Críticas

Camisa de Força (2005)

Camisa de Força é um esforço estiloso e bem montado, mas que ao mesmo tempo demonstra não possuir muita substância em seu frágil roteiro!

Camisa de Força (2005) (1)

Camisa de Força
Original:The Jacket
Ano:2005•País:EUA, Alemanha
Direção:John Maybury
Roteiro:Tom Bleecker, Mark Rocco, Massy Tadjedin
Produção:George Clooney, Peter Guber, Steven Soderbergh
Elenco:Adrien Brody, Keira Knightley, Kris Kristofferson, Jennifer Jason Leigh, Kelly Lynch, Brad Renfro, Daniel Craig, Steven Mackintosh, Brendan Coyle, Mackenzie Philips, Laura Marano, Jason Lewis, Richard Dillane, Anthony Edridge, Angelo Andreou, Jimmy Fleischer

Sou um fã ardoroso de trabalhos que envolvem a temática de viagens no tempo, também admiro bastante o trabalho de Adrien Brody e Keira Knightley e de narrativas não convencionais. Mas me decepcionei com esse Camisa de Força, coprodução entre Estados Unidos e Alemanha de 2005, que justamente conta com um elenco estelar, uma direção estilosa e uma temática ambiciosa, que, no entanto, não consegue colocar todas essas peças em harmonia, resultando num trabalho que infelizmente soa frio e raso demais para sua proposta inicial.

O roteiro de Massy Tadjedin é centrado na experiência pós-traumática do combatente na guerra do Golfo Jack Starks (Brody), que, ferido mortalmente na cabeça, parece voltar à vida milagrosamente e volta a sua cidade natal com lapsos de memória. Após vagar a esmo pelas paisagens nevadas da Virginia e pegar carona com um estranho (Renfro), o veículo é parado por um policial que acaba assassinado, com as suspeitas recaindo todas sobre Starks. Considerado mentalmente incapaz de responder criminalmente pelo crime, Starks é levado a um hospital psiquiátrico onde acaba caindo nas mãos de um misterioso psiquiatra (Kristofferson), que usa o protagonista numa terapia experimental que o leva a experimentar estranhos transes durante os quais Starks acaba viajando para o futuro e prevendo sua morte em quatro dias, além de conhecer Jackie (Knightley), que poderá ajudá-lo. Daí começa a clássica corrida contra o tempo para descobrir como ele morrerá e quais as consequências no futuro de se alterar o presente.

Camisa de Força (2005) (3)

Dirigido com estilo pelo britânico Maybury (um nome pouco frequente no cinema), o longa investe num virtuoso trabalho de câmera e luz que emite significados por si só. Repare, por exemplo, como o presente frio, depressivo e problemático de Starks é ressaltado por uma grande dessaturação na fotografia enquanto ocorre um contraponto com as cores supersaturadas quando o protagonista viaja para o futuro. Infelizmente, todo esse trabalho esconde um roteiro pouco inspirado, fragilíssimo em alguns momentos. Alguns diálogos são tão expositivos que beiram o constrangedor, como no primeiro diálogo entre Jack e Jackie ou no momento em que a equipe do Dr. Becker se questiona se Starks está mesmo morto, e após este piscar os olhos, Dr. Becker tem a brilhante conclusão de que o rapaz realmente não morreu (ooh!). No entanto, nada é pior do que a forçada inclusão no roteiro de um romance caidaço entre os personagens de Brody e Knightley, que não passam nenhuma química que justifique, por exemplo, a frouxa cena de sexo que ocorre no segundo ato.

Camisa de Força (2005) (2)

Apesar de terminar de maneira satisfatória e respeitando sua lógica interna, Camisa de Força é uma obra que apesar das boas intenções, é muito raso em sua própria ambição narrativa.

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Marcus Augusto Lamim

Marcus Augusto Lamim

Um seguidor fiel do cinema em todos seus formatos e gêneros, amante de rock e do gênero fantástico, roteirista amador e graduando em química. Contato: [email protected]

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