Críticas

13 Hrs (2010)

Ao final, são 13 Hrs que parecem intermináveis meses!

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13 Hrs
Original:13 Hrs / Night Wolf
Ano:2010•País:UK
Direção:Jonathan Glendening
Roteiro:Adam Phillips
Produção:Duncan Napier-Bell, Nicholas Napier-Bell, Nick Napier-Bell, Tom Reeve
Elenco:Isabella Calthorpe, Tom Felton, Gemma Atkinson, Josh Bowman, Gabriel Thomson, Peter Gadiot. Sue Scadding, John Lynch, Simon MacCorkindale

Quando o site completou dez anos de existência, a equipe do Boca do Inferno se reuniu no apartamento do Felipe M.Guerra, na época ele morava em Moema, para comemorar a data em um encontro históricos, com a presença de diversos membros e muita conversa insana. Com a câmera em mãos, fizemos uma espécie de Roda Viva, em que eu fui obrigado a responder diversas questões diretas, sem a possibilidade de me esquivar. Em uma das perguntas, eu precisava responder qual foi o pior filme de terror recente que eu havia visto. Sem pensar duas vezes, respondi 13 Hrs, mas depois corrigi para Halloween, de Rob Zombie. É claro que a minha indicação a esse filme de lobisomens foi por conta de tê-lo visto naquela mesma semana, com a memória ainda procurando eliminar a experiência desagradável. Hoje, eu provavelmente responderia Dark Moon Rising, tanto para pior longa de lobisomens recente quanto para produção contemporânea mais detestável, batendo até House of Dead, de Uwe Boll.

Passados quase seis anos, finalmente consegui libertar do meu sótão da consciência qualquer vestígio do trabalho de Jonathan Glendening. O primeiro problema é que o meu tema, por ser licantropia, deve abordar produções de todas as épocas, não permitindo que eu deixe de fora até as mais horrendas; e, a limpeza mental acabou por me obrigar a revê-lo para escrever esta resenha. Continua péssimo em todos os quesitos, só que é mais fácil digeri-lo do que o insuportável Dark Moon Rising ou até o outro filme do diretor, Stripper Vs Werewolves, de 2012! E a nova leitura ainda possibilitou que alguns detalhes mais ridículos pudessem ser observados, com mais evidências de sua ruindade quase completa.

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Baseado em um roteiro de Adam Phillips, que não me estranha saber que sua carreira se encerrara com essa produção, 13 Hrs traz o retorno da bela Sarah Tyler (Isabella Calthorpe, de Blooded, 2011) para a Inglaterra após um período de sossego em Los Angeles. Após cumprimentar o padrasto Duncan (Simon MacCorkindale, de Tubarão 3, 1983, falecido após a produção), ela se une a seus irmãos e amigos no celeiro, com conversas fúteis e vexaminosas sobre drogas e sexo, apenas para aumentar a vontade do espectador de ver seus órgãos internos expostos pelo ataque da fera. Entre irmãos, meio-irmãos e amigos, há o ex de Sarah, Stephen Moore (Peter Gadiot, de The Forbidden Girl, 2013) e sua namorada Emily (Gemma Atkinson, de O Mistério da Passagem da Morte, 2013) – esta, no caso, era a melhor amiga da garota -, Charlie (Gabriel Thomson), Gary (Tom Felton, de Planeta dos Macacos: A Origem, 2011), Doug Walker (Joshua Bowman, de A Armadilha, 2010) e o mais novo Luke (Antony De Liseo), que apesar de ter 13 anos está tendo sua primeira larica, em companhia com o cachorro Stone.

Depois de esperar praticamente 13 horas em que nada acontece, o grupo se despede e volta para casa, pensando em ocupar seus aposentos. No entanto, ao subir as escadas há um rastro de sangue que os conduz até o corpo dilacerado de Duncan, enquanto Gary resolve buscar velas devido ao apagão. Um animal avança sobre os jovens e mata Gary, obrigando-os a se abrigar no sótão da casa. Poderiam ficar ali até amanhecer, aguardar algum vizinho, o carteiro, o leiteiro ou qualquer um que fosse, mas os acéfalos tentarão descer várias vezes, seja para telefonar para a polícia, caçar um celular ou pegar a arma, facilitando as ações do monstro à espreita. A desculpa para uma movimentação rápida vem da ideia de impedir que Luke acorde no celeiro e seja surpreendido pelo animal, algo que soa forçado pela condição do garoto e a deles.

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Mesmo com a morte do pai e de alguns irmãos que resolveram tentar descer, os jovens continuam trocando piadinhas e até quase copulando em meio ao caos. Já o lobisomem praticamente não aparece no filme inteiro, restando ao espectador se contentar com seu olhar avermelhado com o filtro da câmera e seus movimentos ou na cena acelerada no último ato, quando já não restar mais paciência alguma do público. E tal revelação, até mesmo da identidade óbvia da criatura, é tão desagradável e mal realizada que me fez pensar se o filme é realmente sobre lobisomens. Podia ser urso, tigre ou qualquer outro bicho que não faria a menor diferença.

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É provável que Glendening estivesse pensando em desenvolver uma produção claustrofóbica, ambientadas num único local, para criar tensão no espectador. O esforço não surtil o efeito desejado devido aos furos no roteiro – como os mencionados acima -, e também graças à filmagem quase amadora e as atuações ruins. O melhor ali é Tom Felton, mas ele é descartado tão rápido que impede um possível prestígio maior ao conteúdo. Já Isabella Calthorpe, apesar de bonita, não convence como heroína de ocasião, com a coragem exagerada em descer e enfrentar o lobisomem.

13 Hrs, também conhecido como Night Wolf, tem uma história muito fraca e personagens insuportáveis ou supérfluas como o policial e o caçador, com diálogos que servem apenas para estender a duração do filme. Por ser uma produção de baixo orçamento, só bastava dar um trato melhor no roteiro e na caracterização da criatura para torná-lo um pouco mais aceitável. Ao final, são 13 Hrs que parecem intermináveis meses!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

2 Comentários

  1. jeferson

    isso mesmo !

  2. Lucas

    Quando eu vejo um filme muito ruim , nunca mais vou revê-lo !

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