Críticas

Emanuelle and the Last Cannibals (1977)

Trata-se de uma produção divertida justamente pelos seus exageros, pela insólita maneira de misturar erotismo e violência!

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Emanuelle and the Last Cannibals
Original:Emanuelle e gli ultimi cannibali
Ano:1977•País:Itália
Direção:Joe D'Amato
Roteiro:Joe D'Amato, Romano Scandariato
Produção:Gianfranco Couyoumdjian
Elenco:Laura Gemser, Gabriele Tinti, Nieves Navarro, Donald O'Brien, Percy Hogan, Mónica Zanchi, Annamaria Clementi, Geoffrey Copleston, Dirce Funari, Pierluigi Cervetti, Bona Bono, Maria Gabriella Mezzett

O Último Mundo Canibal, Cannibal Holocaust, A Montanha dos Canibais, Cannibal Ferox, Os Vivos Serão Devorados, Perdidos no Vale dos Dinossauros… Tirando uma que outra reviravolta no enredo ou na estrutura como a história é contada, todos os filmes realizados durante o ciclo italiano sobre canibalismo (entre a metade dos anos 70 e começo da década de 80) tinham o mesmo roteiro: um grupo de pessoas entrava na selva por qualquer motivo e tinha que enfrentar a fúria (e a fome) de uma tribo de canibais.

Deste famoso ciclo, que deixou como legado obras violentíssimas, grosseiras, assustadoras, sensacionalistas e, por que não?, clássicas, um dos títulos mais esquisitos não foi lançado no Brasil. Trata-se de Emanuelle and the Last Cannibals (Emanuelle e os Últimos Canibais, ou Emanuelle e Gli Ultimi Cannibali, na Itália), também conhecido por Trap Them and Kill Them (Prenda-os e Mate-os), e lançado em VHS nos Estados Unidos como Emanuelle´s Amazon Adventure (A Aventura na Amazônia de Emanuelle). O que o torna diferente não é o fato de ser melhor ou mais interessante do que os outros (é pior e chega a ser maçante em alguns momentos), mas sim a curiosidade de unir o pornô softcore da série Black Emanuelle, estrelada pela belíssima atriz negra Laura Gemser, com os sangrentos filmes sobre canibalismo feitos na Itália da época.

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Todos os filmes sobre canibais da época tinham farta dose de sexo implícito (quase sempre cenas de estupro ou sexo selvagem) e nudez, masculina e feminina. Mas Emanuelle and the Last Cannibals extrapola este conceito – e também todos os limites do “bom gosto” e da “decência“. Se não tivesse o gore, o sangue e as tripas, poderia muito bem passar no Cine Privê da Bandeirantes, já que a cada 10 minutos um casal do filme (seja homem/mulher ou mulher/mulher) dá um jeito de sair para transar, mesmo quando estão no meio da selva, cercados por canibais. Some a isso o fato das mulheres da trama (especialmente Laura Gemser) permanecerem vestidas por menos de 25 dos 90 minutos de projeção, e terá aí um pornô softcore ultraviolento para rivalizar com produções bizarras, tipo o Calígula de Tinto Brass.

O “cabeça” por trás desta insólita mistura de gêneros não é Umberto Lenzi nem Ruggero Deodato, os “papas” do ciclo sobre canibalismo. Acontece que quando as produtoras italianas da época perceberam que o filão canibalístico estava dando retorno, e que os filmes eram facílimos de fazer (bastava entrar na selva, filmar umas cenas reais de matança de animais, uma sangreira aqui e ali, e pronto), todos os cineastas tentaram tirar sua casquinha deste sub-gênero. Sergio Martino lançou A Montanha dos Canibais, Jess Franco fez o pavoroso Man Hunter, Antonio Margheritti lançou seu Cannibal Apocalypse, Michele Massimo Tarantini o clássico Perdidos no Vale dos Dinossauros, e coube ao rei da picaretagem italiana realizar Emanuelle and the Last Cannibals. É claro que estamos falando de Joe D´Amato.

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Meu amigo, se você nunca ouviu falar em Joe D´Amato, então seja bem-vindo ao planeta Terra (como estava a sua vida em Marte?). Só mesmo a morte, na forma de um ataque do coração em 1999, para parar o incansável D´Amato, que na sua longa carreira dirigiu 173 filmes, foi operador de câmera em 116 (inclusive obras de outros, como O Anticristo, de Alberto de Martino), escreveu 42 roteiros e produziu 21 filmes – inclusive O Pássaro Sangrento, de Michele Soavi, e Ghost House, de Umberto Lenzi.

Você certamente já viu um filme de Joe D´Amato, só não sabe disso. Acontece que o homem, picaretão que só ele, usava 47 PSEUDÔNIMOS DIFERENTES, um tipo para cada gênero (em filmes pornôs usava um nome, em faroestes outro, em filmes de ação outro, como produtor usava mais um, como roteirista mais outro, e assim por diante. E aí estão desde nomes que dão na cara, como John De Mato (hahahaha), até gozações como Arizona Massachussetts (nomes de dois Estados americanos), Kevin Mancuso, Donna Aubert, Sarah Asproon, Alexandre Borski, Chang Lee Sun (!!!) e Fred Slonisko! Mas o nome falso mais popular era David Hills, com o qual ele assinou porcarias, como Frankenstein 2000: O Retorno da Morte (lançado no Brasil). Ironicamente, Joe D´Amato, o nome pelo qual é conhecido, também é um pseudônimo: o nome de batismo da criatura é Aristide Massaccesi!

Durante sua carreira, D´Amato fez muitos pornôs (inclusive alguns com o garanhão italiano Rocco Sifredi), filmes de horror (o violentíssimo Antropophagous, Buio Omega), aventuras medievais (a trilogia Ator, A Águia Guerreira, é dele), aventuras pós-apocalípticas (Eng Games, 2020 Texas Gladiators), dramas sensacionalistas (Calígula: A História que Não Foi Contada), enfim, tudo que estivesse dando dinheiro naquele momento. Ah sim: e ele sempre fez questão de confessar que seu filme preferido era Os Caçadores da Arca Perdida!

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Mas foi na exótica e pervertida mistura de sexo, violência e horror que o cineasta atingiu o ápice da sua carreira. Fez coisas inacreditáveis como Erotic Nights of the Living Dead (As Noites Eróticas dos Mortos-vivos!!!), Porno Holocaust (em parceria com Bruno Mattei!!!), Black Cobra (inacreditável suspense erótico onde um sujeito tem uma cobra enfiada no ânus) e o violentíssimo Emanuelle na América, onde sua heroína negra envolve-se com uma quadrilha que produz snuff movies. Emanuelle and the Last Cannibals pertence a essa linha.

Em uma entrevista ao site Project A, pouco antes de morrer, D´Amato foi questionado do porquê de misturar tantos gêneros em seus filmes. Com a palavra, o falecido cineasta: “Sim, eu tentei misturar terror com sexo, mas nem sempre dá um bom resultado. Para mim, sexo é sexo, terror é terror e comédia é comédia. É quase impossível misturar bem estes temas. Se você quer ver um filme de terror com um pouco de sexo, tudo bem. Mas comédia com sexo não é legal, porque você vai ficar rindo e não vai ver o sexo ou sentir o sexo como deveria“.

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Dentro desta linha, Emanuelle and the Last Cannibals está longe de ser bom, com péssimas interpretações, efeitos baratos, um roteiro ridículo e pouco cuidado com a produção (os atores que interpretam os canibais, por exemplo, parecem tudo, menos índios!).

Mesmo assim, trata-se de uma produção divertida justamente pelos seus exageros, pela insólita maneira de misturar erotismo e violência e pelo aspecto geral de comédia que o filme ganha, se você parar de prestar atenção na matança e começar a analisar o espetáculo friamente (tudo é muito falso, fácil e ridículo!).

Emanuelle and the Last Cannibals, realizado em 1977, não perde tempo delineando seus personagens ou enrolando o espectador. Começa numa instituição para doentes mentais, onde a jornalista Emanuelle está se fazendo passar por interna para escrever uma reportagem, sempre segurando uma boneca cujos olhos são uma câmera fotográfica. Já aos três minutos de filme, começa a sangreira: gritos deixam todo o hospital em pânico e uma enfermeira seminua aparece cambaleando, com um de seus seios arrancados, jorrando sangue. A culpada é uma das internas, que está sentada no chão do seu quarto comendo o ensanguentado pedaço de seio arrancado! Violenta, ela precisa ser contida pelos médicos e é colocada numa camisa de força.

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À noite, a jornalista vai tentar um diálogo com a garota. Para acalmá-la, adivinhem o que Emanuelle faz? Não adianta tentar adivinhar: ela começa a masturbar a menina, até perceber uma estranha tatuagem na sua virilha. Fotografa o desenho e volta ao seu jornal.

Logo ela e o espectador ficam sabendo que a garota foi resgatada na Floresta Amazônia (óbvio, onde mais teria canibais no mundo?) e ficou maluca por motivos desconhecidos. A tatuagem é o símbolo da misteriosa tribo tupinambá, aparentemente uma tribo de canibais (logicamente).

Não me perguntem porque, mas Emanuelle fica fascinada por canibalismo e vai procurar um especialista no assunto, o dr. Mark Lester (Gabriele Tinti, que era marido de Laura Gemser e foi seu par em dezenas de filmes, até morrer em 1991). Novamente, a melhor forma de convencer o explorador a uma viagem até a Amazônia é trepar com ele, quando D´Amato brinda o espectador com dezenas de posições do Kama Sutra (tudo softcore, ou seja, sem sexo explícito, apenas simulação).

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Depois de uma noite de sexo ardente, Lester mostra para Emanuelle um filme supostamente verídico mostrando uma tribo de canibais torturando e matando dois prisioneiros, inclusive com a clássica cena de castração. É quando a moça pergunta: “Quer liderar uma expedição à Amazônia patrocinada pelo meu jornal?“. Apesar das óbvias dificuldades e do planejamento necessário para uma viagem do tipo, o doutor apenas diz que sim e no dia seguinte eles já estão partindo para o Brasil! Como tudo é fácil nos filmes!

Antes, porém, a jornalista vai se despedir do seu namorado, e aí pode acrescentar mais uma cena de sexo simulado para a lista, esta ao ar livre. E também um diálogo ridículo: quando a moça diz que vai para a Amazônia fazer uma reportagem sobre canibalismo, o rapaz comenta: “Emanuelle, você é louca“. E ela responde: “Talvez eu seja, mas agora eu quero trepar!“. hahahahaha

A primeira parada na Amazônia é na casa do Professor Wilkes (Geoffrey Copleston), amigo de Lester e a pessoa que encontrou a garota do sanatório. Ele dá mais algumas explicações sobre os tupinambás, absolutamente dispensáveis para a história, e apresenta ao casal sua filha adolescente Isabelle (a suíça Monica Zanchi). A garota também ia fazer uma viagem ao interior da selva (vê se pode!!!), para acompanhar uma freira, a Irmã Angela (Ana Maria Clementi), à sua missão religiosa. Por isso, eles resolvem ir todos juntos.

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Claro que antes da viagem, na madrugada, Emanuelle e Lester vão se atracar mais uma vez entre os lençóis. A diferença é que Isabelle assiste tudo por trás da porta e se masturba. O que isso tem a ver com a história? Absolutamente nada. Mas relaxe e aproveite, meu filho!

Finalmente sai a expedição. Sempre me pergunto porque, nos filmes, as expedições para a Amazônia são minúsculas, com poucos guias e nativos (talvez para economizar em extras), quando todos sabemos que as verdadeiras expedições levam dezenas de pessoas, equipamentos, armas, comida, etc. etc. Mas a “expedição” de Emannuelle leva apenas dois nativos, dois botes e alguns poucos viveres.

No caminho pelo rio, D´Amato usa várias cenas de arquivo de jacarés e serpentes, convenientemente costuradas à edição. Ao contrário de outros filmes italianos do gênero, este não tem cenas de animais se banqueteando nem de pessoas matando bichos.

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Quando finalmente o grupo pisa em terra firme, uma enorme serpente tenta sufocar Emanuelle, sem que ninguém do seu grupo seja capaz de ajudá-la. É quando surge o aventureiro Donald McKenzie (o malucão Donald O´Brien, que quase sempre faz papel de vilão), mata a cobra, mostra o pau e leva o grupo ao seu acampamento, onde temos muitos nativos seminus e de porte atlético (lembre-se, além de filme de horror, este é um pornô softcore) e a esposa do homem, Maggie (a bonita espanhola Susan Scott, cujo verdadeiro nome é Nieves Navarro). Ali, descobrem que os canibais são uma ameaça maior do que se pensava, e que eles dizimaram a missão religiosa para onde a Irmã Angela estava indo.

