Críticas

Southbound (2015)

Produtores de V/H/S apresentam antologia que literalmente é uma “Highway to Hell”!

Southbound (2016) D

Southbound
Original:Southbound
Ano:2015•País:EUA
Direção:Roxanne Benjamin, David Bruckner, Patrick Horvarth, Radio Silence
Roteiro:Roxanne Benjamin, Matt Bettinelli-Olpin, David Bruckner, Susan Burke, Dallas Hallam, Patrick Hovarth
Produção:Roxanne Benjamin, Chris Harding, Brad Miska, Greg Newman, Radio Silence
Elenco:Chad Villella, Matt Bettinelli-Olpin, Kristina Pesic, Fabianne Therese, Nathalie Love, Hannah Marks, Dana Gould, Anessa Ramsey, Susan Burke, Davey Johnson, Mather Zicker

Em 2012, Brad Miska, o nome responsável por trás do Bloody Disgusting, juntou-se a Roxanne Benjamin e junto de um time de jovens cineastas do cinema indie de terror e do mumblegore, como Ti West, Simon Barrett e Adam Wingard, conceberam e produziram V/H/S, uma antologia estilo found footage e estética que remete às boas e velhas fitas de videocassete, um sopro de criatividade no subgênero, que acabou por render duas continuações.

Com uma nova ideia na cabeça, mas abandonando o recurso da câmera na mão e da fita encontrada, Miska e Benjamin se uniram novamente para outra antologia de terror, trazendo de volta boa parte da patota de V/H/S, e contar cinco histórias interligadas por acontecimentos bizarros, sobrenaturais e macabros envolvendo uma rodovia do sul dos EUA. Como resultado disso, surgiu o interessantíssimo Southbound.

Seguindo a boa e velha tradição dos filmes portmanteau, massificada pela produtora inglesa Amicus durante os anos 60 e 70, Southbound traz personagens díspares, sem nenhuma conexão entre eles, ligados por uma outrora tranquila viagem por uma estrada que corta o deserto americano, sem saber do poder maligno e satânico daquela via.

Southbound (2016) (1)

O primeiro segmento, The Way Out é escrito e dirigido pelo coletivo Radio Silence, os mesmos de 10/31/98 de V/H/S, ou, aquela história da festa à fantasia no Halloween que a galera entra na casa errada e impede um sacrifício numa missa negra. Nele Mitch e Jack, interpretados respectivamente por Chad Villella e Matt Bettinelli-Olpin (membros do coletivo), dois homens em fuga sujos de sangue, estão sendo perseguidos e observados por estranhos seres que se assemelham a esqueletos flutuantes de demônios alados (!!??). Eles param em um posto de gasolina, quando descobrem que simplesmente não podem abandonar aquele local, retornando várias vezes ao mesmo ponto, ao melhor estilo A Estrada Perdida de David Lynch.

Ao terminar de forma completamente inexplicável, ousando por fugir do conceito didático que acompanha o gênero ultimamente, o segmento já emenda com Siren, escrito e dirigido por Roxanne Benjamin, onde três garotas em uma road trip de turnê de sua banda de jazz ficam paradas no meio da estrada quando o pneu de sua Kombi fura. Mesmo com a desconfiança de uma delas, aceitam a carona de um casal deveras estranho até sua casa, onde passarão a noite para conseguir auxilio mecânica no dia seguinte. Acontece que durante um jantar com alguns convidados, elas descobrem o quão bizarro de verdade é aquela gente (principalmente dois irmãs gêmeos que são a CARA de H.P. Lovecraft) e que elas se meteram no meio de um bando de loucos que curtem uns rituais satânicos.

Southbound (2016) (2)

The Accident, o terceiro conto, é disparado o melhor de Southbound, trocando o fantástico por uma tensa e gráfica história de suspense crescente, escrita e dirigida por David Bruckner (do ótimo O Sinal e do melhor segmento de V/H/S, Amateur Night), quando um sujeito comum chamado Lucas (Mather Zickel) acidentalmente atropela uma garota à noite na estrada, e ao ligar para o serviço de emergência, começa a ser guiado pela atendente e um médico para tentar salvar a vida da moça, levando-a a um sinistro hospital abandonado na cidade mais próxima.

Southbound (2016) (1)

Segue com o segmento mais irregular e a famosa “barriga” que praticamente toda antologia possui, apesar de alguns elementos interessantes, porém pouco aproveitados devido a sua curta duração. Jailbreak começa com Danny (David Yow) entrando em um bar munido de uma espingarda, exigindo respostas de onde está sua irmã, Jesse (Tipper Newton), desaparecida há 13 anos. Claro que a birosca no meio bem daquela estrada não vai ser frequentada por cidadãos de bem, mas sim por criaturas das trevas. O barman ameaçado levará Danny para uma espécie de porta dimensional entre mundos e o cara vai entender o erro que foi procurar sua irmã e tirá-la daquele lugar. Infelizmente, um grande potencial desperdiçado em uma história um tanto quanto sem pé nem cabeça, escrita e dirigida por Patrick Horvath (Pesadelos do Passado 2).

Southbound (2016) (3)

Southbound fecha com The Way In, um prequel do primeiro segmento, onde o Radio Silence fecha o fio condutor da trama jogando luz aos acontecimentos que levaram Mitch e Jack a serem perseguidos por aquelas tenebrosas e originais criaturas aladas ceifadoras em busca de suas almas, com direito uma pitada lovecraftiana em sua conclusão.

Southbound (2016) (4)

O longa acerta bastante em seu tom, na edição da transição entre as histórias, sem perder o ritmo ou utilização de recursos corriqueiros como fade outs, na ótima e climática trilha sonora recheada de sintetizadores analógicos da dupla The Gifted, totalmente anos 80 e inspiradíssima em John Carpenter, e principalmente em nunca procurar dar explicações fáceis, deixando muito no campo da interpretação e nas entrelinhas, o que obviamente, em tempos onde o cinema convencional de terror parece mais uma aula do MOBRAL, irá desagradar muitos.

Southboud é mais um riquíssimo exemplo dessa boa safra do cinema indie de horror americano, mostrando que apesar de algumas estradas levarem literalmente ao inferno, esse pessoal está seguindo no caminho certo.

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5 Comentários

  1. Cley

    Esse foi um dos piores que assisti. Me arrependi muito de ter chegado até o fim da terceira história. Perdi meu tempo. Não sei como ainda conseguiram patrocínio pra produzir isso. Sejamos mais exigentes, por favor…

  2. Eu assisti, tem alguns momentos especiais, e o bacana é como as histórias se conectam, mas não chegou a causar muito medo. Daria 3 caveiras.

  3. marisa

    Péssimo filme, nota 00000000000 muito ruim

  4. LUIZ SOUZA SANTIAGO

    A Quarta história explica como funciona o ”mundo” da série

  5. Marcelle

    Exatamente o que eu mais ouvi de críticas negativas sobre o filme é gente falando que não entendeu nada e por isso o filme é ruim!
    O filme é ótimo e abre portas pra várias interpretações e essa é a graça .

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