Guerra dos Mundos (2005)

Guerra dos Mundos (2005) (2)

Guerra dos Mundos
Original:War of the Worlds
Ano:2005•País:EUA
Direção:Steven Spielberg
Roteiro:Josh Friedman, David Koepp, H.G. Wells
Produção:Kathleen Kennedy, Colin Wilson
Elenco:Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins, Miranda Otto, Justin Chatwin, Rick Gonzalez, Yul Vazquez, Lenny Venito, Lisa Ann Walter, Ann Robinson, Gene Barry, David Alan Basche

O escritor inglês Herbert George Wells (1866-1946) foi o autor, entre o final do século XIX e início do XX, de várias obras que se tornaram referências para a realização de grandes filmes de ficção científica com elementos de horror. A Guerra dos Mundos é considerado um de seus mais importantes trabalhos e o que gerou uma produção maior em torno de seu tema, com filmes, programa de rádio, série de TV e revistas de histórias em quadrinhos. O livro de Wells, escrito em 1898, enfatiza uma pertinente crítica social ao imperialismo europeu que na época era praticado sobre os países pobres africanos, cujo único objetivo era se apossar dos valiosos recursos naturais das colônias.

Em 1938, o cineasta Orson Welles adaptou a história de H. G. Wells para o rádio, com resultados “devastadores“, pois milhares de pessoas acreditaram realmente que nosso planeta estava sendo invadido por criaturas hostis vindas de Marte, gerando histeria e pânico na população.

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Já em 1953, foi a vez do produtor George Pal (de preciosidades do início dos anos 50 como Destino à Lua e Colisão de Planetas) e do diretor Byron Haskin, que juntos criaram um filme que tornou-se um clássico absoluto do cinema fantástico, com um destaque para os impressionantes efeitos especiais de destruição das cidades, muito imponentes na época e até hoje magníficos, tanto que o filme foi vencedor do Prêmio Oscar nesta categoria, independente de podermos visualizar os fios que sustentavam as máquinas de guerra voadoras (na verdade, as naves eram suspensas por raios invisíveis que geravam um fluxo magnético que as mantinham acima do solo).

Aliás, a obra literária de Wells serviu de base para vários filmes cultuados como A Ilha do Dr. Moreau (com versões em 1933 e 76, além de uma refilmagem em 96 com Marlon Brando), O Homem Invisível (33), Daqui a Cem Anos (36, adaptado do livro “The Shape of Things to Come“), Os Primeiros Homens na Lua (64), A Fúria das Feras Atômicas (76, este baseado no livro “O Alimento dos Deuses“), A Máquina do Tempo (60 e refilmagem em 2002 com Guy Pearce), entre outros.

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E entre 1988 e 1990 foi lançada uma série de TV baseada no filme, mostrando eventos posteriores à invasão marciana, com uma qualidade inferior e que também teve alguns episódios lançados em vídeo VHS por aqui.

Já faz alguns anos que o cineasta Steven Spielberg tinha planos para adaptar novamente a história de um ataque marciano imaginado por H. G. Wells para o cinema, mas com o lançamento em 1996 de Independence Day, outro filme que também mostrava uma invasão alienígena com imenso poder de destruição, o famoso diretor adiou a ideia até conseguir efetivar o projeto para 2005, com um lançamento mundial em 29 de junho e nos cinemas brasileiros em 1 de julho de sua versão de Guerra dos Mundos (War of the Worlds), que traz um elenco formado pelo astro Tom Cruise, a jovem e talentosa Dakota Fanning e a bela australiana Miranda Otto, além de Tim Robbins e a narração da introdução e desfecho do experiente Morgan Freeman.

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Na história, Ray Ferrier (Tom Cruise), é um operador de guindaste que precisa ficar com seus filhos por um final de semana, enquanto sua ex-esposa, Mary Ann (Miranda Otto, dos dois últimos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis), vai fazer uma visita aos seus pais em Boston junto com o atual marido, Tim (David Alan Basche). Os filhos são o adolescente Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning, de O Amigo Oculto), os quais demonstram pouca intimidade com o pai, num relacionamento marcado pela distância entre eles.

