Skyline – A Invasão (2010)

Skyline (2010) (3)

Skyline - A Invasão
Original:Skyline
Ano:2010•País:EUA
Direção:Colin Strause, Greg Strause
Roteiro:Joshua Cordes, Liam O'Donnell
Produção:Kristian James Andresen, Liam O'Donnell, Colin Strause, Greg Strause
Elenco:Eric Balfour, Donald Faison, Scottie Thompson, Brittany Daniel, Crystal Reed, Neil Hopkins, David Zayas, Donald Faison, Robin Gammell, Tanya Newbould, J. Paul Boehmer

Olha, é bem simples: quem já viu algum filme sobre ataque alienígena desde que o cinema foi inventado não vai encontrar a mínima novidade em Skyline – A Invasão.

Das produções mais toscas dos anos 50 aos sucessos milionários recentes, como Independence Day (1996) e o remake de Guerra dos Mundos (2005), Skyline é uma repetição de clichês pura e simples, sem uma única ideia boa, original ou minimamente diferente de tudo que já foi feito no gênero.

Pesa ainda contra o filme o fato de ele ter sido dirigido pelos The Brothers Strause, ou Colin e Greg Strause, dois técnicos em efeitos visuais que estrearam na direção de longas em 2007 com Alien Vs Predador 2, sequência que conseguiu a façanha de desagradar a gregos e troianos – e mesmo quem gostou assume que o filme é repleto de defeitos.

Bem, os manos Strause aparentemente não aprenderam nada de AVP 2 para Skyline. Talvez a única coisa diferente em relação aos dois trabalhos é que todo mundo reclamou da escuridão do filme anterior, então a maior parte dessa nova obra se passa à luz do dia – ou com uma luz forte iluminando os personagens!

Skyline (2010) (1)

O roteiro de Joshua Cordes e Liam O’Donnell (ambos roteiristas de primeira viagem) pega emprestados elementos de Guerra dos Mundos (o remake de Steven Spielberg, não o original) e de O Nevoeiro, de Frank Darabont, principalmente.

Do primeiro vem a overdose de efeitos visuais, que tentam disfarçar a história fraquinha e a falta de personagens consistentes; do segundo vem a ideia de não mostrar uma invasão global, concentrando os poucos personagens em um lugar fechado (nesse caso, uma luxuosa cobertura em Los Angeles), onde eles ficam presos sem saber direito o que está acontecendo no mundo exterior.

Skyline conta a história do casal Jarrod (Eric Balfour, o “Marcos Mion” do remake de O Massacre da Serra Elétrica) e Elaine (Scottie Thompson, vinda de seriados de TV), que viajam a Los Angeles para o aniversário de um amigo de infância, Terry (Donald Faison).

Skyline (2010) (2)

Depois de uma festança na cobertura do aniversariante, os personagens descobrem que misteriosas luzes vindas do espaço estão surgindo em vários pontos da cidade e começam a sugar as pessoas para o alto – diretamente para o interior de gigantescas naves alienígenas. Sem saber como agir, eles resolvem barricar-se no interior do apartamento, onde também estão a esposa e a amante de Terry (respectivamente, Brittany Daniel e a gracinha Crystal Reed).

Como em O Nevoeiro, os protagonistas ficam o filme inteiro sem saber o que está acontecendo, não podem colocar o pé para fora do apartamento (pois há pequenas naves e monstros gigantes cheios de tentáculos por toda parte) e logo começam a odiar profundamente um ao outro, o que gera confrontos tão perigosos quanto a ameaça do lado de fora.

Bem, todos sabemos que uma história não precisa ser 100% original para render um bom filme – caso contrário, nunca mais teríamos um bom slasher depois de Halloween e Sexta-Feira 13!

No caso de Skyline, a ideia nada original e repetitiva não é o único problema. O roteiro é bisonho, com os acontecimentos sendo atirados na tela praticamente à força, e movidos pelas atitudes estúpidas dos protagonistas. Parece não haver a menor preocupação em inovar: a cena em que um dos aliens vasculha um apartamento à procura de humanos é IDÊNTICA à cena do porão de Guerra dos Mundos, por exemplo.

