Críticas

The Editor (2014)

Divertido e assustador, Astron-6 presta uma homenagem sincera e imperdível aos gialli!

The Editor (2014) (7)

The Editor
Original:The Editor
Ano:2014•País:Canadá
Direção:Adam Brooks, Matthew Kennedy
Roteiro:Adam Brooks
Produção:Adam Brooks, Matthew Kennedy
Elenco:Paz de la Huerta, Adam Brooks, Matthew Kennedy, Conor Sweeney, Udo Kier, Laurence R. Harvey, Jerry Wasserman, Samantha Hill, Brett Donahue, Tristan Risk

Se você nunca ouviu falar sobre a trupe de atores/cineastas canadenses Astron-6, pare agora o que estiver fazendo e corra atrás de qualquer coisa que eles já fizeram. O grupo é responsável por sátiras bem humoradas e de gosto duvidoso abordando gêneros bem obscuros. Dentre seus maiores sucessos estão Father’s Day – sobre rape and revenge e psycho killers – e Manborg, que tira sarro das inúmeras cópias de Robocop que eram lançadas em VHS nos anos 80 e 90.

Em sua mais recente produção, lançada primeiramente no Festival Internacional de Toronto, a Astron-6 usa como fonte de inspiração os gialli, thrillers italianos lançados entre os anos 60 e metade dos 80, cujos maiores expoentes são cultuados ainda hoje: Mario e Lamberto Bava, Dario Argento, Lucio Fulci, Sergio Martino, entre outros.

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Desta forma os diretores e roteiristas Adam Brooks e Matthew Kennedy acertam na mosca, ou melhor, nas quatro moscas no veludo cinza em The Editor, entregando uma sátira do gênero bem feita, divertida, com méritos próprios sendo a melhor obra que Astron-6 já colocou no circuito. Um filme imperdível e cheio de referências para quem cresceu vendo luvas de couro segurando facas e tramas desnecessariamente densas.

A trama gira em torno de Rey Ciso (o co-diretor Adam Brooks), um editor de filmes lendário, que outrora fora considerado o melhor em seu ofício, mas que foi forçado a ganhar a vida em bagaceiras de terceira classe após perder os dedos em uma previsível tragédia na edição de seu trabalho mais ambicioso.

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Desapontado por ter que usar dedos protéticos de madeira e desta forma atrapalhando até tarefas mais simples, o estúdio onde Rey edita o mais recente filme do arrogante diretor Francesco Mancini (Kevin Anderson) está prestes a virar de ponta cabeça quando, começando com o galã da fita, alguém começa a fazer uma pilha de corpos com o elenco e a equipe.

Todos agem como suspeitos e cabe ao transtornado detetive Peter Porfiry (o outro co-diretor Matthew Kennedy) desvendar o mistério. Seus olhos recaem primeiramente sobre Rey, afinal ele trabalha até tarde, tem frequentes lapsos de memória e todas as vítimas aparecem com seus dedos arrancados, como o próprio editor.

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O que torna The Editor único é que a equipe entrou com os dois pés no universo gialli. Todos os elementos estão lá, devidamente representados e satirizados – do sexismo à dublagem porca em inglês. As referências estão por todos os lados, inclusive citando filmes específicos, como Suspiria (1977), A Casa do Cemitério (1981), Prelúdio para Matar (1975), Murder Rock (1984), New York Ripper (1982) e outros que certamente farão o espectador aficionado assistir novamente para procurar novas referências.

Tenha em mente de que este é um filme de nicho, portanto quanto mais se conhece sobre este gênero – e, evidentemente, goste dele – maior será seu deleite. Os recém-chegados talvez não curtam The Editor em sua plenitude, porém mesmo assim terão oportunidade de ver passagens bem construídas, algumas genuinamente arrepiantes e uma série de cenas surreais e violentas (machadadas, facadas, mutilações a rodo) para satisfazer a sede de sangue de quem assiste.

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O elenco é talentoso e naturalmente engraçado, contando ainda com participações especiais de Udo Kier (Suspiria) interpretando um médico que tem dúvidas sobre a sanidade de Rey Ciso e Laurence R. Harvey (A Centopeia Humana 2 e 3) como o padre que aconselha o detetive Porfiry. A exceção é Paz de La Huerta (Nurse 3-D), esposa de Ray e musa falida do cinema italiano no filme, que entrega uma interpretação atroz, porém tenho minhas dúvidas se a personagem dela era para ser tão irritante e inexpressiva de propósito.

A trilha sonora composta com participação do gabaritado músico brasileiro Claudio Simonetti ajuda a construir o clima setentista com perfeição, os efeitos práticos e os valores de produção tem uma qualidade que nem de longe parecem que foram feitos com apenas US$ 150 mil.

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Mesmo com alguns problemas e ainda que algumas piadas excedam o limite da homenagem para entrar na categoria escatológica sem graça, The Editor salta aos olhos como uma produção feita com amor a um público bem específico, mesmo entre os fãs de horror. Se estiver enquadrado neste seleto grupo, este é o filme do ano para você.

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2 Comentários

  1. Acabei de assistir ” The Editor ” e comprovei que é um bom filme e uma ótima homenagem ao Giallo , mais não pra nota 10 e nem pra ser o filme do ano .
    E na minha opinião não está a altura da pérola ” Father’s Day ” .

  2. Sinceramente eu não sabia desse grupo Astron-6 vou pesquisar o que fizeram , mais o excelente ” Father’s Day ” eu tenho em DVD Importado na minha coleção . Aposto que esse ” The Editor ” deve ser até melhor por homenagear o subgênero Giallo .
    Tenho que assistir ” The Editor ” o mais rápido possível !

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