Críticas

O Planeta dos Desaparecidos (1961)

É uma “space opera” cujo roteiro tem muitos furos, algo que de certa forma já seria esperado num filme bagaceiro de FC!

O Planeta dos Desaparecidos (1961) (2)

O Planeta dos Desaparecidos
Original:Il pianeta degli uomini spenti/Battle of the Worlds
Ano:1961•País:Itália
Direção:Antonio Margheriti
Roteiro:Ennio De Concini
Produção:Giorgio Giovannini
Elenco:Claude Rains, Bill Carter, Umberto Orsini, Maya Brent, Jacqueline Derval, Renzo Palmer, Carlo D'Angelo

A “Works Editora” lançou em DVD no Brasil um pacote com vários filmes divertidos de baixo orçamento, numa coleção de Ficção Científica com produções principalmente dos anos 50 e 60 do século passado, feitas nos Estados Unidos, Itália e Japão. Desse pacote com 10 DVD´s e dois filmes em cada, temos O Planeta dos Desaparecidos (Battle of the Worlds, 1961), que divide o disco com Destino: Espaço Sideral (Assignment: Outer Space, 1960), ambos filmes italianos dirigidos por Antonio Margheriti.

Como materiais extras, temos apenas uma sinopse (ridícula de tão curta e superficial, que nem deveria existir), e as biografias curtas e inexpressivas do cineasta Antonio Margheriti e do ator inglês Claude Rains. Mas, em compensação, o texto informativo que vem na contra capa do DVD, de autoria de Edson Negromonte, tem grande qualidade e merece ser enaltecido.

A história, de autoria de Ennio De Concini, é simples, como a maioria dos roteiros carregados de exageros daquele período divertido do cinema fantástico. Mas, mesmo assim, esses roteiros sempre despertaram um interesse especial pela presença de naves espaciais, discos voadores, planetas desconhecidos, estações de pesquisa, instrumentos, equipamentos e vestuário futuristas, e todos os elementos tradicionais dos filmes bagaceiros de ficção científica do passado.

O Planeta dos Desaparecidos (1961) (1)

O célebre cientista Prof. Benson (Claude Rains) descobriu a princípio que um planeta está viajando pelo espaço e numa rota de colisão com a Terra. Apelidado por ele como “Forasteiro” (no inglês, “Outsider”), mais tarde e após uma análise com cálculos matemáticos complexos, o homem da ciência corrigiu a informação inicial e avisou que o planeta não deveria mais se chocar com o nosso mundo. Entretanto, sua aproximação traz como consequências grandes alterações climáticas ao redor do globo, entre tempestades, inundações e furacões.

E, após verificar que o planeta intruso permaneceu misteriosamente estacionado em órbita da Terra, a situação ficou ainda mais preocupante. O comando terrestre, que possui bases e estações de pesquisa estabelecidas na nossa lua e em Marte, e é liderado pelo Comandante Robert Cole (Bill Carter), decide interceptar o planeta enviando uma nave em missão de reconhecimento, a qual foi recebida com hostilidade pelo invasor com um ataque de uma frota de discos voadores.

Após interceptarem uma nave alienígena, que cai em solo terrestre, e descobrirem que são monitoradas à distância, sem pilotos, o Prof. Benson inventou uma forma de neutralizar os discos voadores e os oficiais decidiram fazer uma nova viagem ao planeta forasteiro, levando agora o famoso cientista com eles, além de sua assistente, Eve Barnett (Maya Brent), e seu noivo, o astrônomo Dr. Fred Steele (Umberto Orsini), entre outros. Lá chegando, a expedição descobriu em seu interior a existência de um imenso cérebro eletrônico responsável pelo controle do planeta, e que precisa ser desativado antes que uma guerra interplanetária tenha início e possa significar o fim da Terra.

“Os sentimentos humanos são inconsistentes. Na verdade, eles são os únicos elementos inconsistentes em toda a natureza”
– Prof. Benson, um cientista exageradamente abnegado e excêntrico

O Planeta dos Desaparecidos (1961) (3)O Planeta dos Desaparecidos é uma “space opera” cujo roteiro tem muitos furos, algo que de certa forma já seria esperado num filme bagaceiro de FC. Alguns poucos exemplos que podem ser citados:

* o fato do cientista Prof. Benson ser tão rápido e infalível em seus cálculos, parecendo ser o único cientista capaz de uma série de descobertas sucessivas incríveis no mundo todo, além de demonstrar uma improvável autoridade sobre os oficiais do alto comando (claro que é bastante providencial ao roteiro que toda a trama deva girar em torno dele e do ator Claude Rains);

* os graves problemas climáticos que assolam a Terra por causa da proximidade do planetoide intruso, misteriosamente (e também de forma oportuna para o autor da história), não afetam a ilha onde está localizada a estação de observação e a casa do Prof. Benson, e de onde foi descoberta a chegada do “Forasteiro”;

* temos as presenças dispensáveis das duas principais mulheres do filme, Eve, a noiva do astrônomo Fred Steele, e Cathy (Carol Danell), esposa do Comandante Robert Cole, as quais não possuem função relevante na trama, parecendo mesmo que as atrizes foram escaladas para o elenco apenas para não faltarem belas mulheres no filme.

Os efeitos especiais compõem a parte mais divertida de O Planeta dos Desaparecidos, muito interessantes para a época de produção, há mais de 50 anos, com as maquetes dos foguetes espaciais terrestres e os discos voadores alienígenas, a representação da estação de pesquisa marciana, a ambientação do planeta “forasteiro”, a batalha espacial, etc. É extremamente curioso notar que dezesseis anos depois, em 1977, George Lucas revolucionou esses efeitos com o clássico Star Wars, e atualmente no início do século 21, com a crescente tecnologia de computação gráfica, todos esses efeitos especiais datados passaram logicamente a serem considerados hilários e toscos.

O italiano Antonio Margheriti (1930-2002) tem uma carreira extensa de quase 40 anos, dividido entre a direção, roteiro e produção, sendo que na maioria de seus filmes ele utilizou o pseudônimo Anthony Dawson. Ele dirigiu Castle of Blood / Danza Macabra (1964), com Barbara Steele, e Cannibal Apocalypse (1980), com John Saxon, entre outros.

Claude Rains (1889-1967) é um rosto conhecido no cinema fantástico, tendo estrelado filmes importantes como O Homem Invisível (1933, aqui ele é o cientista que descobre a invisibilidade, inspirado no livro de H. G. Wells), O Lobisomem (41, aqui faz o papel de Sir John Talbot, o pai do homem amaldiçoado pela licantropia), O Fantasma da Ópera (1943, como o personagem título da obra literária de Gaston Leroux) e O Mundo Perdido (1960, como o arrogante cientista e explorador Prof. Challenger, baseado no divertido livro de Sir Arthur Conan Doyle). Curiosamente, o ator italiano Giuliano Gemma, que ainda era desconhecido e interpretou apenas um papel pequeno nesse que é um de seus primeiros filmes, iria se tornar famoso mais tarde principalmente em diversos “spaghetti westerns”.

“Se abrissem seu peito, achariam uma fórmula no lugar de seu coração”
– Comandante Robert Cole, falando sobre o Prof. Benson

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