Porém, ninguém imaginaria que o simples final de semana se transformaria num caos quando uma misteriosa tempestade proporciona um efeito climático curioso e a queda de diversos raios em um mesmo ponto, no meio de um cruzamento de ruas próximo à casa do estivador. E do local da queda dos raios surgisse uma imensa máquina de guerra vindo diretamente debaixo da terra, apoiada por três imensas pernas mecânicas articuladas, comandada por alienígenas hostis vindos de Marte com o propósito de aniquilar impiedosamente a humanidade e tomar nosso planeta para ser sua nova moradia.

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Disparando raios desintegrando pessoas e destruindo prédios com imensa facilidade, uma frota de naves de guerra se formava para um ataque planejado e devastador onde nossos exércitos e armas pareciam pouco eficazes contra o poder de destruição dos invasores alienígenas. Suas máquinas de guerra ainda possuíam enormes tentáculos que capturavam as pessoas para utilizar seu sangue como alimento.

Ray então é obrigado a mudar sua conduta e aproxima-se dos filhos, o rebelde Robbie e a pequena Rachel, que sofre de claustrofobia, para tentar salvá-los da invasão marciana numa fuga desesperada em busca de abrigo e segurança em meio ao caos de uma “guerra dos mundos“, sem contar que ainda ele teria que enfrentar a paranoia de um motorista de ambulância, Ogilvy (Tim Robbins), quando ficaram isolados em sua casa num sítio cercado pelos alienígenas com suas máquinas de destruição.

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COMENTÁRIOS E COMPARAÇÕES COM O FILME DE 1953

Atenção: os comentários a seguir contém spoilers e detalhes reveladores das histórias de ambos os filmes de 1953 e 2005.

A versão de Spielberg de Guerra dos Mundos tem uma metragem de quase duas horas com intensas sequências de devastação filmadas com grande realismo e contando com o apoio de incríveis efeitos especiais. Os principais destaques certamente são os ataques das máquinas de guerra marcianas, a cena do naufrágio da balsa, o trem incendiário, o avião derrubado sobre a casa da mãe das crianças, e a aparição dos alienígenas na casa em destroços da fazenda do lunático Ogilvy, revelando suas aparências asquerosas.

Ao contrário de algumas críticas sobre o filme alegarem que não, existe sim bastante violência na história. É claro que o tipo de destruição em massa que ocorre em cena poderia ser mais bem ilustrado com uma maior quantidade de sangue e corpos destroçados, porém isso seria bastante inviável pelo caráter comercial do filme. Podemos considerar que fatos como pessoas sendo desintegradas impiedosamente, cadáveres boiando num rio, e a pulverização de nuvens de sangue das vítimas humanas, seriam um bom motivo para considerar o filme violento e marcado por uma guerra devastadora.

A Guerra dos Mundos (1953)
A Guerra dos Mundos (1953)

Os efeitos especiais são excelentes, mostrando as naves de guerra dos marcianos como imaginado por H. G. Wells, ou seja, trípodes enormes que capturam os seres humanos com tentáculos. O filme de 1953 apresentava naves similares a cisnes ou arraias que voavam vagarosamente (ou melhor, eram suspensas por um campo magnético), e soltavam raios de calor desintegradores através de um tentáculo central, sendo que elas não tinham pernas mecânicas e nem tentáculos para capturar as pessoas. As naves de guerra chegaram ao planeta com a aterrissagem de cilindros que pareciam meteoros vindos do espaço. Já no filme de Spielberg, os trípodes foram soterrados há muito tempo pelos marcianos e estavam apenas aguardando o momento certo de serem operados e emergirem debaixo da terra para atacar a humanidade, sendo que os alienígenas invasores chegaram à Terra através de uma série de raios gerados por uma tempestade misteriosa.

A cena da casa destruída da fazenda onde uma câmera alienígena percorre seus interiores à procura de sobreviventes e a conseqüente aparição dos marcianos investigando o local, é similar em ambos os filmes, só que no clássico dos anos 50 apareceu um único marciano, com um só olho de três cores e que ainda toca com a mão de três dedos no ombro da mocinha, a atriz Ann Robinson, tornando-se uma das mais famosas cenas da história do cinema de ficção científica.

