Críticas

Floresta Maldita (2016)

Até bate uma vontade de ir pra tal Floresta do Suicídio depois de assistir a esse filme…

A Floresta (2016)

Floresta Maldita
Original:The Forest
Ano:2016•País:EUA
Direção:Jason Zada
Roteiro:Nick Antosca, Sarah Cornewll, Ben Ketal
Produção:David S. Goyer, David Linde, Tory Metzger
Elenco:Natalie Dormer, Eoin MacKen, Stephanie Voight, Taylor Kinney, Yukiyoshi Ozawa, Rina Takakashi

A Floresta Akogihara é uma floresta situada na base do Monte Fuji, no Japão, conhecida com Floresta do Suicídio, sendo um ambiente muito comum da prática do ato na Terra do Sol Nascente. No período do Japão Feudal, era utilizada como um Ubasute, local onde pessoas velhas e doentes eram levadas para morrer.

Algumas estatísticas não precisas apontam que até o ano de 1988, 30 pessoas praticavam suicídio no local, e esse número vem crescendo exponencialmente desde então. Em média são encontrados 100 corpos anualmente, por um pequeno time de buscas formado por policiais e voluntários, que adentram a mata uma vez ao ano à procura de cadáveres, ação realizada desde 1970 pelas autoridades. Por conta disso a floresta tem a fama de mal assombrada, morada de espíritos malignos e vingativos conhecido como Yürei, que encorajam o suicídio daqueles que adentram-na como tristeza no coração.

Uma história real sinistra, que já foi tema de vários documentários (inclusive recomendo um produzido pela VICE que dá para ver aqui) e livros, como o romance Kuroi Jukai (O Mar Negro de Árvores) de Seichô Matsumoto, que popularizou o local quando sua publicação em 1960, e chegou aos cinemas este ano de 2016 em Floresta Maldita, thriller sobrenatural americano enlatado daqueles que só o cinema de terror mainstream consegue produzir.

Floresta Maldita (2016)

Pense em um tremendo potencial de enredo e narrativa jogado completamente na lata de lixo em um roteiro inócuo, escrito a seis mãos, que resulta em uma trama genérica, previsível, cheia de clichês, com nenhuma construção de atmosfera e personagens, atuações medíocres, sustos fáceis e que segue exatamente as mesmas fórmulas e padrões tão conhecidos dos fãs do cinema de terror.

Tanto que o longa foi um fracasso de público e crítica, chegando só agora diretamente no Netflix, sem passar pelas salas de cinema, apesar do anúncio de seu lançamento nas telonas brasileiras no começo do ano, com previsão de estreia para março, porém adiado (e depois cancelado) devido á péssima recepção lá fora. Há relatos de que em alguns cinemas ainda pode-se encontrar o seu pôster figurando junto dos próximos lançamentos.

Enfim, na trama insossa, Natalie Dormer, a Margaery Tyrell de Game of Thrones, vive Sara, que resolve partir para o Japão em busca de sua irmã gêmea Jess, que havia se mudado para o país para lecionar inglês, e desaparecera após entrar na tal Floresta do Suicídio. O que me impressiona é o fato da “sorte” que isso tenha acontecido exatamente com uma pessoa que aparentemente não trabalha, é rica, e pode despender sua grana bancando uma viagem para Tóquio, se hospedar em um hotel com uma vista magnífica para a capital japonesa, e poder ficar pelo local procurando a irmã desaparecida pelo tempo que bem entender. #firstworldproblems

Floresta Maldita (2016) (1)

Ao resolver ir para Aokigahara, Sara é advertida a manter-se apenas na trilha, pois a chance de se perder no interior do local é enorme, além claro, das lendas dos Yürei. Em um bar ela conhece Aiden (Taylor Kinney), um jornalista que trabalha para uma revista de turismo australiana que pretende escrever um artigo sobre a floresta e resolve ajudá-la na busca em troca da autorização em contar sua história, auxiliados por Michi (Yukiyoshi Ozawa), uma espécie de guia não oficial, que percorre o local procurando corpos e prestando auxílio àqueles que tentam se suicidar.

