Críticas, Quadrinhos

Ember – A Lenda de Krill (2016)

Para aqueles leitores mais audaciosos, que exploram o vasto universo dos quadrinhos sem os limites do mainstream, a experiência é uma prazerosa viagem.

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Ember – A Lenda de Krill
Original:Ember – The Legende Van Krill
Ano:2014•País:Holanda
Páginas:48• Autor:Roy Thomas, Romano Molenaar •Editora: Avec

Saída do universo de Storm, série desenhada pelo inglês Don Lawrence, Ember é uma linda guerreira ruiva que ganhou suas próprias aventuras com texto de Roy Thomas (de Conan, O Bárbaro e Red Sonja) e arte de Romano Molenaar (de Witchblade e The Darkness). Ember vive uma aventura no Mundo das Profundezas, antes de conhecer Storm. Ao completar 19 anos, seu vilarejo é atacado pelos homens do governante de Rhagus. Ember, Pearl e Kiley, pai das duas, são presos e levados para a cidade. Lá, um passado misterioso e desconhecido será revelado.

Para o leitor mais jovem, Ember é uma personagem que surgiu no universo de Storm, quadrinho europeu criado por Donald Southam Lawrence. As aventuras de Storm foram publicadas no Brasil em dez volumes pela Editora Abril entre 1989 e 1990. E talvez esse seja o principal, e único, ponto negativo em Ember – A Lenda de Krill. Mesmo que a aventura presente neste álbum da Avec Editora seja uma prequel para as aventuras de Storm, fica a impressão de que estamos assistindo a continuação de um filme que não vimos e que, mesmo que o roteiro faça questão de deixar claro que tudo ali é novo, ainda há uma impressão no ar de que está faltando algo.

ember_amostrabaixa04Roy Thomas, roteirista responsável pelo sucesso das aventuras de Conan nos anos 70 e 80, faz aquilo que faz de melhor em um texto conciso, nada rebuscado, mas eficiente. Thomas se apropria do universo criado por Lawrence e o expande, tornando-o muito particular. Há pitadas de Conan, He-Man e até Lovecraft que enriquecem o enredo, recheando-o de referências que fazem a festa dos leitores mais experientes que vão se deliciar caçando os detalhes espalhados pela história. A arte de Romano Molenaar é competente e, embora tenha ficado famoso trabalhando com os heróis da Image, possui um traço que combina muito com o tradicional quadrinho europeu. Seus cenários e a paleta de cores utilizada são os pontos fortes da arte de Ember – A Lenda de Krill.

O álbum segue o tradicional padrão de qualidade da Avec Editora e é graficamente impecável. O único ponto que poder acrescentar ainda mais à qualidade editorial de Ember – A Lenda de Krill seria um pequeno texto introdutório, situando o leitor no universo de Storm. Este tipo de introdução, muito comum há alguns anos, parece ter sido descartado definitivamente pelas editoras deixando que o leitor vá atrás de suas informações, embarcando em suas próprias expedições pelo desconhecido. Para aqueles leitores mais audaciosos, que exploram o vasto universo dos quadrinhos sem os limites impostos pela moda ou mainstream, a experiência é uma prazerosa viagem. Talvez aqueles mais avessos a novas experiências possam enfrentar algumas turbulências, mas o destino que os aguarda é mais uma boa aventura em quadrinhos escrita por um dos maiores roteiristas do gênero de todos os tempos.

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