Críticas

Zombie Holocaust (1980)

É um perfeito retrato de uma época que não volta mais e de um cinema que dificilmente retornará algum dia: o cinema italiano dos anos 80!

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Zombie Holocaust
Original:Zombi Holocaust
Ano:1980•País:Itália
Direção:Marino Girolami
Roteiro:Fabrizio De Angelis, Walter Patriarca, Romano Scandariato
Produção:Gianfranco Couyoumdjian, Fabrizio De Angelis, Terry Levene
Elenco:Ian McCulloch, Alexandra Delli Colli, Sherry Buchanan, Peter O'Neal, Donald O'Brien, Dakkar, Walter Patriarca, Linda Fumis, Roberto Resra, Franco Ukmar, Giovanni Ukmar, Angelo Ragusa

As duas criaturas mais mortais do universo em um único filme!“. Quando você leu esta frase, aposto que pensou direto nos recentes Freddy vs Jason ou Alien Vs Predador, certo? Mas esqueça estas baboseiras. O encontro insólito a que me refiro foi filmado na Itália em 1980 e se chama Zombie Holocaust. Trata-se de uma aventura sangrenta que mistura os dois maiores vilões dos filmes de horror italianos do período: mortos-vivos e tribos canibais!

Os zumbis estavam em alta após o sucesso dos filmes de George A. Romero (principalmente Dawn of the Dead, de 1978) na Europa. Lucio Fulci tinha lançado o clássico Zombie em 1979 e outros diretores passaram a investir no filão. Já o subgênero “canibais” é anterior, do início dos anos 70, quando Umberto Lenzi fez Deep River Savages, seguido por Ultimo Mondo Cannibale e o clássico Cannibal Holocaust, ambos dirigidos por Ruggero Deodato.

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Se o filme tivesse zumbis ou canibais, uma coisa era certa: o espectador podia esperar muito sangue, tripas e mulher pelada, como cabia às boas produções “exploitation” do período. Então, no ano de 1980, com o sucesso de Cannibal Holocaust e Zombie no ano anterior, algum gênio teve uma ideia fantástica: “E se juntássemos canibais e zumbis NUM MESMO FILME???“. O resultado é Zombie Holocaust, sério candidato ao título de filme mais sangrento de todos os tempos, ao lado de Fome Animal e Evil Dead. Na verdade, é tão sangrento que perde a chance de ser chocante, já que o espectador começa a dar risada dos exageros – e os efeitos especiais baratíssimos forçam mais gargalhadas do que comoção. Isso, claro, se você for iniciado no ramo. Vá assistir com sua namorada par ver o que acontece!

Zombie Holocaust foi escrito pelo produtor Fabrizio De Angelis (que também produziu o Zombie, de Fulci), com a colaboração de Walter Patriarca e Romano Scandariato. Este último tem conhecimento de causa, pois foi roteirista também em Emanuelle and the Last Cannibals, feito em 1977 por Joe D´Amato. Já a direção do espetáculo ficou a cargo de Marino Girolami, mais conhecido como pai do também cineasta Enzo G. (Girolami) Castellari, um dos mestres do cinema de ação italiano. Ironicamente, era para Enzo ter dirigido Zombie ao invés de Lucio Fulci! E, assim como Fulci, Marino foi um estudante de Medicina que abandonou a faculdade para fazer cinema – o que talvez explique as detalhadas cenas de autópsias e cirurgias em Zombie Holocaust. O diretor assina com o pseudônimo “Frank Martin“. Ele faleceu em 1994.

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A trama, obviamente, não tem pé nem cabeça, e é uma mera desculpa para colocar um grupo de seres humanos “normais” em meio a uma batalha campal entre zumbis e canibais numa ilha deserta – semelhante ao que Hollywood faria 20 anos depois em Freddy Vs Jason e Alien Vs Predador. Mas nem mortos-vivos, nem antropófagos são os vilões da trama: o grande malvadão é um médico maluco que faz experiências com seres humanos na ilha, buscando a vida eterna (lógico), e dando origem a um batalhão de mortos-vivos.

Não é preciso ser muito genial para perceber que Zombie Holocaust é uma espécie de bolo, que leva na receita muitas colheres do Zombie de Fulci, algumas xícaras de Cannibal Holocaust e uma pitada de A Ilha do Dr.Moreau. Abusando da sangreira e das cenas grosseiras de mutilações, é um dos melhores exemplos do “cinema açougue” do período, onde era comum usar entranhas de animais mortos e efeitos bem sangrentos na tentativa de chocar o público. O resultado é um “gorefest” que nos faz esquecer qualquer bobagem made in USA sobre médicos assassinos, tipo o ridículo Dr. Giggles.