Dentro da mata, eles acabam encontrando a barraca de Jess vazia, e Sara decide acampar por ali, junto de Aiden, no caso dela voltar, e continuar a busca na manhã, combinando com Michi, que não quer passar a noite ali nem a pau, para resgatá-los no dia seguinte. Obviamente algumas situações sinistras irão ocorrer, como o aparecimento de uma suposta colegial-japonesa-assombração-clichê que irá alertá-la para tomar cuidado com o moço jornalista.

Floresta Maldita (2016) (2)

Na manhã seguinte, eis que a dupla se perde, Sara começa a ficar paranoica, aterrorizada por alucinações, ouvir vozes e as forças sobrenaturais que passam a seduzi-la na tentativa de tomar sua vida, usando seus dramas familiares, de infância e sua própria irmã desaparecida como iscas. Tudo da forma mais batida possível, até escorregar para seu final completamente ordinário.

Floresta Maldita falha em todos os aspectos em que um filme de terror deveria funcionar. Não assusta, não cria nenhum clima de tensão, não promove a sensação de claustrofobia, medo e desespero de se perder no interior de uma floresta supostamente assombrada, não causa empatia pelos personagens e repete fórmula atrás de fórmula. Nem os famigerados jumpscare são capazes de fazer o espectador mais incauto dar um pulo do sofá.

Floresta Maldita (2016)

Para não dizer que absolutamente tudo é ruim, a fotografia é bem interessante, tanto captada na reluzente Tóquio à noite, quanto no interior da densa floresta, cujas externas foram filmadas na Sérvia. A direção do estreante Jason Zada é burocrática, mas a culpa nem pode recair sobre seus ombros, já que o roteiro da trinca Nick Antosca, Sarah Cornwll e Ben Keati não ajuda em absolutamente nada, sendo o verdadeiro vilão da história, mais que qualquer Yürei ou floresta maligna. E para completar a tragédia, é bom salientar que o longa é produzido por David S. Goyer, um dos principais responsáveis pelo total desastre que são os filmes baseados no universo da DC Comics no cinema.

Ao final, até bate uma vontade de ir pra Aokigahara depois de assistir Floresta Maldita

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10 Comentários

  1. Alice

    Marvete é um saco mesmo, sempre tem que meter a DC comics no meio, deixa ela em paz cara

  2. Carol

    O pior é que o próprio caráter do principal “tema” do filme (a floresta maligna que quer te atormentar até que você se mate) salienta a presença de alguns clichês, como o uso da memória dela sobre a morte dos pais e alguém sinistro tentar alertá-la sobre más intenções do rapaz que a acompanhava, sendo que a consequência disso seria ela ficar sozinha e perdida numa floresta maligna que… enfim. A trama lembra um pouco a de O Grito 2, com a protagonista indo atrás da irmã e sofrendo as consequências. Simplesmente pegaram uma trama pronta e jogaram no tema específico, uma pena

  3. Renato santos

    Vi o filme tem uns meses atrás e tava até esperançoso como ele, realmente a premissa é interessante demais, dava pra ser um horror oriental de alto nível se fosse bem feito, foi desperdiçada a idéia e agora não vai rolar outro filme com a história dessa floresta nem tão cedo.
    eu vi o filme no clima, depois de meia noite, tudo escuro, sozinho na sala e até entrei na atmosfera da floresta, mas realmente ele se perde na previsibilidade, a única parte q assutou foi visual, aquela estudante na caverna. mas tirando isso eu queria era sensação de medo constante, coisa q não teve.

  4. Italo

    Eu achei esse filme divertido, absolutamente nada novo, aquela velha fórmula de terror que o público geral odeia o final, mas gostei, esperava que o plot fosse algo bem diferente mas não fiquei tão decepcionado.

  5. Everton

    “Responsável pelo desastre da DC Comics no cinema” Marvete detected !!!

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Nerd binário detected! 😉

  6. Felipe Andrade Ceifer

    Concordo plenamente! uma decepção e desperdicio que poderia ser uma boa historia de horror.
    acho que até documentario falso seria melhor estilo do que esse!

    • Joao

      Eu li, chatissima

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