Críticas

Demon (2015)

Misturando gêneros, o longa explora o mito judaico do dybbuk, que não é um demônio, mas o espírito de uma pessoa morta que possui um vivo!

Demon (2015) 1

Demon
Original:Demon
Ano:2015•País:Polônia
Direção:Marcin Wrona
Roteiro:Marcin Wrona, Pawel Maslona
Produção:Marcin Wrona
Elenco:Itay Tiran, Agnieszka Zulewska, Tomasz Zietek, Andrzej Grabowski, Tomasz Schuchardt, Cezary Kosiński, Maria Debska, Włodzimierz Press, Adam Woronowicz

“O nosso objetivo não era para copiar filmes de terror japoneses ou espanhóis ou americanos. Eles têm seus próprios demônios, queríamos usar o nosso.” – Marcin Wrona

Quando se fala em filmes de possessão, as imagens que nos vêm à mente são de pessoas gritando blasfêmias e vomitando verde, e de padres realizando exorcismos, muitas vezes dificílimos, para tentar salvar a pobre alma. Demon, filme do polonês Marcin Wrona que passou pelos cinemas brasileiros em maio, se destaca pela diferença. Misturando drama, terror e comédia, o longa explora o mito judaico do dybbuk, que não é um demônio, mas sim o espírito de uma pessoa morta que possui um vivo.

Baseado na peça Adherence, de Piotr Rowicki (2008), Demon acompanha Piotr (Itay Tiran), um arquiteto que vive em Londres e se muda para uma cidadezinha polonesa para se casar com Zaneta (Agnieszka Zulewska) e morar na casa de campo que foi dada pelos pais da moça. No dia anterior ao casamento, Piotr encontra um esqueleto enterrado no local, mas decide guardar o segredo para si para não estragar a festa. Acontece que algo possui Piotr, e a situação piora conforme o casamento segue e a vodka flui. Logo revela-se que o que possuiu Piotr é um dybbuk, o espírito de uma jovem chamada Hana (Maria Debska), que morreu durante a Segunda Guerra Mundial.

Demon (2015)

Demon não perde muito tempo com a preparação para o casamento e a cerimônia. O momento em que a ação acontece é a festa, quando a possessão de Piotr, em uma interpretação fantástica de Itay Tiran, é confundida com uma bebedeira. E é isso que o pai de Zaneta, Zgmunt (Andrzej Grabowski). quer que os convidados pensem, menos por negação ou descrença do que pela opinião que sua família terá de si. Enquanto ele serve mais álcool para distrair o pessoal, o padre (Cezary Kosiński), já ciente da possessão e sabendo que não é capaz de realizar um exorcismo, tenta sair de fininho, mas não consegue ir embora de jeito nenhum. Mas, mesmo com os momentos cômicos, é dramático testemunhar a decadência de Piotr e o fato de Zaneta não ser capaz de fazer nada, a não ser observar enquanto todos ao seu redor parecem cegos ao que se passa.

Ainda que Marcin Wrona tenha afirmado que não queria fazer um filme sobre o Holocausto, há elementos que tocam nesta questão delicada para a Polônia, entre eles o fato de Hana ser uma moça judia que morreu durante a Guerra, e de que o único judeu na festa é um professor de História que consegue se comunicar com o espírito por falar Yiddish. São traços sutis que dão mais profundidade ao enredo, que se mantém interessante até o final do longa, quando desanda e oferece um final abrupto e ambíguo. Nada que estrague a experiência de assisti-lo, porém.

Marcin Wrona criou uma produção que vale a pena ser vista, mas, infelizmente, cometeu suicídio pouco antes da estreia de Demon em seu país de origem, em setembro do ano passado, quando o filme foi exibido no Gdynia Film Festival. Uma pena, pois sua visão prometia trazer ao gênero algo novo, diferente, tão necessário ao cenário do horror atual.

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3 Comentários

  1. Rodrigo

    Na minha humilde opinião o filme é muito confuso e um final péssimo, não gostei.

  2. Edu

    O diretor suicidou? Qual o motivo? A propósito, fiquei curioso quanto ao filme. Vou atrás assim que possível.

    • Silvana Perez Silvana Perez

      O motivo não foi divulgado, Edu.

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