Críticas

Carne para Frankenstein (1973)

Nunca tenta ser mais do que é: divertimento sangrento e sensual. Provocante, mas mesmo assim uma recomendada mistura entre splatter e arte!

Flesh for Frankenstein (1973) (3)

Carne para Frankenstein
Original:Flesh for Frankenstein
Ano:1973•País:EUA, Itália, França
Direção:Paul Morrissey, Antonio Margheriti
Roteiro:Paul Morrissey
Produção:
Elenco:Udo Kier, Monique Van Vooren, Dalila Di Lazzaro, Arno Jeurging, Joe Dallesandro, Srdjan Zelenovic

Este filme de Paul Morrissey é provavelmente a adaptação mais esquisita da lendária obra de Mary Shelley que eu já vi! Em comparação com o Frankenstein (1931), de James Whale, estrelado pelo í­cone do horror Boris Karloff, Flesh for Frankenstein não possui nada do charme romântico do original. O diretor Paul Morrissey criou um cenário bizarro e grotesco que contém uma abundância de sangue e tripas, humor negro, incesto e necrofilia. Alguns momentos calmos entram em contraste com a brutalidade gráfica (e exposições de nu frontal) tangente no filme.

Outro fator interessante é a utilização “emprestada” do nome de Andy Warhol para o titulo do filme. Erroneamente tido como diretor, Warhol teve apenas seu nome creditado ao filme como forma de promover a pelí­cula dos reais diretores (Morrissey e Margheriti), que seriam algo como seus “afilhados artí­sticos“…

Flesh for Frankenstein (1973) (1)

Bom…Vai saber!!!

O enredo é o mesmo de centenas de outras adaptações. O Barão Frankenstein (interpretado por um incrivelmente desequilibrado Udo Kier) está em busca da cabeça sérvia perfeita para completar o seu monstro fodedor macho (a versão feminina do monstro serve como fonte dos desejos do cientista e é interpretada por Dalila di Lazzaro). A Baronesa (Monique Van Vooren), por outro lado, encontra-se descontente sexualmente com seu irmão/marido, enquanto dois camponeses (Joe Dallesandro e Srdjan Zelenovic) resolvem visitar um bordel em meio a uma tempestade. Para completar a bizarrice, há um par assustador de criancinhas que vagam silenciosamente dentro e fora do filme. Como o assistente do cientista louco temos Arno Jeurging como uma versão chorona de Igor, que insiste em apresentar nudez frontal masculina. No decorrer da história, uma mistura de sensualidade/grotesco toma conta da trama e tudo se resume a uma pilha de cadáveres no final.

Flesh for Frankenstein (1973) (2)

O ridí­culo de Flesh for Frankenstein é, felizmente, também a sua graça salvadora. Ao contrário dos filmes “camp“, que atropelam os requisitos que lhes deram vida, Flesh… é claramente um rebento de I VampiriDario Argento. Morrissey trata seus personagens com cuidado, mostrando não apenas a sua insanidade, mas também apresentando-os como verdadeiras estrelas. Todo mundo é bonito e tudo é gótico. Do castelo sombrio de Frankenstein ao brilhante laboratório em uma caverna, cada cena é construída para obter um impacto dramático maior, mesmo que o efeito cumulativo de todo o drama seja uma risadinha…hehehehehe…

Eu até poderia escrever sobre os aspectos raciais, sexuais e políticos de Flesh for Frankenstein, mas para quê? Está tudo aí na superfí­cie e essa é a verdadeira grandeza do filme. Nunca tenta ser mais do que é: divertimento sangrento e sensual. Provocante, mas mesmo assim uma recomendada mistura entre splatter e arte.Flesh for Frankenstein (1973) (4)

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