Críticas

Combustão Espontânea (1990)

Seguindo uma premissa até interessante, Combustão Espontânea sofre, no entanto, de um roteiro mal acabado e da falta de regularidade

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Combustão Espontânea
Original:Spontaneous Combustion
Ano:1990•País:EUA
Direção:Tobe Hooper
Roteiro:Tobe Hooper, Howard Goldberg
Produção:Jim Rogers
Elenco:Brad Dourif, Cynthia Bain, Jon Cypher, William Prince, Melinda Dillon, Dey Young, Tegan West, Michael Keys Hall, Dale Dye, Dick Butkus, Joe Mays, Stacy Edwards, Brian Bremer, Frank Whiteman, Judy Prescott, Judy Behr, Betsy Thomas, John Landis, Jamie Alba, Mark Roberts, Richard Warlock, Judith Jones, Bill Forward, Ron Blair, Mimi Wearn, Sandy Ignon, Nick Gambella, Barbara Leary.

Após um hiato de quatro anos longe das telas grandes, Tobe Hooper, criador de pelo menos duas obras essenciais do horror, decidiu em 1990 novamente tocar um projeto mais pessoal e longe de grandes produtoras. Baseado em um argumento de sua própria autoria, Hooper se uniu a Howard Goldberg para escrever o tratamento para o longa Combustão Espontânea, que seria produzido por um pequeno grupo de forma independente.

A premissa do longa é até interessante, apesar de explorada até a exaustão por filmes que vieram antes e depois desse. No contexto da Guerra Fria, cerca de 10 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o casal Peggy e Brian (Edwards e Bremer) é voluntariamente cobaia de um experimento militar que visa provar a eficácia de um abrigo antinuclear em testes com Bombas de Hidrogênio. Vítimas não somente da radiação, mas também de supostas “vacinas” que recebem frequentemente, o casal logo descobre que terá um filho, a contragosto da corporação, e ambos acabam tendo um destino explosivo.

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Cortamos para o presente, onde o jovem adulto Sam/David (Brad Dourif), um professor do colegial, nem desconfia de suas origens e do que ocorreu com seus pais. O problema é que o pobre rapaz sofre com recorrentes crises de enxaqueca e, para piorar, descobre que momentos de extremo estresse acabam levando-o a ter episódios de combustão espontânea, fenômeno fictício no qual um ser humano seria capaz de, teoricamente, produzir fogo apenas com o poder da mente. Não demora para que Sam vá atrás de suas origens e dos responsáveis pelo desagradável “super-poder“. Ainda há uma subtrama envolvendo a instalação de uma usina nuclear na cidade e o caráter misterioso de Lisa (Cynthia Bain), namorada de Sam.

Encabeçado por um sempre intenso e carismático Brad Dourif, Combustão Espontânea até consegue criar empatia do público com aquele que se torna o protagonista da trama, no entanto, todo o esforço do ator não é suficiente para delinear bem seu personagem, que soa no máximo bidimensional no roteiro. Os personagens que o circundam, então, são caricatos ao extremo, incluindo até mesmo uma rápida inclusão de um cientista louco, conotando ao longa um aspecto trash que não se justifica na proposta inicial. Além disso, em vez de se preocupar em seguir sua proposta num longa coeso, o roteiro acaba gerando diálogos constrangedores e alguns furos (por exemplo, por que Sam apresenta seus poderes apenas quando já bem adulto e por que não o capturaram antes se este tinha algum valor para o governo?) que quase comprometem a coisa toda.

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Em vez de ideias, Hooper apela para estímulos visuais (em efeitos que, se considerarmos a época do filme, são até eficientes) que pouco ou nada acrescentam às ideias do roteiro, que ainda acaba por entregar um desfecho genérico com perseguições no estilo gato-e-rato e um final completamente anti-climático. Se vale a recomendação, é para os fãs do trabalho do diretor e pela performance eficiente de Dourif.

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