Skyline (2010) (4)

Para piorar, os personagens são frouxos e interpretados por péssimos atores. Você não consegue se identificar e muito menos se preocupar com o destino de nenhum deles, até porque eles são burros e nada simpáticos. A inglória tentativa de tentar criar dramas pessoais para enriquecê-los (Elaine está grávida, o caso extraconjugal de Terry) é abandonada em menos de 15 minutos, quando os aliens começam a detonar tudo e a história vira um corre-corre descerebrado.

E vamos concordar que diálogos no limiar da bagaceira – tipo “E como não olhar para algo tão belo?” – não ajudam nada.

Confirmando sua já notória falta de talento, os manos Strause começam o filme com uma cena razoavelmente impactante que mostra o início da invasão, depois voltam algumas horas no tempo para mostrar os personagens antes do ataque dos alienígenas, e em menos de 15 minutos RETOMAM à cena inicial!!! Enfim, não existe nenhuma razão para essa repetição além, claro, a de aumentar o tempo de duração do filme!

Skyline (2010) (5)

Pelo menos os efeitos visuais são ótimos e respondem pela única coisa decente do filme. Eles realmente enchem os olhos, especialmente o design e animação das gigantescas naves – você até acredita que aquilo é de verdade! E nem poderia ser diferente, já que tanto os diretores como os roteiristas são técnicos da área e já trabalharam em blockbusters de Hollywood.

Há mais de 800 efeitos digitais de naves, explosões e monstros alienígenas. Ironicamente, a filmagem de Skyline só com os atores custou apenas 500 mil dólares, mas a inclusão do CGI na pós-produção chutou o orçamento para 10 milhões de verdinhas! É um valor irrisório se comparado, por exemplo, a Avatar, mas os excelentes efeitos dão a impressão de que o filme custou muito mais do que o seu real orçamento.

Só que, pelo jeito, todos os envolvidos esqueceram que Skyline deveria ser um FILME, e não um videogame. Portanto, os efeitos logo cansam sem uma história que os sustente. E as naves e aliens nem serão novidade para quem já viu Independence Day e Guerra dos Mundos, o que torna toda a experiência ainda mais frustrante. Como eu já escrevi, “originalidade” e “novidade” são palavras que passam longe desse fiasco.

Skyline (2010) (6)

O roteiro também está repleto de furos (SPOILERS: Nunca explica, por exemplo, porque Jarrod ganha superpoderes estilo Neo de Matrix após quase ser abduzido, nem o porquê dos aliens raptarem os humanos “inteiros” se só querem os seus cérebros. FIM DOS SPOILERS).

Mas nada pode preparar o espectador para o final imbecil, quase débil-mental – copiado de outro filme recente, Distrito 9 -, deixando as portas escancaradas para uma continuação que infelizmente já foi realizada e se chama Beyond Skyline.

E mesmo que tenha bastante ação e até um tantinho de nojeiras e melecas para que o fã do gênero não pegue no sono, a obra deixa a desejar em praticamente tudo, ficando ainda pior quando entra em cena o segurança latino do condomínio (interpretado por David Zayas, de Os Mercenários) para ajudar/atrapalhar os “heróis”. Aí, o que já era ruim despenca de vez ladeira abaixo, e ao espectador só resta torcer para que o martírio termine logo.

Skyline (2010) (7)

São filmes como Skyline que me tranquilizam em relação à possibilidade de sermos alvos de ETs reais num futuro próximo. Afinal, se os aliens assistirem a esta bomba dos manos Strause, vão chegar à conclusão de que não existe vida inteligente na Terra e procurar outro lugar para invadir!

PS: Os Strause podem até estar se dando mal como cineastas, mas pelo menos vivem muito bem, obrigado. Afinal, a cobertura de luxo onde Skyline foi filmado pertence a um deles, Greg Strause.

Leia também:

Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga “Entrei em Pânico…”, entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien