Críticas

Drácula, o Perfil do Diabo (1968)

Tem Lee e não faltam os esperados elementos tão característicos do horror gótico que se transformaram na marca registrada da Hammer!

Drácula, o Perfil do Diabo (1968) (4)

Drácula, o Perfil do Diabo
Original:Dracula Has Risen from the Grave
Ano:1968•País:UK
Direção:Freddie Francis
Roteiro:Anthony Hinds
Produção:Aida Young
Elenco:Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing, Barry Andrews, Ewan Hooper, Marion Mathie, Michael Ripper, John D. Collins, George A. Cooper

Terceiro filme da produtora inglesa “Hammer” com o famoso vampiro Drácula interpretado por Christopher Lee. Antes tivemos O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, 1958) e Drácula: Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness, 1966), e depois mais quatro filmes, O Sangue de Drácula (Taste the Blood of Dracula, 1970), O Conde Drácula (Scars of Dracula, 1970), Drácula no Mundo da Mini Saia (Dracula AD 1972, 1972) e Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula, 1973).

Drácula, o Perfil do Diabo tem direção de Freddie Francis e roteiro de Anthony Hinds, creditado como John Elder. A história se passa um ano após os eventos do filme anterior, com a chegada do monsenhor Ernst Muller (Rupert Davies) ao vilarejo próximo do castelo de Drácula. Vendo que os aldeões continuavam aterrorizados mesmo após a suposta destruição do vampiro, ele decide subir ao castelo no alto das montanhas para recitar em latim um ritual de exorcismo, deixando uma imensa cruz na porta da imponente e sombria construção de pedra. Ele é acompanhado pelo padre local (Ewan Hooper). Após um acidente com sua queda e um ferimento na cabeça, seu sangue ressuscita o cadáver de Drácula, preso nas águas congeladas próximas ao castelo.

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A criatura da noite ressurge e transforma o padre em seu servo, partindo para a vingança contra o monsenhor que lacrou a porta do castelo com a cruz. Chegando a uma pequena cidade vizinha, ele espalha o horror fazendo vítimas como Zena (Barbara Ewing), a garçonete de um bar, e tem um interesse especial na jovem Maria. Ela é sobrinha do monsenhor e é interpretada pela bela Veronica Carlson, de filmes como Frankenstein Tem Que Ser Destruído (1969), O Horror de Frankenstein (1970) e O Carniçal (1975). Drácula tem que enfrentar uma batalha contra o namorado ateu da moça, Paul (Barry Andrews), que trabalha na pousada de Max (Michael Ripper, o recordista de papéis coadjuvantes na “Hammer”).

Se no filme anterior, Drácula: O Príncipe das Trevas, o vampiro não diz uma única palavra, por imposição de Christopher Lee, insatisfeito com o roteiro e receoso por alguma repercussão negativa do personagem, em Drácula, o Perfil do Diabo, o temível vampiro sugador de sangue tem até algumas falas, mas são poucas. Sempre rude e agindo com selvageria e violência, certamente seria mais interessante se Drácula tivesse uma participação maior. Suas expressões faciais continuam intimidadoras e seus olhos vermelhos de sangue traduzem o ódio e horror de forma avassaladora. Mas, o vampiro aparece pouco, no meio de uma história comum e previsível, onde sabemos sempre antecipadamente como será o desfecho num confronto final (similar em todos os filmes com o vampiro, nem sendo mais considerado um “spoiler”). Geralmente sabemos o destino dos personagens, e nesse filme as coisas não são diferentes, contando ainda com um acréscimo de moralismo religioso católico.

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Por outro lado, não faltam as esperadas cenas e elementos tão característicos do horror gótico que se transformaram na marca registrada da “Hammer”, motivo maior da existência de uma imensa legião de cultuadores eternos que o estúdio ganhou a partir de suas atividades iniciadas em meados dos anos 50 e permanecendo por mais duas décadas. Temos o castelo sombrio, as carruagens, os vilarejos em pânico com seus aldeões supersticiosos, as névoas sinistras, a floresta fantasmagórica e aquela atmosfera constantemente perturbadora de medo e insegurança.

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Curiosamente, o mesmo ritual de exorcismo recitado em latim que foi proferido pelo monsenhor para livrar o castelo de Drácula do mal absoluto foi também reproduzido na introdução de uma música da banda de metal extremo “Marduk” (Suécia). Trata-se da faixa “Accuser / Opposer”, do álbum “Rom 5:12” (2007). No “Youtube” tem vários vídeos dessa música, segue dois deles:

(sendo este um show na Alemanha em 2008).

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