Críticas

A Centopeia Humana 3: Sequência Final (2015)

Apesar das tradicionais cenas nojentas, este terceiro trabalho é simplesmente um filme muito chato. Tão chato que não mereceria uma crítica!

A Centopeia Humana 3 (2015)

A Centopeia Humana 3: Sequência Final
Original:The Human Centipede III (Final Sequence)
Ano:2015•País:EUA
Direção:Tom Six
Roteiro:Tom Six
Produção:Tom Six e Ilona Six
Elenco:Eric Roberts, Tommy 'Tiny' Lister, Robert LaSardo, Bree Olso, Clayton Rohner, Tom Six, Laurence R. Harvey, Dieter Laser, Jay Tavare, Carlos Ramirez, Ilona Six, Akihiro Kitamura

Quando o diretor Tom Six lançou o filme A Centopeia Humana: Primeira Sequência, em 2009, o mundo quase acabou. A trama mostrava o drama de três pessoas sequestradas por um médico louco que tinha por desejo fazer uma centopeia humana. Em uma das cenas mais tenebrosas do filme, o médico, brilhantemente interpretado por Dieter Laser, explica metodologicamente para o trio como o processo será feito.

Como em um seminário, com direito a data-show, o personagem de Laser fala que os três serão unidos por seus aparelhos digestivos. Em outras palavras, uma primeira pessoa se alimenta e suas fezes cairão direto na boca da segunda pessoa, que por sua vez se alimenta das fezes e repete o processo na terceira pessoa. Em entrevistas de divulgação, o diretor Six, que também assina o roteiro, explicou que teve a ideia para este filme durante uma conversa na qual disse que pedófilos deveriam ter suas bocas costuradas nas bundas uns dos outros.

A Centopeia Humana 3 (2015)

Escatologias a parte, o brilhantismo do filme acontece antes mesmo da metade quando o médico consegue fazer a sua centopeia humana e passamos a acompanhar a “relação” do criador com sua criação. Dieter Laser está ótimo como o sádico médico, e o trio que forma a centopeia também é digno de nota. O final é outro ponto positivo na trama, que fez barulho por onde passou.

Dois anos depois e o mesmo Tom Six decidiu fazer A Centopeia Humana 2: Sequência Completa. Com uma guinada drástica de roteiro, Six optou por criar uma segunda linha narrativa dentro do universo ficcional imaginado por ele. Nesta parte dois, conhecemos Martin (Laurence Harvey), um gordinho esquisito que passa seus dias assistindo ao filme A Centopeia Humana. Não demora muito para Martin decidir fazer sua própria centopeia. No entanto, ele decide que seu experimento deve ter 15 pessoas.

A Centopeia Humana 3 (2015)

Diferente do primeiro filme, o “vilão” da vez não é médico. Martin trabalha como zelador em um edifício garagem. Mas isto não o impede de fazer sua centopeia usando martelos, colas e grampeadores. E claro, para esta criação teremos cenas bastante nauseantes. Uma curiosidade tanto para o primeiro filme, porém muito mais perceptível neste segundo, é o pudor do diretor Six em mostrar pessoas sem roupas. Além de seios e algumas bundas, os dois filmes são bastante puritanos. Isto fica evidente em uma cena no segundo filme no qual mais de 10  pessoas estão deitadas no chão e sem roupas, porém todos estão apenas com suas bundas a mostra. A ideia que fica é que pode-se mostrar um parto super grotesco no qual a mãe pisa no bebê recém nascido para fugir, mas nudez explícita deve ser cortada.

Diferente do primeiro filme, que tinha uma narrativa bem construída, tudo parece forçado e desnecessário neste segundo filme. Sobra ao diretor jogas cenas escatológicas para o público no que se mostra um filme que não traz nada de novo. E para piorar, o final é daqueles bem picaretas.

Longa será lançado em VOD no dia 22 de maio

Eis que em 2015 o mesmo Tom Six decide lançar A Centopeia Humana 3: Sequência Final. E talvez pensar neste filme como o ponto final das ideias de Six talvez seja a melhor qualidade da obra.

O terceiro filme acontece em um presídio no qual o diretor Bill (Laser, que fez o médico do primeiro filme) e seu assistente Dwight (Harvey, o gordinho do segundo filme) precisam dar um jeito no lugar após a visita do governador. Aparentemente trata-se do presídio com maior índice de violência dos Estados Unidos. Dwight explica para Bill que a resposta para todos os problemas está nos dois filmes A Centopeia Humana. Sim, Six repete a ideia da parte 2. Mas este é o menor dos problemas.

A Centopeia Humana 3 (2015)

Apesar das tradicionais cenas nojentas, talvez estas sendo o único ponto positivo, este terceiro trabalho é simplesmente um filme muito chato. Tão chato que não mereceria uma crítica. Vamos lá. A trama em si é chata, os personagens são chatos, o desenrolar é chato, a participação do diretor Six interpretando ele próprio é picareta e chata, a apresentação da centopeia com 500 pessoas é chata, a lagarta humana é chata, a tentativa de trazer elementos cômicos é chata. O final é chato. Enfim, depois de perder quase duas horas assistindo a este festival de chatice, fica a pergunta de como foi possível que a mesma pessoa que concebeu o filme de 2009 conseguiu fazer este chato terceiro filme.

A Centopeia Humana 3 (2014)

Tem cenas nojentas? Muitas. Vai incomodar os defensores de um cinema clássico ou com censura de 14 anos? Sim. Mas o filme simplesmente não se sustenta através do seu roteiro. Sobra o personagem de Bill gritando a cada cinco minutos e deixando claro que o olhar silencioso e perturbado do médico interpretado por ele próprio no filme de 2009 era muito mais interessante. Em resumo, A Centopeia Humana 3 é um filme muito, muito, muito chato. Quer um produto de qualidade? Reveja o primeiro.

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1 Comentário

  1. Pablo

    Prefiro mil vezes o segundo filme ao primeiro.
    Sinceramente, tirando o vilão e a criatura, o filme é nada demais. O segundo pelo menos tem umas cenas bem escabrosas e o desenrolar tbm é bacana.

    Sobre esse terceiro, não achei tão ruim não, dá pra vê de boa uma vez e pronto. Aliás, o vilão é extremamente escroto e politicamente incorreto, vai deixar muita gente indignada hehe

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