Críticas

O Dom da Premonição (2000)

Raimi à vontade para explorar o medo na visão flutuante dos galhos secos como braços segurando um cadáver seminu!

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O Dom da Premonição
Original:The Gift
Ano:2000•País:EUA
Direção:Sam Raimi
Roteiro:Billy Bob Thornton, Tom Epperson
Produção:James Jacks, Gary Lucchesi, Tom Rosenberg
Elenco:Cate Blanchett, Katie Holmes, Keanu Reeves, Giovanni Ribisi, Greg Kinnear, Hilary Swank, Michael Jeter, Kim Dickens, Gary Cole

Dentro da mata! Esse é o território particular, o habitat natural do cineasta Sam Raimi. Foi nesse ambiente verde que ele iniciou sua caminhada pelo gênero que o colocou em evidência, lá no final da década de 70. Bem que ele testou desviar, com os movimentos do demônio da floresta, por outros gêneros como a comédia, o western e o drama, mas foi o horror que o destacou no início do novo milênio, antes dele se envolver com a trilogia do cabeça de teia. O Dom da Premonição fez um relativo sucesso na época, com a bilheteria superando seus gastos, e boa parte da crítica elogiando a condução acertada do diretor no campo dos arrepios. Se o comando e ambientação são adequados, deixando Raimi à vontade para explorar o medo na visão flutuante dos galhos secos como braços segurando um cadáver seminu, por outro lado o drama em excesso e a construção de inúmeros subplots não permitiram que a produção pudesse figurar entre os destaques do estilo.

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O enredo traz uma mãe solteira, a talentosa é futura ganhadora do Oscar Cate Blanchett, às voltas com um misterioso desaparecimento. Viúva, com três filhos para sustentar, Annie Wilson ganha a vida com a leitura de cartas para os habitantes simples de uma pequena cidade americana, aconselhando a agir com destreza nas mais conflitantes situações. Uma de suas clientes é a apaixonada e surrada Valerie Barksdale (Hilary Swank, apanhando antes de ganhar prêmios com seu papel em Menina de Ouro, 2004), que resiste contra as ações de seu violento marido Donnie (Keanu Reeves); também o perturbado Buddy Cole (Giovanni Ribisi), com um problema que não compreende envolvendo a relação com o pai e a imagem de um diamante.

Quando a promíscua Jessica King (Katie Holmes, em sua melhor forma física) desaparece, a vidente é chamada para auxiliar na busca por respostas para aliviar o desespero de seu namorado Wayne Collins (Greg Kinnear). Annie conduz o incrédulo xerife Pearl Johnson (J.K. Simmons) a um lago, nas proximidades da morada de Donnie, onde o corpo parece jazir, iniciando um julgamento dramático, com o dom da vidente sendo colocando à prova. Entre visões assustadoras e ameaças, ela se vê num cadafalso à medida que as investigações a aproximam do responsável.

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Avaliando apenas o lado técnico – como trilha sonora, direção, fotografia e atuações -, O Dom da Premonição faz bonito, com cenas belíssimas noturnas às margens de um lago frio. Contudo, o enredo de Tom Epperson e Billy Bob Thornton – este vencedor do Oscar por Na Corda Bamba, e que diz ter se inspirado na própria mãe, vidente – apresenta inúmeros conflitos, como na aparição fantasmagórica da avó de Annie (Rosemary Harris, antes de ser Tia May), e muitos personagens, não sabendo se pende para o drama ou para o horror psicológico.

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Também pesa contra o final simples, após construir toda uma narrativa que envolveu o espectador na espera por uma solução mais tensa. Ainda assim, o elenco afinado – com destaque para o convincente Keanu Reeves – e a ambientação acertada provam que Raimi parece estar à vontade em casa, local de onde nunca deveria ter se afastado.

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