Críticas

31 (2016)

Falsos palhaços promovem violência na obra mais pura de Rob Zombie. Só que não é bom.

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31
Original:31
Ano:2016•País:EUA/UK
Direção:Rob Zombie
Roteiro:Rob Zombie
Produção:Rob Zombie, Mike Elliott, Andy Gould, Michael Sherman, Matthew Perniciaro e Eddie Vaisman
Elenco:Sheri Moon Zombie, Jeff Daniel Phillips, Meg Foster, Richard Brake, Lawrence Hilton-Jacobs, Kevin Jackson, Elizabeth Daily, Tracey Walter, Ginger Lynn e Malcolm McDowell

Ao ser anunciado como o novo projeto de Rob Zombie, 31 surgiu como uma incógnita. A trama não foi anunciada previamente, garantindo o suspense e a curiosidade – mesmo de quem já se convenceu da falta de talento de Zombie como diretor. A chegada das primeiras imagens de 31 na internet revelaram o que estava por vir: palhaços. Ou melhor dizendo, assassinos vestidos como palhaços. Algo já utilizado antes por Zombie em seus filmes .

Usando o recurso de financiamento coletivo, Rob Zombie conseguiu o dinheiro necessário para 31, o que levou o filme a ter ainda menos do que As Senhoras de Salem, lançado em 2012, ao custo de dois milhões e meio de dólares. A relação pouco dinheiro-mais liberdade, muitas vezes invocada por apreciadores do horror de baixo orçamento, pode não funcionar da maneira certa com um cineasta como Rob Zombie.

31 (2016)

Treze anos após a sua estreia como diretor em A Casa dos Mil Corpos, Zombie parece ter usado todas as balas do cartucho. Até chegou a recarregar a munição e diversificar quando fez a animação The Haunted World of El Superbeasto (2009) ou mesmo ao assinar um episódio de CSI: Miami em 2010. Pena que volta a cometer os mesmos erros sempre que retorna ao longa de ficção de horror. 31 é outro exemplo da limitação do universo proposto por Zombie.

O que Rob Zombie faz em sua nova bobagem (perdão pela definição, mas é isso mesmo) é pegar um grupo de personagens e colocá-los em um jogo de vida e morte (o tal 31). Pela ficha corrida de Zombie, sabemos que a morte sempre está mais presente, assim como a predileção do diretor-roteirista por vilões pretensamente escritos frente às vítimas que se enfileiram a cada novo filme/bobagem. Nada contra, desde bem feito. Com Zombie a coisa desanda.

31 (2016)

Pouco sabemos sobre os heróis do filme – um grupo de trabalhadores de algum parque de diversão – e menos ainda sobre os vilões. Estes podem ser divididos em três categorias: os capangas (mascarados que sequestram os participantes), os guerreiros (assassinos cuja missão é matar os participantes) e os que comandam a brincadeira, um homem (Malcolm McDowell) e duas mulheres que apostam sobre o destino da vida dos peões do jogo.

A pobreza do filme começa pela apresentação dos mocinhos e continua para os vilões. Zombie não reserva muito espaço para que saibamos quem são estas pessoas, fora informar no que elas trabalham. São um grupo viajando de furgão em algum lugar do sul dos EUA nos anos 70. São abduzidos por um grupo de bandidos mascarados de seriado televisivo dos anos 60. Dois dos passageiros mais simpáticos do furgão são mortos. O resto deve ir para o jogo.

31 (2016)Entre os mocinhos estão a onipresente Sheri Moon Zombie, parceira costumaz dos crimes cometidos pelo marido, e a veterana Meg Foster, que já teve o desprazer de aparecer em As Senhoras de Salem. O absurdo da situação – pessoas caçadas e torturadas por psicóticos sob a orientação de velhos ricos vestidos de nobres franceses – nos leva a torcer pelas vítimas, mesmo que elas não sejam simpáticas ou não temos a menor ideia de quem são de fato.

