Críticas

Caçadores de Mentes (2004)

Um thriller claustrofóbico do estilo “quem é o assassino?”, com bom elenco e muitas surpresas!

Caçadores de Mentes
Original:Mind Hunters
Ano:2004•País:EUA, UK, Holanda, Finlândia
Direção:Renny Harlin
Roteiro:Wayne Kramer, Kevin Brodbin
Produção:Cary Brokaw, Akiva Goldsman, Jeffrey Silver, Rebecca Spikings
Elenco:Val Kilmer, LL Cool J, Christian Slater, Eion Bailey, Clifton Collins Jr., Will Kemp, Jonny Lee Miller, Kathryn Morris, Patricia Velasquez

Você chega à sua locadora preferida e vê um filme com o título de Caçadores de Mentes e já pensa que é algum episódio estendido de Arquivo X ou coisa parecida. Sem contar que no elenco ainda tem um rapper (LL Cool Jay) e o Christian Slater, que ultimamente só anda metido em bombas do naipe de Alone in The Dark. E ainda por cima o diretor é Renny Harlin de Exorcista – O Início! Eu estava com a mesma mentalidade mas quando o amigo aqui do Boca, o Felipe M. Guerra disse que era um bom filme, por isso dei uma chance à nova produção e, acreditem, me surpreendi, é mesmo um filmaço! Ok, não é a salvação da lavoura mas é melhor (ou pelo menos bate de frente) que a maioria das produções atuais de suspense estilo “quem é o assassino?“.

Os tais caçadores de mentes do título (no original Mindhunters) são os agentes do FBI que traçam perfis psicológicos de assassinos seriais – melhor dizendo, Mindhunters é uma gíria para o ISU (Investigative Support Unit), uma unidade do FBI que ajuda a polícia local e estadual dos EUA a resolverem os casos mais complicados. Por isso tradução nacional ao pé-da-letra chega a soar meio falsa e enganadora, ou você não pensou que se tratava de um filme com médiuns ou paranormais? Pra vocês verem que nem sempre a tradução exata do título original é a melhor solução. Em uma cena divertida, os amigos estão reunidos em um bar e a esmo começam a escolher pessoas comuns e traçar um perfil de cada só pela aparência, gestos e tudo mais.

Os tais Mindhunters do filme são Bobby (Eion Bailey), um expert em mecânica e demais traquitanas, Vince (Clifton Collins Jr.), um paralítico que não vive sem sua arma, Rafe (Will Kemp, o lobisomem de Van Helsing), Lucas (Johnny Lee Miller, de Dracula 2000), J.D. (Christian Slater de…aham…Alone in The Dark) e as mulheres Sara (Kathryn Morris, de Sleepstalker, o Homem-de-Areia), que tem um trauma envolvendo água, e a ex-fumante Nicole (Patrícia Velásquez, a Anck Su Namun, de A Múmia)

Todos na verdade são alunos que querem entrar para o FBI, daí tantos testes. O professor deles é Harris (o sumidão Val Kilmer, de cabelo grande), que tem métodos pouco ortodoxos de trabalhar, sempre colocando seus alunos sob pressão e fazendo com que os testes sejam os mais reais possíveis criando até cenários com cadáveres de mentira e tudo mais. Pois ele prepara o “teste definitivo” onde todos ficarão presos em uma ilha e deverão prender um assassino serial falso, um tal de “Homem das Marionetes” (“Titereiro” seria uma tradução mais exata seguindo o original “Pupeteer“) . Claro que quem não se der bem ou morrer (de mentira, lógico) não será aceito no FBI. Antes de irem para a tal Ilha Oniega, são avisados de que um novo “participante” entrará na disputa, Gabe Jensen (L.L. Cool J, ou ainda James Todd Smith, de Halloween H-20), um policial da Filadélfia.

A ilha por si só é interessante; o FBI criou praticamente uma cidade em seus mínimos detalhes com manequins simbolizando moradores e tudo mais para deixar o treinamento cada vez mais realista. Além do mais a cidade está parcialmente destruída devido a treinamentos da marinha americana que ocorrem no local, conforme um personagem comenta: “parere uma mistura de Beirute com Belfast“. Após as instruções iniciais, Harris deixa a ilha e cobra um perfil completo do assassino até o fim da missão.