Não demora para os canibais entrarem em cena. D´Amato reduz custos de uma forma interessante: ao invés de mostrar dezenas de extras vestidos como índios e perambulando pelo cenário, ele coloca a câmera como a visão em primeira pessoa dos canibais, aproximando-se assustadoramente do acampamento (em cenas que lembram a força demoníaca de Evil Dead, onde a câmera “voa” pela floresta).

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Os personagens secundários (nativos, guias) são os primeiros a morrer, sempre off-screen. Até que a pobre religiosa é a primeira vítima. D´Amato não poupa em crueldade no trágico fim da moça: amarrada a uma árvore, primeiro ela tem suas roupas rasgadas pelos nativos; depois, numa citação a uma cena clássica de Emanuelle na América (também de D´Amato), um dos canibais corta o bico de um dos seios da vítima e come na sua frente; por fim, seu peito é aberto do pescoço até a barriga e suas vísceras são retiradas para uma rápida refeição.

Paralelamente, descobrimos que o casamento de Donald e Maggie não vai muito bem, quando a fogosa mulher se masturba olhando um dos nativos do acampamento e depois o acompanha até o meio da selva para uma sessão de sexo oral e anal (eu não disse que os caras transavam até no meio da selva, cercados por canibais?). Donald descobre e dá um esporro na mulher: “Você tinha prometido que não ia mais fazer isso!“. E ela: “Mas fiz… Quem manda você ser impotente?”. hahahaha. Beleza. Cercados por canibais e às voltas com uma briguinha doméstica! Enfurecido, Donald vai acariciar as nádegas de Isabelle, que dorme seminua (claro), o que provoca um atrito entre ele e Lester.

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Logo o grupo resolve deixar o acampamento. É quando descobrimos que Donald e Maggie tem segundas intenções (algo relacionado a diamantes). Mas isso não faz diferença. Logo todos cairão nas garras dos canibais, e aí vai ser um Deus nos acuda, com a tradicional dose de violência bestial, comum nestes filmes.

Não vou falar quem morre e quem vive (mas não precisa ter dois neurônios para adivinhar). Entretanto, é preciso comentar as duas mortes mais interessantes de Trap Them and Kill Them, que fazem ter valido a pena aguentar os 90 minutos de projeção. Uma das mulheres do grupo, aprisionada, é esfaqueada na vagina, enquanto o canibal coloca a mão lá dentro e arranca fora seus ovários, que dá para os amigos comerem! Outra: um homem é amarrado entre duas estacas e os nativos enroscam um arame ou algo semelhante na sua cintura. Depois, dividem-se em dois grupos e fazem cabo de guerra, puxando cada ponta do arame até partir a vítima pela metade (a cena do cara cortado provoca ao mesmo tempo repulsa e riso, graças à criativa maneira usada por D´Amato para fazer o espectador acreditar que o ator está pela metade, sem gastar muito com efeitos especiais).

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Resumindo bem resumidamente, o negócio é o seguinte: trata-se de um filme beeeeeem picareta onde os personagens vão para o meio da selva sem um objetivo lá muito nobre, fazem muitoooooo sexo até serem aprisionados e mortos. E é só isso. A história é mero pretexto para, a cada dez minutos, exibir cenas de sexo simulado, mulher pelada (inclusive o tradicional banho de rio) e violência. O roteiro é assinado por D´Amato e Romano Scandariato (que também roteirizou outra picaretagem italiana, Doctor Butcher M.D., mistura de filme de zumbis e canibais dirigida por Marino Girolami).

Mas o mais surpreendente é constatar o nome de Fabrizio de Angelis como responsável pelos efeitos especiais. Ele não tinha nenhuma experiência na área (e não teve mais nenhuma depois dessa), sendo mais conhecido como produtor e diretor da trilogia Thunder (aquela cópia de Rambo com um índio como herói, lembra?). A maquiagem de Emanuelle and the Last Cannibals é assinada por Fabrizio Sforza, que trabalhou com Lucio Fulci em Luca, O Contrabandista e atualmente está fazendo “make-up” em superproduções americanas, como Falcão Negro em Perigo, Hannibal e O Paciente Inglês. Ao lado de nomes como Gianetto de Rossi e Sergio Stivaletti, é mais um talento europeu injustamente obscuro em território americano, onde a imprensa especializada prefere endeusar Tom Savini, Stan Winston, Screaming Mad George e outros “ianques“.

