Críticas

A Arma de Lizzie Borden (2014)

Produção para a TV apresenta seus próprios caminhos para o crime que chocou a América!

Lizzie (2014)

A Arma de Lizzie Borden
Original:Lizzie Borden Took an Ax
Ano:2014•País:EUA
Direção:Nick Gomez
Roteiro:Stephen Kay
Produção:Michael Mahoney
Elenco:Christina Ricci, Clea DuVall, Gregg Henry, Stephen McHattie, Shawn Doyle, Sara Botsford, Hannah Emily Anderson, Andrea Runge, Billy Campbell

Quando escrevi sobre o pavoroso American Poltergeist, 2015, de Mike Rutkowski, eu pontuei: “Essa é a única justificativa para você perder tempo com uma bobagem como American Poltergeist: um enredo banal, com elenco ruim e clichês por todos os cantos, pode interessar somente quem quer saber mais (ou menos) sobre a famosa Lizzie Borden, acusada de assassinar seu pai e madrasta a machadadas em 1892, mas que foi inocentada em seu julgamento.” É claro que é muito mais proveitoso buscar outras produções que tratam do mesmo crime, como o made-for-tv A Arma de Lizzie Borden, tendo ainda como diferencial positivo a interpretação sempre curiosa de Christina Ricci no papel principal.

O enredo de Stephen Kay explora os momentos que antecederam o ato violento, assim como os que se seguiram após o julgamento. Como a história é bastante conhecida, o interesse pode surgir na forma como a atriz incorporou a personagem e os argumentos que enfraqueceram a acusação. Aconteceu no verão americano de 1892, na cidade de Fall River, Massachusetts. A tranquilidade da vida no campo foi encerrada com o grito de Lizzie Borden, testemunhado pela empregada Bridget (Hannah Emily Anderson), que confirmou a razão de sua expressão ao ver o corpo de Andrew Borden (Stephen McHattie) com o rosto completamente desfigurado no sofá, onde ele costumava descansar. Com a chegada da polícia, Lizzie teria dito que a madrasta, Abby Morse Borden (Sara Botsford), havia saído para se encontrar com alguém, mas, na verdade, ela estava caída de costas em seu quarto próximo à cama, com ferimentos na nuca, cabeça e costas, evidenciando 19 golpes de machado.

Apesar da violência do crime, que as investigações comprovaram que houve uma diferença de duas horas entre cada assassinato, Lizzie estava tranquila, aceitando com facilidade a tragédia, o que causou espanto em sua irmã Emma (Clea DuVall). Enquanto os olhares investigativos buscavam algum suspeito, o promotor, Hosea Knowlton (Gregg Henry), não tinha dúvidas sobre Lizzie ser a responsável pelos atos. Ele tentava comprovar sua teoria com o que parecia ser uma mancha de sangue no vestido de Lizzie e uma possível herança que a garota poderia ter direito com as mortes. Para ampliar as possibilidades de culpa, na noite que antecedia a busca pela vestimenta manchada, ela, com a ajuda da irmã, resolveu queimá-lo, sob a testemunha de Bridget. E a empregada ainda acabou sendo mandada embora pela própria Lizzie, quando percebeu sua intenção de auxiliar a promotoria na acusação.

As evidências eram suficientes para condená-la à morte, mas sem as provas substanciais Lizzie foi incrivelmente inocentada pelo júri. Além das inúmeras mentiras contadas pela garota, o longa ainda apresenta alguns sinais de desvio de caráter da jovem ao fazê-la roubar o espelho de uma loja, 20 dólares e o relógio da madrasta. E o filme também insinua levemente sinais de incesto, pelo carinho incomum entre Lizzie e o pai – acréscimos que são amplamente discutidos em fóruns na internet. Ricci, com seu olhar esbugalhado que herdou de Wandinha Addams, seu personagem mais reconhecido, não tem a menor similaridade com a verdadeira Lizzie Borden, que era evidentemente mais encorpada do que a atriz. Ainda assim, ela interpreta a vilã descarada, irritando o espectador, consciente de que houve mais do que falta de provas para não ter ocorrido a condenação.

A Arma de Lizzie Borden, de Nick Gomez, não se distancia de sua estrutura televisiva, mas é bem feito ao ponto de levar o público a buscar ainda mais sobre a trágica história do século XIX. Depois a série motivaria um subproduto intitulado The Lizzie Borden Chronicles, uma minissérie em 8 capítulos, com a mesma Christina Ricci no papel da vilã, com um enredo fictício que traz acontecimentos posteriores ao assassinato, com Lizzie se envolvendo em outras situações inusitadas. Ambos, estão disponíveis na Netflix. E há muito conteúdo sobre a trajetória violenta de Lizzie Borden em livros e outras produções variadas. Em 2017, está previsto o lançamento de Lizzie, um filme biográfico com mais aspecto de superprodução, dirigido por Craig William Macneill e tendo Chloë Sevigny no papel título e Kristen Stewart como a empregada Bridget. Deve ser ainda melhor que a curiosa produção para a TV!

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