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O filme começa em Nova York, onde uma misteriosa figura adentra o necrotério de um grande hospital, calmamente retira um facão de uma maleta e decepa a mão de um cadáver, depois acondicionada tranquilamente num saco plástico e guardada na maleta, que o mutilador anônimo leva embora, deixando para trás o cadáver agora aleijado. No dia seguinte, numa aula de anatomia, a dra. Lori Ridgeway (interpretada pela deliciosa Alexandra Delli Colli, de New York Ripper e Perdidos no Vale dos Dinossauros, que aparece pelada na maior parte do filme) descobre horrorizada o sumiço da mão do presunto. Outras mutilações acontecem nos dias seguintes, até que Susan (Sherry Buchanan, que interpretou Belle Star no picareta Star Crash 2), uma jornalista amiga de Lori, sugere que o responsável pelo roubo de órgãos pode ser alguém de dentro do hospital.

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A médica e seu colega, o professor Strafford (interpretado pelo roteirista Walter Patriarca), armam uma cilada e pegam um enfermeiro de origem indígena (óbvio) no necrotério, literalmente com a boca na botija, ou melhor, em um coração recém extirpado de outro cadáver. A descoberta choca o grupo de médicos, que descobre que o enfermeiro estava roubando pedaços de corpos PARA COMER! Mas eles nem têm tempo de fazer perguntas, porque o “canibal civilizado” foge e se atira pela janela do quinto andar do hospital, estatelando-se no chão. Esta, por sinal, é uma das cenas mais “gargalhantes” de Zombie Holocaust, já que o espectador é brindado com a queda de um manequim usando roupas de enfermeiro e atirado pela janela; para piorar, quando o boneco bate no chão, um de seus braços se desloca e voa para longe do “corpo“!!! Mas na cena seguinte, quando o manequim já foi substituído pelo ator todo ensanguentado, lá está o braço de volta para o lugar! hahahaha! Este cara deve ser que nem aquele vilão de metal líquido de O Exterminador do Futuro 2, que molda seus órgãos quando os perde!

Lori descobre, então, que o canibal falecido tinha uma estranha tatuagem no peito, igual ao símbolo gravado no punhal de uma tribo primitiva, que ela tem na parede da sua casa – sim, além de médica, ela é antropóloga!!! Entra em cena o médico/investigador Peter Chandler (Ian McCulloch, de Zombie!!!), deixando Lori a par de muitos outros casos de canibais que vivem em Nova York e roubam pedaços de cadáveres em hospitais para comer. A dupla resolve organizar uma expedição até a ilha de Keto, na Indonésia, onde acreditam encontrar maiores esclarecimentos sobre o clã de canibais civilizados. Susan acompanha o grupo, ao lado do também jornalista George Harper, amigo de Peter (e que foi interpretado por Peter O’Neal, que só fez este filme).

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Antes de chegar em Keto, o grupo encontra o dr. Obrero (Donald O´Brien, de Emanuelle and the Last Cannibals), um médico que supostamente vive isolado da civilização, prestando atendimentos de saúde a tribos primitivas. Na verdade, ele é um doutor maluco que faz experiências com nativos e quem quer que caia em suas garras, criando mortos-vivos em sua tentativa frustrada de transplantar cérebros de um corpo para o outro. É ele que está por trás do clã de canibais, e nem estou revelando nada sobre a história, considerando que o texto na capinha do DVD e o trailer do filme já entregam isso de cara!

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Em todo caso, quando ainda faz pose de bom moço, Obrero se oferece para ajudar a expedição, inclusive cedendo seu braço direito Moloto (o ator negro Dakkar, de Zombie!!!) e alguns nativos para acompanhar o grupo até a ilha. Entretanto, Moloto faz de tudo para que o grupo vá parar em outro local, não na ilha de Keto. Quando Chandler descobre e consegue fazer com que o barco vá para a ilha correta, o grupo passa a ser lentamente dizimado, primeiro pela tribo de canibais que vive na ilha, depois por mortos-vivos que também habitam o local, até chegarem a uma igreja abandonada no meio da selva, transformada em hospital improvisada pelo próprio Obrero. Ali, são aprisionados e forçados a participarem como cobaias dos experimentos do médico.