Dentro de um labirinto de corredores, salas, cenários de fábricas e banheiros imundos,  as vítimas devem sobreviver por doze horas a uma caçada humada. Se conseguirem este feito, estarão livres. Assim sendo, Sheri Moon e sua trupe enfrentarão um anão espanhol nazista, dois malucos com motosserra, um gigante armado com uma clava e sua namorada igualmente insana, e o pior de todos … Doom-Head, interpretado com gosto por Richard Brake.

Os caçadores possuem nomes como Sick-Head e Schizo-Head, e Brake interpreta o principal, Doom-Head. Ou pelo menos aquele que Rob Zombie demonstra mais interesse. O bastante para dar mais diálogos (pretensiosos é claro) a ele, e até mesmo dois monólogos que o vilão reserva às vítimas, um no começo do filme e o outro (menor) perto do final. O investimento que Richard Brake dá ao personagem é maior do que a caricatura escrita por Zombie merece.

31 (2016)Para criar um contraste com a faceta doentia dos vilões carniceiros, Zombie os fez usar uma maquiagem de palhaço. Mas nada tão detalhado como a usada por Sid Haig em sua performance como o Capitão Spaulding  em A Casa dos 1000 Corpos e em Rejeitados pelo Diabo (2005). Basta uma lambuzada de creme da cara e estão feitos os palhaços do filme, afinal de contas, o que conta aqui é o número de mortes e não o de risadas obtidas.

Não temos aqui palhaços assassinos e/ou monstruosos, mas apenas loucos homicidas com maquiagem. O contraste entre as duas coisas deveria bastar para criar uma sensação de grande desconforto, mas anestesiados que estamos com uma década e meia de filmes violentos e inconsequentes (diferentes de tantos clássicos e raridades mais antigas), estes artifícios passam batidos diante da inépcia do diretor em ir além da barbárie e da matança.

Graças ao crowdfunding e com a ajuda de amigos, colaboradores e admiradores, Rob Zombie realizou mais um filme. Provavelmente sua obra mais pura, com a presença maciça do que parece mais lhe interessar: sua esposa, psicopatas, violência, nenhuma boa moral ou lição a ser aprendida. Por um lado, Zombie foi honesto e deu aos financiadores aquilo que esperavam de um filme seu, mas a falta de uma razão maior para aquilo tudo ainda atrapalha.

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6 Comentários

  1. rick

    o personagem Doom- Head é a melhor coisa do filme , Blake arrebenta !

  2. Paulinha

    Como o esperado um lixo.

  3. fiquei com a sensação que muita coisa bobinha ocorre, os personages vacilam demais, tomam pau de um anão, um monte de gente junta apanhando de um anão ? ao inves de se unirem e arrebentar com os caras ficam vacilando, dando as costas se separando.. ele poderia ter feito melhor e deixado mais veridico, a sensação seria bem mais chocante.. da maneira como ficou da uma sensação de bobinho, ..

    cocm certeza prefiro os filmes anteriores dele tambem, em especial o lords of salem

  4. Guilherme

    Uma apelação o inicio do filme, tipo: Nossa! Que filme polêmico! Cheio de drogas e palavrões e blá,blá,blá… forçado demais.
    E depois? Tudo mais do mesmo, nada de novidades.
    Infelizmente o pior o filme do Rob Zombie.
    Ainda fico com o The Lords of Salem.

  5. amandio

    comecei a ver o filme com certo tom de curiosidade!!!! mas depois de uns 35 minutos parei!!!!!!! depois vi mas 30 min!!!!! e outro dia vi resto!!!!!!!!! nem preciso falar mas nada!!!!!!!! clichê!!!!!!!!

  6. Eu não concordo de que todo filme tem que apresentar a principal razão e a história de cada personagem para os acontecimentos em um filme , porque nem todo filme é assim .
    Eu curti e muito o 31 , e o Doom – Head é muito foda !
    ” 31 ” faz parte da minha coleção !

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