Críticas

Avalanche de Tubarões (2014)

Quando você pensa que esse subgênero não tem como descer ainda mais o nível, alguém grita ‘avalanche’…

Avalanche de Tubarões (2014) (1)

Avalanche de Tubarões
Original:Avalanche Sharks
Ano:2014•País:Canadá
Direção:Scott Wheeler
Roteiro:Keith Shaw
Produção:Devi Singh, Stan Spry, Eric Scott Woods
Elenco:Alexander Mendeluk, Kate Nauta, Benjamin Easterday, Eric Scott Woods, Kelle Cantwell, Richard Gleason, Gina Holden, Jack Cullison, Nicole Helen, Emily Addison, Mike Ruggieri

Com o sucesso fenomenal de Sharknado, em 2013, o canal Syfy lançou uma enquete na internet para que o público escolhesse outras insanidades envolvendo ataques de tubarões. Em outubro do mesmo ano, nasceu a ideia de realizar uma continuação de Tubarões da Areia, levando as criaturas para a neve. Inicialmente chamado de Sharkalanche, o projeto passou a assumir características próprias quando o elenco do filme de 2012 não demonstrou interesse em participar da sequência, à exceção de Eric Scott Woods e Gina Holden, que faz uma ponta como enfermeira. Assim, Avalanche de Tubarões se tornou um produto único, com apenas uma fala que estabelece o link oficial entre as produções – “Vou me mudar para a Flórida. Não, lá também tem praia. E ainda ouvi dizer que tubarões estão andando nas areias agora.

Na verdade, poderia até apontá-lo como uma refilmagem. Há muito em comum entre as produções: a necessidade de fechar um evento público devido ao ataque das criaturas, a contrariedade daqueles que pensam apenas no lucro, a troca da moto pelo esqui, e até o pôster que basicamente apresenta a mesma ideia: uma loira de costas como quisesse encarar o monstro maldito. E há os absurdos de um argumento que acredita na condução dos tubarões pela neve, enquanto garotas circulam para lá e para cá com trajes mínimos apesar da temperatura abaixo de zero.

No roteiro mal escrito de Keith Shaw (do também terrível Tubarão de Malibu, 2009), dois rapazes que desciam de esqui uma montanha são surpreendidos por uma avalanche provocada por uma explosão. Nunca fica claro o motivo disso ou quem seria essa pessoa que, de repente, resolveu explodir a montanha. A neve (digital, claro) derruba o que parecem ser Totens que mantinham em repouso o Deus da VingançaSkookum” e desperta quatro tubarões-fantasma (!!), que atravessam pelo solo e atacam os jovens. Com o desaparecimento por completo, sem sangue ou vestígios de corpos, Wade (Alexander Mendeluk), o irmão de um deles, questiona o responsável pela patrulha na neve, Dale (Eric Scott Woods), que desdenha, mais preocupado em aproveitar a estação de esqui Mamute e as mulheres. O xerife (Richard Gleason), à princípio, não acredita que uma besta possa estar fazendo vítimas no local, mesmo com o relato de sua própria esposa Diana (Kate Nauta), com a experiência e conhecimento necessários. Esse papel foi escrito para Brooke Hogan, que repetiria o que fez em Tubarões da Areia, mas a atriz declinou por conflitos da agenda, deixando a vaga de bióloga marinha para Kate.

Avalanche de Tubarões (2014) (2)

Aquele velho argumento de ter que esperar 24 horas para constatar um desaparecimento é a desculpa do xerife, até mesmo para algemar o “crazy Ralph” da produção, o considerado louco Duffy (James Ouimet). “A neve vai fichar vermelha com o sangue de vocês“. Os tubarões continuam fazendo vítimas discretas, incluindo os cachorros da neve, até uma nova avalanche atingir a estação, impedindo a movimentação dos turistas no local. Por serem criaturas sobrenaturais, os tubarões não podem ser feridos, não importando o meio de ataque, ampliando a sensação de impotência dos que têm o azar de servirem de alimento rápido para as criaturas.

O longa tenta dar uma explicação mítica aos monstros, algo referente ao massacre de nativos-americanos na região. Mas soa tão forçado quanto os diálogos – “você é a bióloga marinha mais sexy que eu conheço” (pretexto para apresentar a função da esposa) – ou as cenas absurdas como a que envolve a cotovelada que Wade acidentalmente dá na namorada Madison (Kelle Cantwell, de Deadgirl, 2008), sem que isso sirva para alguma coisa no enredo. Dale disputa com Randy (Mike Ruggieri), um conquistador barato que não consegue obter sucesso, o papel de personagem mais idiota e desnecessário. Randy usa como argumento de conquista a história de “Skookum“, e ainda acrescenta dados sobre um planeta de tubarões (!!!), apenas para explicar ao público sobre as criaturas. E ainda tem uma oriental, Hiro (Amy Ninh), que, embora não fale inglês, passeia pela região e parece conhecer as lendas que envolvem os tubarões da neve.

Se Tubarões da Areia ainda tinha algum proveito por conta do humor infantil, Avalanche de Tubarões não tem absolutamente nada que se salve. A direção de Scott Wheeler, que tem experiência em efeitos visuais tendo trabalhado desde a década de 80, embora tenha no currículo outros filmes ruins como Tubarões da Areia, Mega Shark vs. Giant Octopus, Mega Piranha e outras bobagens, é bem fraquinha, buscando apenas as curvas das belíssimas garotas que surgem em cena ou o movimento radical dos esquiadores, não sabendo esconder seus monstros digitais por muito tempo.

Avalanche de Tubarões pode entrar facilmente para uma lista dos piores filmes desse subgênero, sendo incômodo do começo ao fim, da ideia absurda de usar tubarões-fantasma e tentar relacioná-los a avalanches aos personagens mal construídos, irritantes e descartáveis. Felizmente, as criaturas destinaram seus ataques a eles, ainda que tenham demorado muito para concretizar a vingança fria.

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