Críticas

Terror na Estrada (2015)

Duas lições importantes deste filme: não dê carona para estranhos e não assista sem uma garrafa de café para não dormir!

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Terror na Estrada
Original:Curve
Ano:2015•País:EUA
Direção:Iain Softley
Roteiro:Kimberly Lofstrom Johnson, Lee Patterson
Produção:Jaume Collet-Serra, Jason Blum, Juan Sola, Julie Yorn
Elenco:Julianne Hough, Teddy Sears, Penelope Mitchell, Madalyn Horcher, Drew Rausch

O produtor Jason Blum de uns tempos para cá é o novo queridinho da indústria de cinema de horror. Colocando dinheiro em tudo o que vê pela frente, sua eficiência em fazer de pequenos filmes em sucessos expressivos de bilheteria chama muita atenção. Pegue as franquias Atividade Paranormal (do 2 para frente), Uma Noite de Crime, Sobrenatural, A Entidade e verá que seus mais de 10 filmes lançados por ano trazem retorno garantido.

A máxima “quantidade não tem nada a ver com qualidade” também se aplica ao que Blum produz, e para cada O Presente (2015) e Whiplash (2014), existem dois ou três Área 51 (2015) ou Ouija (2014). Terror na Estrada (deve ter uns 450 filmes com este título no catálogo), dirigido por Iain Softley (A Chave Mestra) faz parte da segunda categoria.

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Apesar de o título original poder ser traduzido para “curva“, a história, de fato, é extremamente linear: uma jovem noiva chamada Mallory Rutledge (Julianne Hough) está atravessando o país de caminhonete para casar com o homem dos seus sonhos, quando um telefonema de sua irmã, Ella (Penelope Mitchell) a faz mudar o percurso para sair um pouco do caminho e conhecer o Grand Canyon. Do nada a caminhonete vagabunda morre no meio da estrada sem qualquer vista de civilização por perto.

Seria uma história bem entediante se não fosse um andarilho bem apessoado chamado Christian Laughton (Teddy Sears, o Jay Garrick do seriado The Flash) que lhe oferece assistência e consegue fazer o motor funcionar novamente. Mallory em contrapartida resolve dar uma carona para o estranho.

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A obviedade trazida pela fórmula da cartilha do horror diz que este simpático caroneiro não é quem ele diz ser… E, como previsto, ele puxa uma faca e ordena que ela faça um desvio para um motel abandonado no fim de uma estrada secundária.

Inesperado é que, notando que Christian não está usando o cinto de segurança, ela resolve acelerar com o carro na direção de um penhasco, o que pode não ser o melhor dos planos, mas é o que tinha para hoje. Contra todas as possibilidades – e afrontando a lógica – o carro capota e Christian ainda está vivo, apenas desmaiado, e Mallory está ferida e com a perna presa nos destroços.

Christian desperta e resolve deixar a garota a sua própria sorte, saindo para atormentar outras pessoas (mas voltando ocasionalmente, claro), ao passo que Malory precisa lutar para sobreviver com poucos recursos, sem poder sair do lugar.

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Terror na Estrada essencialmente é dividido em três partes, o início que remete a A Morte pede Carona; o meio, um suspense de sobrevivência do tipo 127 Horas; e o final, um thrillerqualquer nota“, como um torture porn de terceira categoria… E todas elas são chatas e carregadas de problemas.

O roteiro não tem absolutamente nada além da sinopse para mostrar e o diretor não faz nada para desviar a sensação de que estamos vendo uma parede recém-pintada secando. Sem muito novo no arsenal, a produção parece criar um momento de autoconsciência quando o antagonista Christian diz: “A culpa não é minha. Você resolveu aceitar minha ajuda, resolveu me dar carona e quando poderia ter me deixado, ainda assim aceitou continuar“.

Grande verdade. Não bastasse a história seguir um caminho bem conhecido, a coerência é jogada para as cucuias quando Malory (e outros personagens) tem infinitas chances de escapar, pedir ajuda ou eliminar Christian das formas mais fáceis, porém a escolha mais certa nunca é a usada… Desculpe o potencial spoiler (não que seja relevante), mas mesmo na etapa final, quando Malory tem a chance da desforra e com todo o tempo e espaço para agir, ela consegue se encurralar dando outra chance para o vilão investir novamente. E eu nem vou falar da cena do celular para não perder a amizade…

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Essa falsa sensação de desalento é reforçada pela falta de motivação dos personagens, já que Christian só serve para aporrinhar os outros e Malory não demonstra qualquer diferença ou vontade de sair de onde está presa no carro. Para não ser injusto, pelo menos a fotografia é interessante e Teddy Sears faz um bom trabalho em seu papel, mesmo ausente em 50% do filme.

Um “rape and revenge” sem “rape” e com quase nada de “revenge“, assistir a Terror na Estrada só vai te fazer sentir mais vontade de rodar A Morte pede Carona novamente. As curvas se acabam e, por este filme, eu não vou mais passar.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: [email protected]

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