A história faz pouco ou nenhum sentido – nunca explica, por exemplo, como os heróis foram parar na ilha nem o que esperavam encontrar, muito menos o porquê da existência dos “canibais civilizados” em Nova York. Outra cena nunca justificada é o roubo do punhal com o símbolo dos nativos que estava no apartamento de Lori, e que misteriosamente reaparece na ilha de Keto!!! Logo, o filme vale pelo festival de barbaridades, que nunca cessa. Há alguns poucos diálogos para situar o espectador no que está acontecendo, mas a trama se desenrola rapidamente, sem nunca ficar chata ou repetitiva, sempre com novas cenas de violência ou nudez para manter o interesse do fã de horror.

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Um dos momentos mais violentos de Zombie Holocaust é aquele em que Peter usa a hélice do motor de um barco para moer a cabeça de um zumbi; logo depois, empatada no quesito “Sangreira Gratuita“, vem a cena em que um dos guias da expedição cai numa armadilha dos canibais e é empalado por enormes estacas de madeira, tendo em seguida sua garganta cortada com uma facada (o espirro de sangue que sai faz qualquer cena semelhante na série Sexta-Feira 13 parecer teatrinho infantil) e o peito aberto para a retirada das tripas, rapidamente devoradas pelos nativos. E, em terceiro lugar, vem a cena em que um dos integrantes da expedição é selvagemente atacado pelos canibais, tendo suas tripas arrancadas e os olhos furados a dedadas para que seu cérebro possa ser retirado! Hmmmm…

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E não é só isso: há ainda cenas de autópsias, uma mão sendo cortada em close, peitos sendo abertos para a retirada de órgãos internos, todo tipo de cadáver mutilado, uma cirurgia de retirada de cérebro, pessoas sendo escalpeladas, tortura, uma cabeça decepada cheia de vermes, um canibal tendo a cabeça atravessada por um facão, e por aí vai. Um festival de violência gratuita dificilmente superado em outras produções.

Zombie Holocaust também tem um desagradável clima de sadismo. As cenas de mortes são filmadas em closes, com detalhes gráficos representando a tortura e dor inflingida às vítimas (nada de violência implícita, tudo é mostrado “in loco“, a câmera nunca desvia do alvo!!!). Também há um momento em que o dr. Obrero opera uma vítima amarrada à maca. Primeiro, ele lhe dá um sedativo para deixá-la “consciente“. Depois, faz uma rápida intervenção cirúrgica para arrancar-lhe as cordas vocais, dizendo que não consegue operar com os gritos da “paciente“!!! A vítima ainda está viva e completamente indefesa, incapaz até de gritar, quando o médico passa a cortar seu crânio com uma serra de osso!

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Os efeitos especiais, que variam do eficiente ao indigente, passando também pelo exagerado e pelo risível, foram feitos com maestria por Maurizio Trani, que trabalhou em outros filmes violentíssimos, como Cut and Run, de Ruggero Deodato, e A Casa do Cemitério, de Lucio Fulci, além de Piranha 2, de James Cameron. Ao seu lado, um então iniciante Rosario Prestopino, que depois se tornaria um dos nomes mais conhecidos do gênero – trabalhou em Demons 1 e 2, de Lamberto Bava, e A Catedral, de Michele Soavi, entre muitos outros. No DVD americano lançado pela Media Blasters, há uma rápida entrevista com Maurizio, onde ele revela que nunca viu Zombie Holocaust completo, além de culpar o diretor Girolami por ter aproveitado mal alguns dos seus efeitos (segundo ele, Lucio Fulci aproveitaria melhor a seqüência da cirurgia no cérebro). Maurizio também esclarece que o filme não foi rodado em nenhuma ilha, mas sim no litoral de Roma!

Desnecessário dizer que, com tanta violência, a produção foi censurada em diversos países. Nunca chegou ao Brasil e foi proibida nos cinemas inglesas, aumentando a fama do ator escocês Ian McCulloch como “o mais censurado no Reino Unido” – além de Zombie Holocaust, os filmes Zombie e Alien Contamination, também estrelados por McCulloch, foram banidos por lá!

