Críticas

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição (2016)

A franquia assume seu comentário político, mesmo que sacrifique o horror pelo caminho

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12 Horas Para Sobreviver - O Ano da Eleição
Original:The Purge: Election Year
Ano:2016•País:EUA
Direção:James DeMonaco
Roteiro:James DeMonaco
Produção:Michael Bay, Jason Blum, Andrew Form
Elenco:Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge, Kyle Secor

Este é um dos anos mais perigosos para ser cidadão dos Estados Unidos. Pela primeira vez um narcisista egocêntrico declaradamente despreparado e instável tem chances reais de ascender ao cargo mais importante do mundo livre como o conhecemos. Por si só um filme de terror, as eleições americanas deste ano é um caldeirão de expectativa, tensão e reviravoltas. Propositadamente ou não, é um tempo oportuno para que o terceiro filme da franquia The Purge (lançada inicialmente no Brasil como Uma Noite de Crime e inexplicavelmente alterada para 12 Horas Para Sobreviver), cuja crítica ao sistema político e a desigualdade social envelopada em um horror barato e rasteiro vinha ocorrendo desde o original, nunca nos níveis desta terceira instalação. Um diálogo raso, é verdade, porém constante.

A história se passa no ano de 2040, anos após os eventos de Uma Noite de Crime: Anarquia. O sargento Leo Barnes (Frank Grillo, retornando ao papel) se torna o chefe de segurança da senadora e candidata a presidência Charlie Roan (Elizabeth Mitchell, Lost) cujo principal mote de campanha é acabar de vez com A Purgação, que virou um grande evento até para estrangeiros. Para quem não assistiu os outros filmes da franquia, a Purgação é um evento anual onde por 12 horas todos os crimes, inclusive assassinato, não tem qualquer consequência legal. Segundo seus idealizadores, seria uma forma de o povo extravasar suas frustrações, consequentemente diminuindo os índices de criminalidade no país.

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O candidato da situação, Edwidge Owens (Kyle Secor), um inflamado fanático religioso extremista no melhor estilo Trump/Bolsonaro/Feliciano, é vinculado a poderosa instituição NFFA, que teme que a iminente ascensão da senadora coloque em risco seu status quo e sua riqueza e poderio incrementada a cada Purgação.

Em um movimento para eliminar Charlie Roan, a NFFA toma a posição sem precedentes de abolir a proteção para oficiais de governo de ranking 10 na noite da Purgação, tornando todos os oficiais vulneráveis. Na noite propícia, um grupo paramilitar contratado pela organização atenta contra a vida da senadora, que consegue escapar graças ao leal sargento Barnes. Com 12 horas para sobreviver, Barnes precisa proteger Roan enquanto procura segurança se aliando com alguns de seus eleitores oprimidos pelas táticas da NFFA.

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Se o primeiro funcionava como conceito e tinha elementos claustrofóbicos, a ambientação deste terceiro é muito mais uma continuação direta do anterior, Uma Noite de Crime: Anarquia, levando a batalha para as ruas, porém não espere um filme de horror, propriamente dito. Embora tenha seus momentos amedrontadores e as fantasias e máscaras bizarras tentam vender uma estética para encher os pôsteres e trailers, forçosamente tentando nos lembrar onde estamos, pela própria condução do roteiro parece muito mais que acompanhamos um jogo de gato e rato junto com Snake Plissken no futuro distópico de Fuga de Nova York (1981).

Como nos anteriores, apesar de haver inúmeras críticas políticas, não há nuances ou intrigas e todos os vilões e mocinhos são constantemente delineados. E em algumas cenas é até irritante do tanto de exposição que é necessário para sublinhar o quanto os protagonistas são bons e o restante é malvado. O elenco fraco ajuda a reforçar estes estereótipos.

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A violência e a bizarrice do dia da Purgação, característica constante da franquia, também estão presentes, mas em menor monta. Novidades com potencial, como o culto fanático da elite, são somente pinceladas enquanto a trama principal é conduzida de maneira linear, em idas e vindas, por longos 109 minutos…. Uma infinidade em se tratando de algo tão simplório, ainda que o ritmo imprimido pelo diretor recorrente James DeMonaco deixa poucos espaços vazios.

Sem ser exatamente marcante, mas longe de ser ruim, o porquinho garantido da Blumhouse Productions tem n’O Ano da Eleição seu produto mais lucrativo até o momento, rendendo mais de 100 milhões de dólares para somente 10 milhões de orçamento, garantindo a sobrevivência da Purgação por vários anos. Se o interesse do público após o término se manterá depois deste bizarro ano eleitoral é outra questão.

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2 Comentários

  1. Geison Cesar de Oliveira

    A essência misantropa do filme é sensacional.

  2. Ricardo

    Gostei do terceiro, mas o final ficou repetitivo e previsível. Continuo gostando mais do segundo. Vale lembrar que a cada filme eles mostram mais detalhes sobre a noite da purgação, como, por exemplo, o caminhão que recolhe os cadáveres nas ruas e os estrangeiros que viajam pra lá pra fazer atrocidades.

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