Críticas

The Gore Gore Girls (1972)

É um Lewis legítimo, com tudo que se espera dele: sangue, tripas, sensualidade, humor e amadorismo!

The Gore Gore Girls (1972) (1)

The Gore Gore Girls
Original:The Gore Gore Girls
Ano:1972•País:EUA
Direção:Herschell Gordon Lewis
Roteiro:Alanj J. Dachman
Produção:Herschell Gordon Lewis
Elenco:Frank Kress, Amy Farrell, Hedda Lubin, Henny Youngman, Russ Badger, Jackie Kroeger

Falar em Herschell Gordon Lewis é falar em gore e cinema de baixo orçamento. Pioneiro na exibição de vísceras e tripas e famoso pelo amadorismo em cena, Lewis fez história com obras como Banquete de Sangue (1963), Maníacos (1964) e Color Me Blood Red (1965). Seguindo sua saga de desmembramentos o diretor cometeu The Gore Gore Girls (1972), também conhecido pelo título alternativo de Blood Orgy.

Provavelmente inspirado pelo giallo, que fazia sucesso na época, o papa do gore bolou seu filme de mistério com um assassino de mulheres com luvas pretas.

Go-go girls de uma boate fuleira estão sendo, uma a uma, brutalmente assassinadas por um misterioso criminoso. Uma jovem repórter (Amy Farrell), a mando do jornal que trabalha, contrata o célebre detetive Abraham Gentry (Frank Kress) para descobrir o assassino.

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O detetive convence o dono da espelunca (Henny Youngman) a fazer um concurso de go-go girls, um pretexto para atrair o assassino, é claro. A jornalista, bêbada, acaba participando do concurso e no final temos uma revelação surpresa absurda. Assim como absurda é a morte do vilão!

O fiapo de trama serve para Lewis exibir moças dançando seminuas e cenas gráficas de violência extrema: temos aqui gargantas cortadas, olhos arrancados, crânios esmagados, um rosto mergulhado numa frigideira com batatas fritas e óleo fervendo, bicos de seios cortados com direito a jorro de leite e até nádegas estraçalhadas por um martelo de madeira de bater bife…ou quando uma garota vai fazer um balão com chiclete, e tem sua garganta cortada, cuspindo assim sangue para dentro do balão do chiclete.

Se esse menu lhe parece indigesto, não se preocupe! Tudo filmado com o selo de Herschell Gordon Lewis de qualidade, ou seja, tudo feito com efeitos baratos e precários. Impossível de ser levado a sério.

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O filme traz todas as características técnicas do cinema de Lewis: produção pobre, roteiro maluco, diálogos qualquer nota, interpretações ruins e um clima geral de amadorismo, mesmo que aqui ele já tenha mais de dez anos de carreira intensa, filmando ininterruptamente.

Aliás, depois de Gore Gore Girls Lewis largou o cinema por 30 anos, retornando apenas em 2002 com Blood Feast 2: All U Can Eat, continuação de seu famigerado clássico de 1963 que foi sua primeira investida no universo de tripas e sangues. Nesse hiato o diretor se dedicou a sua agência de publicidade e a palestras mundo afora. Ele alegou que não queria mais concorrer com cinema independente de Hollywood, que estava ficando cada vez mais violento. Pela sua visão, não havia mais espaço para as suas produções baratas, que só tinham graça enquanto ele monopolizava a podreira e a escatologia.

Do elenco pode-se dizer que Frank Kress leva seu papel com o devido espírito de brincadeira. O curioso que este é o único papel do ator no cinema. Ele simplesmente tomou chá de sumiço. Outro destaque vai para o veterano Henny Youngman, comediante e showman, ele filmou todas as suas cenas num único dia. Já o resto do elenco é ruim mesmo.

Um toque de ironias fica para a participação de feministas na trama, na verdade meia dúzia de figurantes segurando cartazes. Elas invadem a boate e impedem as apresentações das dançarinas. Numa das melhores piadas do filme, a jornalista se infiltra entre elas, para descobrir se a líder do grupo seria o assassino, só que a jornalista volta com discursos feministas para cima do detetive, que, aliás, passa o filme resistindo às investidas sexuais da moça.

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Se o filme faz galhofa com feministas, hoje é considerada uma obra controversa por sua misoginia. A maior acusação é pela brutalidade nas cenas de mortes de mulheres, como se isso não fosse diferente nos outros filmes do H. G. Lewis.

O filme inspirou a banda homônima de Detroit, formada só por mulheres. Também inspirou o título da produção underground brasileira Gore Gore Gays (1998), de Petter Baierstorf.

Embora o resultado final não tenha o carisma de Maníacos ou The Wizard of Gore (1970), é um Lewis legítimo, com tudo que se espera dele: sangue, tripas, sensualidade, humor e amadorismo. Por isso tem sua legião de fãs e merece ser conhecido, mesmo com, ou pelas, suas notórias limitações.

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