Críticas

Todas as Cheerleaders Devem Morrer (2013)

Divertido misto de horror e comédia que não abre mão de satirizar certas convenções e clichês de gênero nem de cutucar convenções sociais!

Todas as Cheerleaders Devem Morrer (2013) (2)

Todas as Cheerleaders Devem Morrer
Original:All Cheerleaders Die
Ano:2013•País:EUA
Direção:Lucky McKee, Chris Sivertson
Roteiro:Lucky McKee, Chris Sivertson
Produção:Robert Tonino, Andrew van den Houten
Elenco:Sianoa Smit-McPhee, Caitlin Stasey, Sidney Allison, Shay Astar, Nadia Boceski, Michael Bowen, Brooke Butler, Amanda Grace Cooper, Jesse Hublik, Felisha Cooper, Reanin Johannink, Mike McKee, Madeleine McSweeney, Leigh Parker, Chris Petrovski, Jordan Wilson, Tom Williamson, Callan Mielnik, Dallas

Convenhamos. O gênero feminino no cinema de horror nunca teve uma representação adequada. Salvas raras exceções (Pânico, Alien e Carrie vêm a mente), a mulher, mesmo nas clássicas final girls dos anos 80, é, de maneira frequente, pobremente caracterizada, e as eventuais heroínas do terror são geralmente aquelas que reforçam estereótipos, como as virgens ou as que têm que se masculinizar para atingirem seus objetivos. Entre várias causas para isso, podemos, talvez, apontar a falta de diretoras no cinema em geral, e a comodidade dos realizadores em reforçar convenções já saturadas. Não é o caso, certamente, de Lucky McKee, cineasta independente que já havia trazido contribuições originais para o cinema e para personagens femininas com o cult May – Obsessão Assassina (2002), o filme de bruxas A Floresta (2006) e com o nada sutil de The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva (2011). Portanto, já esperávamos algo diferenciado quando All Cheerleaders Die, dirigido por McKee e seu amigo Chris Sivertson (Eu sei quem me Matou), teve sua passagem por festivais (inclusive no Brasil) em 2013. Primeira comédia de McKee após quatro longas pesados, o filme na verdade é um remake homônimo de um lançamento de 2001 feito diretamente para vídeo e de forma modestíssima após McKee e Sivertson saírem da faculdade de cinema.

Apostando numa premissa facilmente reconhecível pelo público já acostumado ao universo americano dos colégios, do football e das cheerleaders, o longa segue Maddy Killian (Stasey), uma colegial meio rebelde que durante um trabalho de classe decide filmar a curiosa fauna da escola. Entre nerds, machões e garotas populares, Maddy segue a rotina de Alexis (Cooper), uma líder de torcida popularíssima que tem um trágico fim durante uma de suas performances. Decidida a prestar uma espécie de tributo à falecida e também a executar uma vingança contra o capitão do time de futebol, Terry (Williamson) cujo motivo logo identificamos, Maddy consegue entrar para a equipe de cheerleaders no lugar de Alexis e consegue persuadir as garotas, em especial da agora namorada do jogador, Tracy (Butler), a se virarem contra Terry. Após um tenso embate entre bitches e dogs (conforme o roteiro), as garotas acabam morrendo. Mas não acaba aí. Graças as habilidades de Leena (Smit-McPhee), a então melhor amiga de Maddy, lésbica, gótica e praticante de magia, as moças conseguem voltar à vida, no entanto ligeiramente modificadas.

Todas as Cheerleaders Devem Morrer (2013) (1)

All Cheerleaders Die é um filme estranho, verdade, e é bem provável que o roteiro que passeia pelo romance, pelo gore e pela comédia, desagrade grande parte dos fãs que gostam de algo mais convencional, no entanto, é inegável que o longa não cai no tédio em nenhum momento. Embalado por uma trilha sonora dançante, embora genérica, o filme ainda se beneficia de um esperto uso de câmera vacilante que faz parecer que há sempre algo acontecendo. Ainda há a montagem bastante fluída que confere um ritmo ágil à saga de Maddy e ao elenco uniformemente engajado em seus papeis.

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Contendo ainda uma poderosa e ambiciosa mensagem nas entrelinhas, McKee e Sivertson não deixam de cutucar certas convenções do gênero, como a objetificação feminina e o herói que chega para salvar a mocinha. No entanto, o roteiro escrito a quatro mãos acaba sendo vítima dos mesmo clichês que satiriza, como personagens excessivamente rasos, o desfecho burocrático e ainda um gancho para uma eventual sequência. O veredicto é que, apesar de imperfeito como as personagens apresentadas na trama, o longa deve divertir o fã casual, mais ainda se o leitor tiver gostado de filmes como Jovens Bruxas, Garota Infernal e Atração Fatal. 🙂

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5 Comentários

  1. Juliana

    Eu amei esse filme,de primeira e agora toda vez que passa no Soave assisti,Amei e não deixaria de dar 8 em uma escala de 10,Só pecou mesmo no final sem contexto e sem explicação se teria uma sequência,e pelaa cachorras assassinadas ate porqie ali deveria ser a vingamcz delas e nao a morte,De resto o filme me agradou muito

  2. Paulinha

    Filme péssimo…me decepcionou!!!!!

  3. Kaell Poliseli

    Onde clica para curtir?

  4. Bruno .

    Não concordo com o fato de a mulher no cinema de horror não ter uma representação adequada.
    O Horror é o gênero mais inclusivo de todos e há, lógico, seus segmentos com mulheres apenas como objetos, mas há também uma variedade ENORME de filmes sobre metáforas femininas e com personagens fortes e maravilhosas.
    Esse lance de falar que a mulher no terror geralmente é subestimada é pura retórica falsa, parecendo mais mimimi militante feminista.

    • 5id

      Pior do que mimimi feminista é mimimi anti-feminista.

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