Críticas, Quadrinhos

Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp (2016)

Um espetáculo de violência e sangue tão fascinante quanto repugnante!

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Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp
Original:Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp
Ano:2016•País:EUA
Páginas:136• Autor:Geof Darrow•Editora: Mino

À primeira vista Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp, lançado recentemente no Brasil pela Editora Mino, não passa de um desfile exagerado de violência sem limites fornecido por Geof Darrow, um dos maiores monstros dos quadrinhos americanos de hoje e sempre. Mas Shaolin Cowboy também é um desbunde visual carregado de detalhes com um traço espetacular, igualmente fornecido pelo monstro Darrow. O leitor mais atento e politizado ainda vai perceber uma ácida e dura crítica ao crescimento do conservadorismo nos EUA, e ao redor do mundo também. Segundo alguns textos de divulgação da HQ nos EUA, os zumbis da história transformaram a juventude americana em um infinito “buffet de Shemp”.

ShaolinCowboy_preview_01 (6)Shemp foi o “quarto Pateta” que sofreu um ataque cardíaco e morreu logo no início de sua carreira no cinema. Graças a cláusulas contratuais, a Columbia Picures, responsável pelos filmes dos Três Patetas, usou alguns truques e dublês para estender a carreira de Shemp para além do seu falecimento e cumprir o contrato inicial entregando a quantidade de filmes prometida. Tal recurso ficou famoso e até hoje, este tipo de substituição é chamado de Shemp. Darrow se refere à uma juventude substituída por zumbis raivosos servindo à fome dos políticos conservadores.

Ou não.

O que importa é que Shaolin Cowboy é uma aula de narrativa gráfica. Quase sem balões, a história sobre um monge que enfrenta uma horda de zumbis com duas motosserras presas a um bambu, poderia se tornar uma leitura instantânea e descartável, mas acaba prendendo o leitor pela quantidade de detalhes espalhados por cada quadro, cada página. A infinidade de zumbis em cena, todos nus e personalizados individualmente, detém o olhar do leitor que passeia por cada centímetro quadrado de Shaolin Cowboy com uma atenção dedicada a poucas HQs. A belíssima paleta de cores de Dave Stewart facilita a leitura com tons mais suaves que amenizam a violência e não cansam a vista nesta caçada pelos detalhes escondidos nos quadros.

ShaolinCowboy_preview_01 (3)Como de costume, a edição da Mino é um primor gráfico e editorial. Em um formato diferenciado, capa dura e papel couchê de alta gramatura, a edição realça a arte de Darrow, mas é no trabalho de tradução que a editora merece todos os parabéns. O texto introdutório da HQ, recheado de trocadilhos, foi primorosamente traduzido por Paulo Cecconni, que conseguiu um verdadeiro milagre e manteve o texto hilário. Se você é daqueles que pula as introduções de seus gibis, vai perder uma das melhores coisas de Shaolin Cowboy.

Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp não é uma leitura para qualquer um. Tanto pela violência gráfica e nudez quanto pelo estilo da leitura, a HQ certamente terá alguns detratores. Mas se você, assim como eu, procura algo que desafia os padrões vigentes nas artes e cultura, Geof Darrow pode te entregar alguma novidade e diversão em um espetáculo de violência e sangue tão fascinante quanto repugnante.

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: [email protected]

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