Não demora e a equipe encontra o primeiro “cadáver“, na verdade um manequim pendurado com fios no teto assim como uma marionete. Só que algo dá muito errado e um personagem cai em uma armadilha e morre realmente! É aí que Renny Harlin acerta pela primeira vez ao matar de cara o personagem que todos pensam ser o herói que vai sobreviver até o final (como em Psicose) e sua morte envolvendo nitrogênio líquido já vale o aluguel do filme. O tal personagem congela e cai se espatifando em mil pedaços e podemos vislumbrar seu tórax quebrando e mostrando os órgãos internos congelados! Após essa surpresa do começo, os alunos decidem fugir da tal ilha, mas uma explosão na lancha os impede de voltar pra casa. Agora estão presos sem poder fugir e dependerão de seus conhecimentos para desvendar o mistério do tal “Homem das Marionetes“!

Ao matar o herói que todos achavam que ia sobreviver, Renny Harlin quebra um clichê interessante e ainda brinca com o mundo da fama, já que quem morre era visivelmente um dos atores mais famosos do filme e exatamente por isso nós pensávamos que iria durar até o fim. O resto do elenco é formado por caras pouco ou nada conhecidas, o que reforça a ideia de que o assassino poderia ser qualquer um! E o roteiro de Wayne Kramer e Kevin Brodbin (com ajuda não creditada de Kario Salem e Ehren Kruger, este último do remake O Chamado) faz questão de ao longo da película não escolher um protagonista, o que reforça a ideia de que qualquer um pode ser o assassino!

Uma curiosidade é que o matador deixa pistas como relógios quebrados marcando certos horários. Segundo seus planos, a cada duas horas morrerá alguém e a data da morte de cada um é sempre precedida de um relógio quebrado marcando a hora exata de suas mortes. E as tais mortes não são nada simples ou covardes! São extremamente gráficas e sempre fruto de alguma armadilha que não faz feio à um Dr. Phibes ou Jigsaw de Jogos Mortais. Além da tal morte por nitrogênio líquido (que é a melhor do filme), ainda tem uma decapitação e, em outra, um personagem ingere um ácido mortal que o corrói por dentro!

Mas analisando friamente a maioria das armadilhas não iria funcionar se o tal assassino não tivesse uma sorte dos diabos como aconteceu em Jogos Mortais 2. Aqui o assassino sabe até qual a ordem que os personagens irão morrer e mesmo com uma explicação que é dada, é impossível o ele ter realizado tudo aquilo se não tivesse uma sorte do cão! E como o assassino poderia ainda calcular precisamente o horário de cada morte? Mas é claro que nada disso compromete a diversão, Harlin consegue criar tensão e suspense em vários momentos, em especial no clímax da história onde pensamos que o assassino é tal personagem e na verdade é outro. Harlin ainda cria sequências de ação das mais realistas possíveis, sem usar quase nenhum efeito digital para que, segundo o próprio diretor, a história ficasse mais crível. Ei, esse é o mesmo Renny Harlin que nos brindou com as medonhas hienas digitais de Exorcista – O Início? E mesmo que lá pro final do filme tudo vire algo bastante hollywoodiano (com personagens caindo de alturas e quebrando vidros sem quase se machucarem), não estraga nem um pouco a diversão. E repare numa cena bem sacada onde dois personagens trocam tiros dentro de uma piscina e as balas não atingem um ao outro devido à densidade da água ou ainda na mesma cena, quando os tais personagens colocam as armas para fora da água e permanecem submersos esperando que um deles perca o fôlego e busque ar na superfície para com isso receber um tiro!

Filmado quase que inteiramente nos Países Baixos, Caçadores de Mentes passou por um calvário para ser lançado nos cinemas. Foi produzido em 2003 e lançado em 2004 bem antes de Exorcista – O Início, mas ficou na geladeira devido à briga entre a Miramax e sua distribuidora, a Disney. Quando o problema entre as duas se resolveu, o filme finalmente foi lançado nos cinemas americanos em maio de 2005! Infelizmente não rendeu o esperado (uma porcaria como Amaldiçoados deve ter rendido até mais).

Mas afinal, quem será o assassino? Será Harris que preparou um jogo sádico para ver quem sairá da ilha vivo? Será Gabe, o misterioso policial da Filadélfia? Ou será um dos alunos? Ou quem sabe, será que é um assassino serial real que resolveu se apossar da Ilha e afastar todos os invasores? Com certeza o filme nos deixa com muitas dúvidas, mas ao final dele nos deixa com uma certeza: a de que Renny Harlin é um diretor que se for espremido ainda dá suco.

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