A Guerra dos Mundos (1953)
A Guerra dos Mundos (1953)

Aliás, os marcianos também são retratados de forma diferente, pois por motivos óbvios o filme de Spielberg teve bem mais recursos tecnológicos para poder criar alienígenas mais convincentes do que os da década de 50, tanto que o orçamento milionário atingiu cifras superiores a US$ 130 milhões.

A versão de 2005 centraliza toda a ação numa invasão marciana aos Estados Unidos (que eles sempre procuram retratar como o centro do mundo). Já o clássico de 1953 mostra um pouco da invasão em outros países, tentando mostrar um trabalho internacional em conjunto da humanidade na tentativa de combater o ataque dos alienígenas. Quando as máquinas de guerra começaram a cair, apareceram cenas de vários locais ao redor do planeta, com direito até a uma passada rápida pelo nosso Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor aparecendo ao fundo, e uma máquina de guerra marciana derrubada.

Um outro detalhe interessante é que no filme dos anos 50, os militares contam com a ajuda de um cientista (protagonizado por Gene Barry) e tentam destruir os marcianos com um ataque nuclear, mas nem a temível e tão poderosa bomba atômica conseguiu detê-los. Era uma época conturbada da Guerra Fria e os realizadores fizeram questão de explorar o medo das pessoas pelos efeitos de uma catástrofe nuclear. E também os produtores não perderam a oportunidade para explorar a paranoia de uma invasão comunista à América, onde muitos países foram citados no filme como vítimas dos marcianos menos a poderosa União Soviética, que na época representava a maior ameaça à liberdade dos Estados Unidos.

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O final também é parecido em ambos os filmes, com exceção daquela cena desnecessária com a família reunida na versão de 2005, pois num determinado momento uma máquina de guerra invasora cai no chão e dela sai um marciano agonizando vítima de uma simples bactéria da qual a humanidade já está imunizada.

O desfecho do filme dirigido por Steven Spielberg (que, vale lembrar, cometeu um erro grotesco ao relançar em 2002 E.T. – O Extraterrestre com os policiais segurando nas mãos um rádio comunicador em vez de armas de fogo, como na versão original de vinte anos antes), é tão dispensável que chega a incomodar, pois além de escolher um perfil idiota para o adolescente Robbie, que queria acompanhar o exército no combate aos invasores, ainda faz com que ele reapareça em segurança no final na casa da mãe, num evento bastante improvável já que ele se separou do pai no meio de um ataque mortal dos marcianos.

Curiosamente, a atriz Ann Robinson participou tanto do clássico dos anos 50, como em três episódios da série de TV em 88, em ambos os casos fazendo o papel da professora Sylvia Van Buren, e agora também do filme de Spielberg como a avó de Rachel e Robbie Ferrier (aparecendo apenas numa ponta no final), tornando-se uma especialista em Guerra dos Mundos. Aliás, essa participação, assim como a do ator Gene Barry, que foi o cientista Dr. Clayton Forrester, especialista em astrofísica e física nuclear da “Pacific Tech” no clássico de 53, como o avô das crianças, foi uma interessante homenagem dos produtores.

A Guerra dos Mundos (1953)
A Guerra dos Mundos (1953)

E o ano de 2005 teve além da versão de Steven Spielberg, a produção de uma outra refilmagem, dessa vez com bem menos impacto comercial, com direção e roteiro de David Michael Latt e elenco liderado por C. Thomas Rowell.

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

Um comentário em “Guerra dos Mundos (2005)

  • 26/06/2016 em 19:48
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    É como eu já disse nunca mexa nos filmes originais e esse aqui é um deles ,a historia é ruim e os efeitos especiais são otimos .. faltou direção ,o Spielberg perdeu á mão em dirigir filmes de ficção ele infantiliza muito .. ai o filme fica chato e estraga … eu assisti uma vez só para nunca mais ,continuo preferindo filme de 1953 limitado no (de)efeitos especiais mas historia ainda agrada há muitos bons cinefilos de plantão.

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