Críticas

Bong of the Dead (2011)

Bong of the Dead tem tudo para “fazer a cabeça” dos espectadores de filmes de horror mais exigentes (sendo eles caretas ou não)!

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Bong of the Dead
Original:Bong of the Dead
Ano:2011•País:Canadá
Direção:Thomas Newman
Roteiro:Thomas Newman
Produção:Mike Fields, Thomas Newman, Jodi Thomas
Elenco:Simone Bailly, Mark Wynn, Jy Harris, Barry Nerling, Vince Laxton, Cher Staite, Allan Kipling, Scott Fraser, Tony Langhorn, Roy Whyte

Boa parte dos filmes de zumbis versam sobre algum fator político/socio/ecológico de acordo como manda a cartilha do “padrinho dos mortos-vivosGeorge Romero, mas uma porcentagem aperta o botão FODA-SE e parte apenas com o intuito de entreter os fãs do gênero. Como fundamento disso temos como exemplo Shawn of the Dead, Fido, Zombie of Mass Destruction e Zombieland, que liberam a sangreira desmorta com muito bom humor. Mas o que acontece quando este processo é ampliado?

Thomas Newman propôs a fazer isso com o seu Bong of the Dead e foi bem-sucedido em todos os níveis. Bong of the Dead acompanha a trajetória de dois maconheiros após o apocalipse zumbi, e Newman não está usando os zumbis aqui como metáforas socio/políticas para a sociedade. Os zumbis de Newman são apenas isso, zumbis, e eles só querem matar e comer os seres humanos. Não se trata de uma ideia original já que fomos apresentados a filmes com um contexto semelhante como Pot Zombies (2005) por exemplo, mas os zumbis aqui são metáforas para zumbis mesmo e isso por si só é gratificante.

O filme abre com um meteoro caindo dentro do quintal de Victor (Vince Laxton, que ficou bastante parecido com o lutador Hulk Hogan). Victor ignora o lema do manual “o que não fazer quando um meteoro arrebenta seu quintal” e toca o interior da pedra espacial parcialmente quebrada. Horas mais tarde, o velho Victor começa a se transformar. Depois que sua esposa lhe traz o jantar ela descobre que ele tem outras ideias para uma refeição rápida, e, numa cena muito nojenta, assistimos marido e mulher sentados no sofá ao desfrutarem de uma “buchada” quente na frente da TV. Esta é uma cena que você não vai esquecer tão cedo, e, como mencionado, isso é tudo antes dos créditos iniciais do filme!

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Após os créditos, que se parecem com uma velha história em quadrinhos da E.C. que ganha vida, avançamos seis meses no futuro e conhecemos Edwin (Mark Wynn) e Tommy (Jy Harris), dois maconheiros que realmente não parecem muito preocupados em saber que eles estão vivendo no meio de um apocalipse zumbi. Ao contrário de outros filmes onde o governo é completamente inútil, aqui ele conseguiu dar a volta por cima e despejar todos os zumbis em áreas designadas “zonas de perigo“, bem longe das cidades maiores. Isto permite que Edwin e Tommy possam realizar sua paixão de todo o coração … que é fumar maconha. Lotes de maconha. É sério mesmo quando quero dizer um monte de maconha.

Mas nem tudo são flores (ou folhas!) para os nossos heróis. Tommy descobre que o crescimento de ervas daninhas pode destruir seus “bichinhos”, mas Edwin garante que ele tem tudo tratado. Sintetizando um soro de super-crescimento a partir do cérebro de um zumbi morto, Edwin faz a planta crescer na frente neles a um ritmo fantástico e com um tamanho descomunal (sobretudo no tamanho “da brisa” que causa!). O único problema é que não existem zumbis no seu setor. Assim, na grande tradição de Butch Cassidy e Sundance Kid, Bonnie e Clyde, Thelma e Louise e Bill e Ted, os nossos “heróis” decidem pular fora da zona de perigo para arrebanhar alguns cérebros frescos de zumbi. Para estes dois casa, ver a cara de violentos zumbis famintos é melhor do que enfrentar a visão de uma plantação sem futuro, e ainda por cima, caretas.

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Thomas Newman conseguiu realizar um trabalho muito legal com seus personagens. Se você está procurando um filme sério sobre zumbis pode procurar em outro lugar. Bong of the Dead é necessariamente um horror-comédia. Está mais para uma história em quadrinhos com muito humor, mas o horror gore também é demonstrado com a mesma eficiência com que Peter Jackson produziu o seu clássico Fome Animal.

Mas nem só de zumbis apodrecidos e heróis chapadões que o filme é feito. Temos também a participação da deliciosa Simone Bailly (Killer Instinct e Seeking Fear, ambos de 2005), que interpreta a personagem Leah Kroaker. Leah mora sozinha em um bar situado nas “zonas de perigo” e tem acesso a qualquer ferramenta ou armamento e após uma conturbada apresentação, Leah concorda em ajudar os “usuários” a encontrarem alguns zumbis. Outra parte digna de nota é sobre o equipamento Caça-Zumbis criado pela gangue. Lembram-se da cena do filme Fome Animal em que o protagonista entra na festa-zumbi com um cortador de grama? Agora basta multiplicar toda aquela carnificina por 100!

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Além dos nossos heróis, Newman também criou uma subtrama sobre um zumbi chamado Alex que está construindo um exército de mortos-vivos para acabar com os bolsões remanescentes da humanidade e que é brilhantemente interpretado por Barry Nerling. O personagem de Barry Nerling promete arrancar exclamações na mesma violência com que os zumbis arrancam tripas quando decide dar um “upgrade” em seu corpo decomposto…

Para um filme de baixo orçamento tanto os efeitos quanto as maquiagens são impressionantes e prova assim como o nosso clássico Mangue Negro, que nem sempre é preciso ter muito dinheiro para se realizar grandes filmes. Existe até uma cena onde uma mangueira de incêndio pulveriza mais de 800 litros de sangue. Newman é um cineasta talentoso e tem “entregado a sua alma” ao seu projeto por vários anos. O filme custou $ 5.000 e o próprio diretor acabou por ocupar as cadeiras de escritor, compositor, editor, diretor de arte, efeitos especiais e de maquiagem e como um dos produtores.

As únicas coisas negativas que ouvi falar sobre Bong of the Dead foram que a trilha sonora parece conferir uma espécie de sensação dublada e que existem também alguns pontos onde o filme parecia se arrastar um pouco mais do que o necessário e que teria sido mais beneficiado se fizesse mais uma rodada na sala de edição. Fora estes pequenos detalhes Bong of the Dead tem tudo para “fazer a cabeça” dos espectadores de filmes de horror mais exigentes (sendo eles caretas ou não) e a única preocupação seria o fato do surgimento de alguma “larica” por carne humana após o término do filme.

Se você se interessou pelo trabalho de Thomas Newman e quer saber como conseguir seu exemplar de Bong of the Dead recheado de informações e Making Of acesse o site do filme e lembre-se: “THERE WILL BE BUD!!!

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1 Comentário

  1. Humor , muita maconha e Gore em abundância com um orçamento tão baixo , é fato dizer que Thomas Newman fez um milagre .
    ” Bong Of The Dead ” com certeza faz parte da minha coleção !
    ( Destaque para a carnificina no final , assim como no ” Fome Animal ” é INESQUECÍVEL ) !

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