The Piper (2015)

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The Piper
Original:Sonnim
Ano:2015•País:Coreia do Sul
Direção:Kim Kwang-Tae
Roteiro:Kim Kwang-Tae
Produção:Kim Dong-Woo, Lee Han, Kim Kyoung-Joon
Elenco:Ryu Seung-Ryong, Chun Woo-Hee, Jeon Gook-Hwan, Goo Seung-Hyun

O que esperar de uma versão sul coreana da fábula do Flautista de Hamelin? Fantasia, encanto, mas também horror, violência e, é claro, a especialidade da casa: vingança, ingrediente que já era presente na história original, diga-se de passagem.

Estamos no interior da Coreia do Sul, temporalmente situado na década de 1950, logo após a Guerra da Coreia (1950-1953). Um flautista andarilho (Ryu Seung-Ryong), manco e maltrapilho, e seu filho pequeno e tuberculoso (interpretado por Goo Seung-Hyun), atravessam o país em direção a capital Seul, na esperança de arranjar tratamento para o menino doente.

A dupla para em um vilarejo isolado no meio da floresta. O líder local (Jeon Gook-Hwan, de Eu Vi o Diabo) mantém a população local controlados por uma mentira, de que a guerra ainda estava em andamento e que os habitantes, se resolvessem sair da aldeia, poderiam sofrer um ataque dos comunistas. Para reforçar a farsa política, o tirano conta com a ajuda de uma garota (Chun Woo-Hee), que se passa pela xamã local, controlando assim as pessoas no fator religioso, e por quem o flautista acaba se apaixonando. Como se não bastasse tanta hipocrisia, a população sofre com a presença de centenas de ratos que pesteiam a região.

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O flautista se prontifica a livrar a aldeia dos ratos em troca de um pagamento que financiaria sua viagem até Seul. Com a utilização de pós, fumaça e a música de sua flauta, o homem consegue o intento. Porém, na hora do pagamento, não só toma calote, como é praticamente linchado pela população, insuflada pelo seu líder, que coloca na cabeça do povo de que o pobre flautista seria um agente comunista.

Expulso e ferido, entre outras coisas, o andarilho prepara sua vingança.

A fábula imortalizada pelos Irmãos Grimm versava sobre um flautista que expulsava os ratos da cidade de Hamelin, na Alemanha, mediante o calote do povo. Ele enfeitiça as crianças e as leva até uma caverna (em algumas variações da história, afoga-as em um rio). O que pouca gente sabe é que essa parábola é baseado em um intrigante fato real. Em 26 de junho de 1284, um flautista, de roupas multicoloridas, raptou em torno de 130 crianças de Hamelin, que nunca foram encontradas. Enquanto o estranho levava as crianças embora, os adultos se escondiam na igreja local, pois morriam de medo do flautista. Há registro dessa história estranha inclusive na prefeitura de Hamelin, e o museu local expõe os sapatinhos de couro das supostas crianças desaparecidas. As teorias sobre o flautista variam de magia negra (propício as superstições da época), de que o viajante seria um serial killer, até abdução alienígena. Os ratos foram introduzidos na história apenas mais tarde, para dar motivação e estofo à lenda.

Levada as telas inúmeras vezes, normalmente no formato de animação. Como live action há inclusive uma versão da Alemanha Pré-expressionista de 1918, dirigida e protagonizada por Paul Wegener (The Golem). Este flautista da Coreia apresenta algumas variações da história original, como a introdução do filho do flautista, até sua vingança, que não poupa os adultos de um flagelo físico.

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Ótima estreia do diretor e roteirista Kim Kwang-Tae, que conduz o filme de forma leve, com momentos ora cômicos, ora melodramáticos, num tom de fábula. Porém na parte final, ele fecha o tempo, tornando a obra sombria, violenta e brutal. Num contraste calculadamente chocante.

A fotografia, roteiro, interpretações e trilha estão de parabéns. O único senão é para alguns efeitos em CGI e um ou outro momento dispensável, mas que no computo geral se deixa perdoar diante de tantas qualidades.

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The Piper além do tema vingança, tão ao gosto dos sul coreanos (Park Chan-Wook e Kim Ki-Duk que o digam), também trata de temas atemporais como alienação e intolerância política.

Enfim, The Piper é uma grata surpresa vinda da Coreia do Sul, país que não para de brotar ótimas obras, intensas e viscerais. Uma das melhores obras da safra recente do cinema fantástico.

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Paulo Blob

Paulo Blob

Nascido em Cachoeirinha, editou o zine punk: Foco de Revolta e criou o Blog do Blob. É colunista do site O Café e do portal Gore Boulevard!

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