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Quem for ver a fita esperando surpresas, reviravoltas no roteiro, um final decente, sustos, vai se decepcionar. Emanuelle and the Last Cannibals é trivial, é um filme que entrega um “prato feito” a uma espécie de espectador que quer justamente aquilo (sangue e sexo), e nada mais. Não quer pensar muito nem quer que compliquem demais a história. É sensacionalista, sim. Até a medula. E acabou! Quem não gosta, que passe longe.

Entre os filmes de canibais da época, este é um dos que eu considero mais fracos. Mesmo assim, o filme diverte e até provoca algumas risadas – desde que, volto a frisar, você seja um admirador desse tipo de picaretagem, ou então um interessado em conhecer filmes de horror alternativos. Agora, se sua praia é o horror teen tipo Pânico, passe longe.

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Para os brasileiros, Emanuelle and the Last Cannibals é mais um dos filmes italianos da época esperando para serem lançados em vídeo e DVD, ao lado de muitos outros títulos bem mais importantes.

E reparem ainda numa última curiosidade: era comum que os filmes italianos ganhassem vários títulos diferentes, muitos enganosos, para atrair diversos tipos de espectador. Nights of Terror, de Andrea Bianchi, chegou a ser lançado como Zombie 3 nos Estados Unidos, por exemplo. Entretanto, os nomes picaretas eram usados apenas na capinha do VHS/DVD… Quando o espectador colocasse o filme para rolar, os créditos de abertura teriam o título original (no caso citado, Nights of Terror), conscientizando o cara que estava assistindo de que ele tinha comprado gato por lebre.

Agora, este filme de D´Amato é um dos poucos casos que eu conheço de filme que não só tem dois títulos diferentes, como ainda têm dois créditos de abertura diferentes (usando os dois títulos), sendo Trap Them and Kill Them usado para atrair os fãs de filmes de canibais e Emanuelle and the Last Cannibals para chamar a atenção dos fãs de erotismo e pornografia. Realmente, picaretagem pouca é bobagem!

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Curiosidades

– Como todos os filmes sobre canibalismo da época, Emanuelle and the Last Cannibals também tem um ar de cinema verdade e tenta enganar o espectador, fazendo ele acreditar que está vendo uma história real. Tanto que, no início, aparece a mensagem: “Esta é uma história real testemunhada por Jennifer O´Sullivan“.- No final, os produtores agradecem a ajuda dos moradores da vila de Tapurucuara, que fica no Amazonas, em território brasileiro!

Emanuelle and the Last Cannibals, miraculosamente, foi exibido na televisão nos Estados Unidos! Claro que para isso foi necessário cortar ou editar boa parte das cenas de sexo e violência, tanto que nem ficava bem claro a forma como o casal McKenzie era eliminado pelos canibais.

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– Os produtores aproveitaram várias cenas de Laura Gemser caminhando pelas ruas de Nova York e entrando em táxis em outros dois filmes da série Emanuelle, apenas dublando os novos diálogos por cima!

Laura Gemser, eternamente conhecida como “Black Emanuelle“, nasceu em Java, na Indonésia, e interpretou a jornalista ninfomaníaca Emanuelle em mais de 20 filmes, boa parte deles dirigido por Joe D´Amato, sempre com cenas softcore (nada de sexo explícito). Alguns títulos curiosos: Emanuelle in Bangkok (1976), Emanuelle Goes Japanese (1976), Emanuelle on Taboo Island (1976), Emanuelle and the Porno Nights (1977) e até Emanuelle Reports from a Women´s Prison (1983), explorando um sub-gênero tradicional na época (sexo e violência em presídio feminino), e com direção do ignóbil Bruno Mattei! Seu nome verdadeiro era Laurette Marcia Gemser, e ela foi casada com o ator Gabriele Tinti (com quem transava na maioria dos filmes) durante 1976 e 1991, quando o ator faleceu.

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– Em nem todos estes filmes, entretanto, Laura Gemser interpretava uma personagem chamada “Emanuelle“. O título foi usado para enganar os trouxas, faturando em cima da fama de Miss Gemser. Emanuelle goes Japanese, por exemplo, era chamado originalmente de Black Cobra, e a personagem de Laura se chama “Eva“.

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