário dos seus antecessores, não há uma única trilha para chegar até a morada do vampiro, senão uma escala íngreme e perigosa. Curioso que os filmes do Drácula, feitos pela Hammer tenham mostrado um cuidado em seguir uma ordem cronológica (isso duraria até o filme posterior, O Sangue de Drácula, para depois se perder completamente), portanto é estranho que tenha tomada essa ‘liberdade geográfica’. Isso sem mencionar inúmeros erros, seja de roteiro, seja de continuidade ao longo da obra.

Obviamente que Francis era um diretor competente, e um fotógrafo melhor ainda (ele foi responsável também por obras como O Homem Elefante e Cabo do Medo, entre outros), mas isso não impediu que ele usasse um recurso esquisito. Nas sequências em que Drácula se encontra em seu esconderijo, na verdade o porão da taverna em que trabalha Paul, as imagens adquirem um tom de vermelho nas laterais, esses filtros na fotografia provavelmente tentam dar um ar surreal e alucinatório a obra, mas acaba não sendo muito feliz, causando mais estranheza do que beleza. Um tipo de experimento que não vingou, e que não se esperaria de um profissional com o currículo de Freddie Francis.

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O filme ainda conta com várias cenas dos personagens perambulando por telhados estilizados, principalmente Maria, já que é o caminho que ela usa para sair de casa, das barras de seu tio carola, e encontrar seu namorado, numa evidente citação ao clássico expressionista O Gabinete do Dr. Caligari.

Há ainda uma boa sequência da jovem taverneira (interpretada por Barbara Ewing) sendo perseguida pela carruagem do conde. A própria Ewing mostra a evolução dos filmes da Hammer, que aqui não se limitam aos decotes, já que a atriz aparece numa cena usando um corpete e cinta-liga (a produtora só apelaria para a nudez explícita na década seguinte, na sua famosa fase decadente).

Apesar de suas falhas evidentes Drácula, O Perfil do Diabo está longe de ser uma bomba, e acabou sendo filme mais rentável do conde para a produtora. Apesar do desgaste evidente, ainda mantém o padrão Hammer. O problema é que os anteriores são clássicos imperdíveis, e não a toa são os melhores da série. Uma boa diversão.

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6 Comentários

  1. Luciana

    O primeiro filme de terror que assisti foi do conde desculpa tenho algumas lembranças porem era muito pequena me lembro que o conde desculpa morreu com uma lança ele estava em um rochedo e logo em seguida caiu um raio na lança não me lembro o nome do filme se alguém que tenha assistido esse filme sabe o nome me fale tenho muita vontade de assistir novamente.Esse filme assisti na TV nos anos de 70 ou 80.

  2. Rafael de Azevedo Irala - Mestre do Espaço

    Veronica Carlson já vale o ingresso, parecendo aquele tipo Princesa. Ela chega até a dormir com uma bonequinha ao lado do travesseiro! parece A esposa dos sonhos.

  3. Rodrigo 1176

    foi exibido varias vezes pelo canal Retro entre 2004 e 2005,infelizmente sem dublagem

  4. Rodrigo 1176

    foi exibido varias vezes pelo canal Retro entre 2004 e 2005 infelizmente sem sua dublaygem

  5. Matheus jardim

    Acho q este foi o único da série não exibido na tv. Vc não estaria confundindo com o sangue de dracula, próximo filme da série?

  6. Anselmo Luiz

    foi exibido varias vezes na TV Aberta na decada de 70 e 80,foi exibido na Rede Tupi e por fim exibido na TVS na suas sessões de filmes de madrugadas intitulado ” Sessão da Meia – Noite ” o filme não é exibido desde de 1984 ,ate hoje eu não encontrei ninguem que o tenha com a dublagem original da extinta ” Herbert Richers “,um bom de terror que já não passa ha anos na TV Aberta.
    alias ! todos os filmes de vampiro de Christopher Lee de Dracula foram dublados neste estudio ja extinto.

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