Críticas

A Noite do Desespero (1983)

Se A Noite do Desespero não alcança grandes voos, sua importância se dá ao fato de tratar homofóbicos como seres cruéis!

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A Noite do Desespero
Original:Self Defense / Siege / The Night Warriors
Ano:1983•País:Canadá
Direção:Paul Donovan a Maura O'Connell
Roteiro:Paul Donovan
Produção:Michael Donovan, Paul Donovan, Maura O'Connell, John Walsch
Elenco:Tom Nardini, Brenda Bazinet, Daryl Haney, Terry-David Després, Jack Blum, Keith Knight, Doug Lennox.

Homofobia, massacre de homossexuais, a truculência dos conservadores são coisas assustadoras que infelizmente nos deparamos em jornais e em rede sociais atualmente. Agora, você sabia que um suspense exploitation canadense, de baixíssimo orçamento e realizado no começo dos anos 80, já tratava desses temas? A produção se chama A Noite do Desespero.

Lançado nos cinemas canadenses com o título de “Self Defense“, o filme acabaria conhecido pelo título alternativo de “Siege“; ainda há outra versão na web chamada “The Night Warriors“, no Brasil foi lançado em VHS nos anos 80, pela distribuidora F. J. Lucas, como A Noite do Desespero.

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Estamos na cidade de Halifax, capital da província canadense de Nova Escócia. A polícia está em greve (na abertura o filme utiliza cenas de um noticiário de uma greve de policiais que realmente aconteceu lá em 1981 e que durou 42 dias!). Na noite, com a ausência da segurança pública, a cidade está entregue à sorte.

Logo vemos de homens tirando tacos de beisebol do porta malas de um carro…seriam assaltantes? Vândalos? Ou seriam justiceiros à la Charles Bronson, saindo a cata de marginais? Cidadãos de bem preocupados com a segurança da população? Nem uma coisa e nem outra, eles são um bando de policiais que formam uma milícia de extrema-direita que se denominam N.O. (Nova Ordem).

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O objetivo do bando é invadir um bar gay para bater e humilhar os frequentadores. Porém algo dá errado e o dono do bar acaba assassinado. Então entra em cena Cage (Doug Lennox, que entre outras coisas fez pequenos papéis em Loucademia de Polícia e no primeiro X-Men), o líder dos fascistas que começa a executar um por um dos homossexuais presentes, todos amarrados e amordaçados. No entanto um dos reféns, chamado Daniel (Terry-David Després em seu segundo e último filme no cinema), consegue fugir.

Na fuga, com os vilões no seu encalço, Daniel consegue entrar num bloco de apartamentos. Ele se refugia num apartamento onde estão reunidos Horatio (Tom Nardini, que já era veterano em seriados de TV norte-americanos), Barbara (Brenda Bazinet) e amigos. As pessoas do apartamento se negam a entregar Daniel aos seus algozes. O prédio acaba sendo cercado e começa o jogo de sobrevivência, com mortes e violência.

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Há quem alegue picaretamente que o filme teria sido baseado em fatos reais. Na verdade A Noite do Desespero se insere naquele nicho de filmes sobre violência urbana como The Warriors, de Walter Hill, Assalto à 13ª DP, de John Carpenter, e Território Inimigo, de Peter Manoogian, entre outros. O sitiamento das personagens também nos remete ao clássico Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah, e ao recente Green Room, de Jeremy Saulnier.

Dirigido pelo casal Maura O’Connell e Paul Donovan, que era roteirista e, junto com o irmão Michael Donovan, são donos da produtora Salter Street Films International. Depois de A Noite do Desespero, que marcou a estreia da produtora, eles realizariam uma interessante ficção pós-apocaliptica: Def-Con 4 (1985), também lançada em VHS no Brasil. Hoje em dia a produtora Salter Street se dedica em produzir programas humorísticos para a TV canadense.

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Até o momento Inédito em formato digital, esse legítimo canuxploitation (exploitations feitos no Canadá) leva a seu favor a premissa progressista e corajosa para a época é o grande atrativo aqui, pena que não vai muito além, não fazendo jus ao seu potencial.

O baixo orçamento e a inaptidão dos diretores travam o filme. Algumas cenas são interessantes, como a tensa sequência no bar gay e uma cena envolvendo arco e flecha, mas o conjunto no todo decepciona. O elenco fraco também ajuda a estragar o resultado final. Em mãos mais habilidosas seria um arraso. Nos tempos atuais em que fazem remake de tudo, eis uma boa ideia que poderia ser bem retrabalhada.

Foi realizado em uma época em que o preconceito aos homossexuais era grande, bastando apenas lembrar que isso foi no começo da era da AIDS, doença então chamada de “câncer gay“. Se A Noite do Desespero não alcança grandes voos, sua importância se dá ao fato de tratar homofóbicos como seres cruéis. Não é a pedrada que poderia ser, mas merece sim ser conhecido pela coragem da proposta.

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2 Comentários

  1. Paulo

    “A truculencia dos conservadores” putz….

    • Andreza

      pensei o mesmo…

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