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Para quem gosta de torcer pelo seu vilão preferido, Zombie Holocaust será um tanto decepcionante. Isso porque são os canibais que dominam a narrativa, e os mortos-vivos acabam aparecendo quase como coadjuvantes. Percebe-se que a convivência entre eles não é pacífica, pois sempre que os zumbis aparecem, os índios se mandam. Entretanto, poucas cenas mostram os mortos oferecendo perigo aos personagens. Na verdade, não há um único momento onde os zumbis devoram alguém. Eles são meros escravos do dr. Obrero, usados para agarrar e aprisionar suas vítimas, por isso nem ao menos são mostrados se alimentando. A maquiagem é bem esquisita, com alguns zumbis de rosto esquelético e o resto do corpo intacto, por exemplo! Também é uma pena que o filme mostre tantos canibais e apenas meia dúzia de zumbis.

Na verdade, a alma de Zombie Holocaust é o dr. Obrero, interpretado pelo especialista em vilões do cinema italiano Donald O’Brien. Seu sadismo e descontrole não tem limites, e O’Brien é um ator de respeito, capaz de dar alguma dignidade a diálogos constrangedores e risíveis (como “Eu poderia matá-lo agora, mas estou determinado a retirar seu cérebro!“). O ator, infelizmente, morreu em 2003, em Roma. Ele era americano, mas viveu a maior parte da vida na França, participando ativamente do cinema italiano (isso que é globalização!). Atuou, sempre como coadjuvante, em 53 filmes, incluindo podreiras italianas como Keruak – O Exterminador de Aço e Ghost House, mas também obras respeitadas, tipo O Nome da Rosa, e vários faroestes, como Mannaja e Keoma, quase sempre no papel de vilão. No mesmo ano de Zombie Holocaust (1980), O’Brien sofreu um acidente e ficou com metade do corpo imobilizado. Mesmo assim, nunca deixou de fazer cinema e recuperou-se algum tempo depois, embora com os movimentos comprometidos. Um de seus últimos trabalhos foi em Frankenstein 2000: Return from Death, de 1991, dirigido por Joe D’Amato.

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Uma curiosidade é que quando Zombie Holocaust foi comprado por distribuidores americanos para exibição na América, em 1982, teve problemas com direitos autorais, porque Cannibal Holocaust estava em exibição e não seria possível estrear um filme com nome semelhante (problemas legais que não existiam na Itália). Assim, o distribuidor americano viu-se obrigado a rodar novos créditos iniciais. Mudou o título para Doctor Butcher M.D. (“Doutor Açougueiro“, um título bem apropriado), e comprou três minutos de cenas de um zumbi levantando do túmulo, que usou para rodar os novos créditos de abertura com o novo título. Estas cenas do zumbi ressuscitando no cemitério, que não têm NADA a ver com o filme original italiano, foram compradas do produtor Roy Frumkes. Tinham sido filmadas para uma produção americana independente chamada Tales That Will Tear Your Heart Out, que nunca foi finalizada por dificuldades financeiras (um jovem Wes Craven também estava envolvido neste projeto fracassado). Além disso, os distribuidores cortaram vários diálogos e cenas “paradas“, deixando esta versão chamada Dr. Butcher com 81 minutos de duração – normalmente, tem 88 minutos!

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Na estreia de Doctor Butcher M.D. nos cinemas americanos, em 7 de maio de 1982, os distribuidores fizeram uma criativa divulgação: nos dois dias anteriores, rodaram pela cidade com um caminhão que reproduzia, na sua carroceria, o laboratório do médico louco do filme, com dois atores interpretando ao vivo uma cena – um deles com a cara toda enfaixada, como se tivesse sido recém-operado. A estratégia deu certo, levando um grande público aos cinemas. Além de Doctor Butcher, a produção recebeu todo tipo de nome nos lançamentos ao redor do mundo, de Queen of the Cannibals (A Rainha dos Canibais) até Zombie 3 (claro!) e Island of the Last Zombies (A Ilha dos Últimos Zumbis, só não explicando o porquê do “últimos“). Mas quem soube melhor aproveitar a ideia do filme foram os alemães, que adotaram o título Zombies Unter Kannibalen – em tradução quase literal, “Zumbis Contra Canibais“!

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É claro que Zombie Holocaust não é um filme com pretensões de crítica social ou muita seriedade. Na verdade, muitas cenas são de humor não-intencional, como aquela em que a dra. Lori, peladona, encontra uma cabeça decepada apodrecida e cheia de vermes debaixo do cobertor da sua cama. Ela grita e chegam Peter e Obrero, sendo que este último diz que “não é nada demais“, e a coisa fica por assim mesmo! Pode isso? Uma cabeça decepada e apodrecida na cama, e não é nada demais? Eles nem se dignam a investigar quem teria feito aquilo; pior, voltam a dormir e no dia seguinte vão embora da casa como se nada tivesse acontecido!!!

