Críticas

Seed 2 – A Nova Geração (2014)

Ninguém pediu para ele voltar, mas ainda assim ninguém esperava que conseguisse ser pior do que o original!

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Seed 2 - A Nova Geração
Original:Seed 2 / Blood Valley: Seed's Revenge
Ano:2014•País:Alemanha, EUA
Direção:Marcel Walz
Roteiro:Marcel Walz
Produção:Marcel Walz, Yazid Benfeghoul, Uwe Boll
Elenco:Natalie Scheetz, Christa Campbell, Caroline Williams, Annika Strauss, Nick Principe

“Sabe um filme que eu acho muito bom… Aquele do Uwe Boll, Seed”

“Puta filme, cara! Sobre um assassino condenado a pena de morte que não morre na execução, é enterrado e volta procurando vingança.”

“Pois é, mas já faz 8 anos. Será que não vai rolar alguma continuação?”

“E não é que anunciaram que vai ter uma mesmo? Li lá no Boca do Inferno!”

“Nossa cara, tô doido para ver!”

O diálogo acima é fictício e jamais aconteceria entre pessoas com mais de dois neurônios. Das pouquíssimas pessoas que gostaram de Seed – sem contar os parentes dos envolvidos – nenhuma delas se importaria que alguém fizesse uma continuação… Mas fizeram mesmo assim, agora com Boll somente na cadeira de produtor, e pior, acabou de sair em DVD pela Flashstar com o título Seed 2 – A Nova Geração (talvez para ficar parecido com Sexta-feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo)… E Cristo que me perdoe por dizer isto, mas como eu sinto falta de Boll neste filme!

Quem comete tal atrocidade é um conterrâneo de Boll chamado Marcel Walz, que assina como diretor, roteirista e produtor. E ao situar seu novo filme no deserto e agregar uma “família” ao assassino, deve ter pensado que poderia fazer algo na linha de Quadrilha de Sádicos ou mesmo O Massacre da Serra Elétrica 2, só que o resultado é tão tosco, tão horrendo e incoerente que só é comparável em ruindade com A Besta de Yucca Flats (e ainda pode ser considerado um elogio).

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Caso alguém se interesse, a história acompanha quatro garotas que estão saindo de Las Vegas após participarem de uma despedida de solteira com uma delas. De ressaca e pouco se lembrando da noite anterior, poderiam ter esquecido uma delas na laje de um cassino e teríamos uma versão feminina de Se Beber não Case, contudo o que acontece é que resolvem voltar a Chicago por um caminho diferente do de ida e acabam tendo que passar no meio do deserto.

E aí você até já sabe o que acontece… Vira uma festa estranha com gente esquisita. As garotas são abordadas não por apenas um, mas DOIS caroneiros que na verdade são membros psicóticos da “família” de Seed, cujo único objetivo aparente é perseguir e matar. Também tem uma história secundária sobre uma das garotas esconder um segredo das demais e um fundo religioso que une os membros da “família” (um culto extremista, tipo Charles Manson), mas francamente, com 30% da minha capacidade cerebral comprometida por conta do que tinha visto até então, já nem estava prestando atenção direito.

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Se fosse somente o roteiro pífio, o trabalho de câmera obtuso e a baixa qualidade dos efeitos especiais, seria apenas um DVD a se ignorar… 78 minutos de vida perdidos, sem danos maiores. Porém existem algumas características recorrentes em Seed 2 que são tão irritantes que chegam a provocar dores de cabeça.

A principal delas é o uso indiscriminado de flashbacks. Para ter uma ideia o filme já começa do clímax no deserto com Seed mandando ver, depois volta para a história pregressa em Las Vegas, avança para as garotas dirigindo no meio do deserto e pegando o primeiro caroneiro, volta novamente para quando elas decidem tomar o caminho do deserto, avança para uma perseguição entre duas garotas e um membro da família, volta para uma cena que se passa ANTES da viagem a Las Vegas e por aí vai.

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E esta forma de contar a história fora de ordem acontece sem qualquer sutileza: são colocadas como cortes simples entre as cenas. Ou seja, uma hora você vê o bucho de um personagem sendo rasgado por um facão e na tomada seguinte a pessoa está andando como se nada tivesse acontecido. É aí que você percebe que está vendo, na verdade, um flashback… Se você achou A Origem confuso e difícil de acompanhar por conta das diferentes linhas temporais, espere até ver o que se passa por aqui.

Além disto, nossas “scream queens” são incapazes de mostrar um pingo de medo e muitas vezes sequer gritam quando são abordadas por seus algozes. Não obstante, ainda protagonizam um dos maiores erros de continuidade que vi nos últimos tempos: em uma cena, Seed usa de martelo e algumas talhadeiras para “crucificar” uma das garotas no solo árido. Esta talhadeira atravessa OS DOIS PÉS desta garota (que, por sinal, só geme como se tivesse uma farpa enfiada no dedo). Pois bem, com a ajuda de outro personagem ela consegue fugir… E CONSEGUE ATÉ SAIR CORRENDO! Fora que todo efeito sonoro de morte no filme parece alguém pisando de bota em um atoleiro, mas comparativamente esse é até um crime de menor monta.

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Curioso é que apesar das péssimas atuações, existem alguns nomes relativamente conhecidos em Seed 2. Uma das garotas do grupo de vítimas é Christa Campbell de Dia dos Mortos, que está mais assustadora que Seed de tanto botox que ela usou; e o próprio papel título é interpretado por Nick Principe de Laid to Rest e sua continuação, Chromeskull 2: Não Descanse em Paz. Seguro dizer que ele é o melhorzinho no elenco.

O nome mais notório certamente é o de Caroline Williams, aqui fazendo uma falsa policial que na verdade é membro da gangue de Seed. Coincidência ou não, Williams faz o oposto de seu filme mais famoso, quando foi perseguida pela família Sawyer (inclusive por um xerife, interpretado por Dennis Hopper) em O Massacre da Serra Elétrica 2 de 1986. Em Seed 2 a atriz usa óculos enormes e junto com closes desnecessários e seu cabelo cobrindo o rosto por causa do vento, estranhamente lembra Michael Jackson.

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Em suma, acho que consegui estabelecer que Seed 2 não é só uma produção deplorável, como também um perigo à saúde pública. A menos que esteja amarrado, amordaçado e alguém te force as pálpebras para manter os olhos abertos, não assista.

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5 Comentários

  1. Hierofante1970

    O que dizer sobre essa obra prima da sétima arte que o nosso amigo Gabriel Paixão já não escreveu, só posso dar a ele os parabéns por conseguir assistir a isso sem perder a razão e não sair querendo botar fogo em tudo ou mesmo não ter desejado arrancar os próprios olhos, pois ele já fez a critica do primeiro Seed, ou seja assistiu e agora só posso escrever que ele é mesmo um HERÓI. Abraços e excelente texto.

  2. thallysom limah

    filme ruim da poora doido quebrei foi ele

  3. JAILSON

    Excelente crítica e senso de humor!

  4. jocymar

    Vergonha alheia foi pouco quando vi essa “pérola”. Nossa, quanto mau gosto!

  5. Assisti a 15 minutos desse filme e não aguentei, desisti pensando que fosse algum filme feito por universitários, nas cochas e com um orçamento na casa das centenas de dólares, mas agora ao saber que foi feito por “profissionais” fico ainda mais enojado. Acredito que até dá pra ver uns filmes tosqueiras de terror apenas pra passar o tempo e “apreciar” a violência gráfica, mas no caso desse filme era muito mal feito.

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