Críticas

Ed Gein – O Serial Killer (2000)

A narrativa quase em forma de documentário serve como curiosidade para quem quer conhecer mais a respeito de seus atos insanos!

Ed Gein (2000) (4)

Ed Gein - O Serial Killer
Original:In the Light of the Moon
Ano:2000•País:EUA, UK
Direção:Chuck Parello
Roteiro:Stephen Johnston
Produção:Mark Boot, Bill Cross, Hamish McAlpine, Michael Muscal
Elenco:Steve Railsback, Carrie Snodgress, Carol Mansell, Sally Champlin, Steve Blackwood, Nancy Linehan Charles, Jan Hoag, Pat Skipper

Ao assistir ao filme sobre a vida de Ed Gein, você tem a leve impressão de estar vendo mais uma ilustração daqueles programas jornalísticos sensacionalistas que aterrorizam a TV aberta no final da tarde. A diferença está nas atrocidades cometidas pelo maníaco de Wisconsin, atos tão absolutamente impressionantes e indigestos que sua arte macabra serviria de inspiração para clássicos assassinos da literatura e do cinema.

Baseado em uma história real, o que por si só já promove calafrios sem a necessidade de ousar, o filme de Chuck Parello conta a trajetória do assassino que afetou os brios de Robert Bloch, distante de Plainfield por apenas 5 milhas. O autor não apenas assume a inspiração na criação de Norman Bates, o psicopata induzido a matar seguindo os desejos da mãe, como menciona Ed Gein em sua literatura. Já Tobe Hooper fez de seu Leatherface uma caricatura do caipira, com os móveis produzidos com ossos de vítimas, ou na vestimenta de uma pele humana sob o rosto comum. O assassino Buffalo Bill, do thriller O Silêncio dos Inocentes, na criação de Thomas Harris, teve a marca de Ed Gein na caracterização de suas ações. Tantas homenagens à brutalidade do psicopata que a possibilidade de render um filme no mínimo curioso era bem grande.

Na pequena e pacata cidade de Plainfield, em Wisconsin, com apenas 642 habitantes, o demônio se esconde sob a carapuça do pacto Edward Gein. Fascinado pela mãe, Augusta (Carrie Snodgress, de A Fúria, 1978), senhora de atitudes severamente religiosas, desde pequeno Gein acompanhava seu pai no matadouro particular, arrancando sangue e tripas de um porco, antes pendurá-lo em um gancho, alternando sua visão aceitável da morte com a obrigação de ler trechos da Bíblia com o irmão, seguidos por atos de penitência e desprezo.

Ed Gein (2000) (2)A perda do pai e do irmão não o afetam tanto quanto a morte da Dona Augusta. Ed Gein (Steve Railsback) fica descontrolado e passa a adquirir hábitos estranhos como ler a respeito de canibalismo, reencarnação e estudos sobre a anatomia feminina. Daí para começar a furtar cadáveres femininos para experiências mórbidas em sua fazenda é apenas um passo. Com o “material” adquirido no cemitério da cidade, Gein começa a desenvolver objetos macabros: um bracelete, um abajur e um tambor feitos de pele humana; um crânio usado como tigela de sopa; um cinto de mamilos…

Atormentado pelo fantasma de sua mãe, ele começa a buscar matéria-prima fresca, matando os “pecadores” da cidade sem medo de chamar a atenção: uma garçonete maliciosa, uma vendedora esnobe ou quem mais cruzar seu caminho e não seguir os preceitos ensinados por sua mãe religiosa. Além de matá-las, ele também retira a pele e drena o sangue em seu celeiro, onde outrora seu pai lhe ensinara a fazer com porcos. Depois de uma série de crimes, Gein acabou deixando a máscara cair e sua fazenda dos horrores foi exposta ao público, que, até hoje não consegue acreditar nas maldades cometidas pelo fazendeiro.

Ed Gein – O Serial Killer choca por se tratar de eventos reais, acrescidos de cenas e pessoas que conviveram com o assassino na época. Sua narrativa quase em forma de documentário serve como curiosidade para quem quer conhecer mais a respeito de seus atos insanos. Railsback, de Força Sinistra (1985), personificou o psicopata de maneira extremamente eficaz, aproveitando de sua aparência similar e frieza nas ações. O enredo de Stephen Johnston contribuiu bastante para o bom rendimento da narrativa, tanto que depois ele faria a cinebiografia de Ted Bundy e do estrangulador de Hillside. Já o diretor Chuck Parello, que antes havia feito o fraco Henry II: Portrait of a Serial Killer (1996), faz um trabalho correto, sem surpresas.

Depois, Ed Gein seria mais uma vez lembrado nos cinemas com Ed Gein: The Butcher of Plainfield (2007), de Michael Feifer, bem inferior, principalmente pela atuação exagerada de Kane Hodder. Steve Railsback continua sendo o rosto mais próximo do assassino de Wisconsin, como se o ator tivesse tirado a pele da face do verdadeiro Ed Gein e a tenha vestido para uma dança sob a iluminação da lua.

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1 Comentário

  1. Elton

    Vi esse filme, e achei legal. Eu imaginava um filme sobre o “Ed Gein” um pouco mais pesado, mas de qualquer maneira, deu pra entender a bizzarrice do cara.

    Marcelo Milici, continue com os Podcasts heheh
    O site de vocês é demais!

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