Críticas

Do Inferno (2001)

A narração, por vezes, soa confusa e desequilibrada, sendo salva pelo elenco e pelo mistério em torno da identidade de Jack, o Estripador!

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Do Inferno
Original:From Hell
Ano:2001•País:EUA
Direção:Albert Hughes, Allen Hughes
Roteiro:Alan Moore, Eddie Campbell, Terry Hayes, Rafael Yglesias
Produção:Jane Hamsher, Don Murphy
Elenco:Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richardson, Jason Flemyng, Katrin Cartlidge, Susan Lynch, Paul Rhys, Lesley Sharp, Annabelle Apsion

“Um dia, os homens olharão para trás e dirão que eu dei à luz o século XX” (Jack, o Estripador)

Os violentos assassinatos cometidos por Jack, o Estripador, nas sombrias e silenciosas ruas de Whitechapel, em Londres, cobertas por uma densa e fria neblina, são até hoje a mais absoluta representação do horror gótico. Carruagens que atravessam as alamedas de pedra, os becos escuros que escondem prostitutas e crimes obscuros, pessoas trajadas de preconceito e discriminação, principalmente contra imigrantes – a precariedade sanitária e a violência desmedida são elementos sempre lembrados nos enredos que relatam as ações enigmáticas do mais famoso e desconhecido vilão da História. Dentre as inúmeras teorias e versões literárias e cinematográficas a respeito de sua trajetória popular, vale a pena conhecer o longa Do Inferno, de Albert e Allen Hughes, lançado nos cinemas brasileiros em janeiro de 2002.

Baseado numa graphic novel de Alan Moore e Eddie Campbell, o roteiro de Terry Hayes e Rafael Yglesias transporta o espectador à era vitoriana, acusando a relação da maçonaria com as ações do Estripador, para reforçar uma das teorias sobre a sua identidade. Nesse período em que a cientificidade dos tratamentos médicos era baseada em drogas experimentais e a trepanação, o inspetor Frederick Abberline (Johnny Depp) é convocado pelo Sargento Peter Godley (Robbie Coltrane) para investigar o assassinato de prostitutas, a partir de sua viagem química e visões proféticas.

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Em seus estudos, observando que os corpos tinham a garganta cortada e órgãos retirados ou mutilados, além da presença de mudas de uva, ele chega à conclusão de que o autor é dotado de inteligência, conhecimento médico e recursos financeiros. Atrapalhado pelo Sir Charles Warren (Ian Richardson) à medida em que as investigações se aproximam da nobreza, Abberline se encanta por uma das prováveis futuras vítimas, a prostituta Mary Kelly (Heather Graham), e vê nessa relação delicada a improbabilidade de uma união concreta. Para quem for buscar informações sobre a trajetória de Jack, o Estripador, verá a última obra do assassino no corpo mutilado e irreconhecível de Mary Jane Kelly, que até possui uma imagem histórica e gráfica do resultado, o que tendencia um final pessimista e depressivo.

Johnny Depp não se esforça muito para construir seu personagem instigante. Acostumado a interpretar papéis estranhos, alguns pendendo para o humor, ele resgata inevitavelmente Ichabod Crane, de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, às voltas com um mistério quase sobrenatural. Também se destacam na adaptação Ian Holm como um médico e experiente consultor sobre maçonaria de Abberline, e a bela Heather Graham, o interesse amoroso do inspetor.

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Apesar das qualidades da fotografia, quase como um retrato fiel da graphic novel, o “pânico nas ruas de Londres“, na letra dos The Smiths, é deixado de lado pela conspiração política e a perseguição dos bandidos da rua Nichols às prostitutas. Nas mãos de um cineasta mais acostumado com a ambientação proposta, como Tim Burton, Do Inferno teria mais êxito como filme de horror e atmosfera concentrada no medo. A narração, por vezes, soa confusa e desequilibrada, sendo salva pelo elenco e pelo mistério em torno da identidade de Jack, o Estripador.

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1 Comentário

  1. MORCEGO

    É um filme sensacional!
    Um dos melhores do início dos anos 2000!

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