Críticas

Destino: Espaço Sideral (1960)

Por ser um filme curto, com apenas 72 minutos de duração, a história não chega a cansar o espectador, mas também não empolga o suficiente!

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Destino: Espaço Sideral
Original:Assignment: Outer Space/Space Men
Ano:1960•País:Itália
Direção:Antonio Margheriti
Roteiro:Ennio De Concini, Jack Wallace
Produção:Hugo Grimaldi
Elenco:Rik Van Nutter, Gabriella Farinon, David Montresor, Archie Savage, Alain Dijon, Franco Fantasia, Joe Pollini

No início da década de 1960, o diretor Antonio Margheriti, sob o pseudônimo de Anthony Dawson, fez dois filmes de baixo orçamento de ficção científica que são considerados as primeiras produções de “space opera” da Itália: Destino: Espaço Sideral (Assignment: Outer Space, 60) e O Planeta dos Desaparecidos (Battle of the Worlds, 61), ambos com roteiro de Ennio De Concini, utilizando o nome Vassilij Petrov.

A história é ambientada no futuro, onde, em 17 de dezembro de 2116, um foguete chamado “Bravo Zulu 88” parte da Terra com destino ao espaço sideral, mais precisamente a galáxia “M-12”. Depois de uma viagem muito longa, os tripulantes despertam em suas câmaras de criogenia. O grupo de astronautas é formado pelo Comandante George (David Montresor), a bela navegadora Lucy ou “Y13” (Gaby Farinon), o piloto Al ou “X15” (Archie Savage), o médico “King 116” (Joe Pollini), entre outros, e como “intruso”, temos um famoso e egocêntrico repórter americano, Ray Peterson (Rik Van Nutter), que recebeu a identificação “IZ41” e cuja presença foi imposta por questões políticas pelo Alto Comando na Terra, com o objetivo de acompanhar e registrar o voo espacial. Justamente por isso, ele não é bem recebido pelo Comandante, que o considera sem qualificações para fazer parte da equipe, gerando constantes intrigas entre eles.

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Mais tarde e após algumas aventuras no espaço protagonizadas pelo jornalista, incluindo passeios num pequeno veículo chamado de táxi, flutuando sozinho com os trajes espaciais, além de um acidente durante uma operação de reabastecimento de combustível, ocasionando a perda de grande quantidade do próprio e quase a morte de um dos tripulantes, é revelado para o repórter que os astronautas estão na verdade numa missão para interceptar uma outra nave, “Alfa 2”, que está desgovernada e errante pelo espaço, sendo controlada apenas por um computador, carregando grande quantidade de energia radioativa capaz de gerar calor suficiente para destruir a Terra.

Portanto, eles precisam urgentemente impedir a chegada da nave perdida ao nosso planeta para evitar uma catástrofe, e a única forma de deter a ameaça é entrar em seu interior para reprogramar os controles. Porém, existe um grande obstáculo a ser superado dificultando a chegada até “Alfa 2”: a existência de um estreito e perigoso corredor no espaço formado pela radiação oriunda da nave, tornando a missão ainda mais arriscada.

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“O mundo dos sentimentos humanos foi muito menos explorado que todo o Universo junto” – Comandante George

O filme é totalmente ambientado no espaço, num desfile de naves e foguetes viajando na imensidão do Universo. Não há a presença de seres alienígenas ou qualquer ameaça nesse sentido, apenas uma missão de resgate até Vênus, para impedir que uma nave sem comando possa entrar em rota de colisão com a Terra. Por ser um filme curto, com apenas 72 minutos de duração, a história não chega a cansar o espectador, mas também não empolga o suficiente. E talvez alguns monstros alienígenas bizarros pudessem resolver essa questão, trazendo mais entretenimento.

Os efeitos especiais são extremamente toscos, com maquetes simples de naves e planetas, mas até que eficientes para a época. E que divertem exatamente por causa dessas características típicas de uma produção bagaceira de FC de meio século atrás.

Destino - Espaço Sideral (1960) (4)O filme seguinte de Antonio Margheriti, O Planeta dos Desaparecidos, é mais divertido por inserir no roteiro uma invasão alienígena com discos voadores hostis, uma pequena batalha espacial e pela presença de um ator mais importante e conhecido no elenco, no caso Claude Rains, que fez o papel de um cientista excessivamente brilhante que tem a solução para todos os problemas. Já em Destino: Espaço Sideral, a presença de um jovem e galã repórter egocêntrico numa missão espacial somente reforça uma ideia de inverossimilhança, e pior ainda é que ele é o escolhido para ser o “herói” salvador. A atuação dos atores também não contribui em nada, pois as interpretações são risíveis, principalmente a atriz italiana Gaby Farinon, que só tem a beleza como fator positivo.

Mas, resumindo, o que faz de filmes como a tranqueira abordada nesse texto serem considerados divertidos e despertarem o interesse dos colecionadores e apreciadores do cinema fantástico é justamente uma somatória de bizarrices que inclui desde as interpretações ruins, as falhas absurdas no roteiro, até os efeitos toscos e precários. Ficou faltando nesse caso apenas a presença de alguns monstros alienígenas hostis, naves de outros mundos e cenas de batalhas no espaço para completar uma verdadeira sessão de cinema bagaceiro.

A “Works Editora” lançou o filme em DVD por aqui, num programa duplo que também contém o já citado O Planeta dos Desaparecidos. Como materiais extras, temos uma sinopse curta e pequenas biografias do ator americano Rik Van Nutter (1929-2005) e do cineasta Antonio Margheriti (1930-2002), que de tão superficiais são até dispensáveis. Mas, na contra capa do DVD temos em compensação um texto curto, mas interessante e informativo sobre o filme.

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