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Com seu excesso de violência e nojeiras diversas, Zombie Holocaust/Dr.Butcher é um perfeito retrato de uma época que não volta mais e de um cinema que dificilmente retornará algum dia: o cinema italiano dos anos 80. Tudo bem que hoje filmes violentíssimos e bastante sangrentos vêm do Japão e outros países orientais, salvando o espectador que gosta desse tipo de gênero (já que os americanos preferem suavizar tudo). Entretanto, não é a mesma coisa: os filmes de terror italianos tinham uma ingenuidade e um encanto difíceis de igualar hoje em dia – ainda mais nos tempos de sangue criado por computação gráfica e outras facilidades. Quando se vê filmes de zumbis repletos de CGI, como o péssimo Resident Evil 2, é impossível não lembrar com saudades da época de Zombie Holocaust e do “cinema açougue“, quando podíamos ver tripas sendo arrancadas das vítimas, e não de relance, mas em close. Bons tempos que não voltam mais!

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PS: Em 1989, foi lançado um filme americano chamado The Dead Pit (“O Poço dos Mortos”), lançado por aqui como O Abismo Infernal. O roteiro é bem parecido com Zombie Holocaust, mostrando um médico malvado que opera pacientes de um manicômio, transformando-os em zumbis. A diferença é que o bom doutor do filme americano também é um morto-vivo. O filme tem alguns momentos bem interessantes e sádicos, por isso vale a pena ser conhecido, ainda que seja beeeeeem menos violento que Zombie Holocaust.

Zombie VS Zombie Holocaust

O produtor Fabrizio De Angelis tinha acabado de encher os bolsos de dinheiro com Zombie, de Lucio Fulci (lançado em 1979), quando teve a ideia de faturar realizando Zombie Holocaust. Creditado como um dos roteiristas, De Angelis deve ter pensado que “em time que está ganhando não se mexe“, pois Zombie Holocaust é muito, mas muito parecido com Zombie. Do ator principal (Ian McCulloch) à trama, as duas produções têm muito em comum, e De Angelis até colocou veículos parecidos com os usados em Zombie (um barco e um jipe quase idênticos!), além de situar a história de Holocaust também numa ilha tropical. Confira abaixo mais algumas suspeitas semelhanças entre as duas obras:

Zombie

Zombie (1979)
O filme começa em Nova York e depois vai para uma ilha tropical.
O ator principal é Ian McCulloch.
Ian interpreta o personagem Peter West.
Um casal acompanha os mocinhos à ilha e morre.
A mulher deste casal de vítimas se chama Susan Barrett.
Na ilha tem um médico, o dr. Menard, rodeado por mortos-vivos.
O dr. Menard quer descobrir porque os mortos estão ressuscitando.
O ator negro Dakkar interpreta Lucas, o ajudante do médico.
Os heróis enfrentam a fúria dos zumbis.
Uma garota tem o olho furado numa lasca de madeira.
Um zumbi tem sua cabeça destruída por Peter usando uma cruz de madeira.
O clímax é numa velha igreja usada como hospital.
Peter joga coquetel molotov para incendiar um zumbi.
No final, sobram apenas Peter e a mocinha, Anne.

Zombie Holocaust

Zombie Holocaust (1980) (18)
O filme começa em Nova York e depois vai para uma ilha tropical
O ator principal é Ian McCulloch.
Ian interpreta o personagem Peter Chandler
Um casal acompanha os mocinhos à ilha e morre.
A mulher deste casal de vítimas se chama Susan Kelly.
Na ilha tem um médico, o dr. Obrero, rodeado por mortos-vivos.
O dr. Obrero quer descobrir a fórmula da vida eterna.
O ator negro Dakkar interpreta Moloto, o ajudante do médico.
Os heróis enfrentam a fúria dos zumbis e dos canibais
Um homem tem os olhos furados por um canibal com os dedos.
Um zumbi tem sua cabeça destruída por Peter usando um motor de barco.
O clímax é numa velha igreja usada como hospital.
Peter joga um lampião para incendiar um zumbi.
No final, sobram apenas Peter e a mocinha, Lori.

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1 Comentário

  1. MORCEGO

    Faz parte da grande safra do Cinema de Horror Italiano, quando os filmes estavam em alta.
    Uma pena que não existem mais filmes assim – italianos ou não.

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