Críticas

Águas Rasas (2016)

Ao mesmo tempo em que é surpreendentemente eficiente na construção da tensão, se afoga no mar de obviedades e do roteiro preguiçoso

Águas Rasas (2016) D

Águas Rasas
Original:The Shallows
Ano:2016•País:EUA
Direção:Jaume Collet-Serra
Roteiro:Anthony Jaswinski
Produção:Lynn Harris, Matti Leshem
Elenco:Blake Lively, Óscar Jaenada, Angelo Jose, Lorenzo Corzo, Brett Cullen, Sedona Legge

Há várias coisas a serem ditas sobre Águas Rasas, o mais novo esforço do cineasta Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera, A Orfã), que surpreende em alguns momentos por sua qualidade e decepciona em vários outros por sua mediocridade. A estratégia é óbvia, mas utilizada aqui com bastante eficiência. Jogar uma personagem no meio do nada onde, sozinha, terá que lutar por sua sobrevivência contra algum inimigo mortal. Aqui, a pobre coitada é Nancy (uma convincente Blake Lively), estudante de medicina que, em férias, decide visitar uma bela (e secreta) praia, que a faz recordar de sua mãe já falecida, e onde espera relaxar e também praticar surf nas boas ondas que o local oferece. Inicialmente acompanhada de dois estranhos que também praticam o esporte por lá, Nancy logo se vê sozinha, e eventualmente atacada por um feroz tubarão, que deixa um ferimento profundo em sua perna. Sem ninguém a quem recorrer, Nancy busca refúgio numa rocha em pleno alto mar, mas diante da hemorragia e a proximidade da maré alta, ela precisa reunir forças para buscar sair das águas.

Inicialmente é preciso dizer que manter o interesse do espectador em um filme que se passa basicamente em um único cenário com apenas uma personagem é tarefa um tanto árdua. Ainda mais difícil se considerarmos que o esforço é investido num subgênero já bastante saturado desde o marco-zero Tubarão (1975), passando até mesmo por obras similares a esta como Mar Aberto (2004). Assim, é admirável a urgência que o longa consegue imprimir em determinados momentos da película. Deixando de lado os entediantes 20 minutos iniciais, que servem para a apresentação das motivações da personagem – algo de praxe – a partir da cena em que Nancy é ferida, o longa, apostando em cortes rápidos e na enervante trilha de Marco Beltrami (Pânico, A Mulher de Preto), consegue conferir um clima efetivamente atemorizante à trama, fazendo com que fiquemos lado a lado com Nancy, não só torcendo pela moça, mas igualmente prendendo a respiração de tanta tensão. Algo que, aliás, igualmente não seria possível sem a entrega de Lively, que consegue aqui convencer como uma personagem humana, real, e que nos leva imediatamente à identificação com seu martírio que vemos na tela.

No entanto, as coisas começam a degringolar quando o roteiro preguiçoso de Jaswinski (Mistério da Rua 7) apela para inúmeras conveniências e obviedades – como a previsível cena envolvendo o homem bêbado na praia – apenas para encher linguiça e alcançar a longa metragem. E ainda que preste homenagem ao próprio Tubarão de Spielberg na cena final, tudo que é feito dali em diante faz com que o peixe acabe se parecendo mais com um Freddy Krueger ou um Jason Voorhees do mundo marinho, em vez de um genuíno perigo naturalista, como vinha sendo na maior parte do longa. O desfecho bem what-the-fuck bota quase tudo a perder num filme-pipoca que tem a intenção de jogar o espectador para fora do cinema felizinho, confirmando a tese de que Águas Rasas se contenta em ser um filme pequeno. Uma grande pena neste caso.

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8 Comentários

  1. Edicarlos

    Existem momentos em que vamos ao cinema pra beber algo como água com açúcar e o excesso de informação da película as vezes é um tédio. O que vemos é um filme de poucas palavras(assisti em inglês e sem legendas e eu não falo inglês), mas toda a informação do filme é totalmente inteligível e deixa espaço para que seus olhos e emoções capitem informações melhor que as verbalizadas, e o filme entrega bem isso. Cinema não é só para gênios mas a produção desse filme faz a função da sétima arte para mortais com eu; diversão! “Águas Rasas” dou cinco estrelas.

  2. Edicarlos

    Existem momentos em que vamos ao cinema pra beber algo como água com açúcar e o excesso de informação da película as vezes é um tédio. O que vemos é um filme de poucas palavras(assisti em inglês e sem legendas e eu não falo inglês), mas toda a informação do filme é totalmente inteligível e deixa espaço para que seus olhos e emoções capitem informações melhor que as verbalizadas, e o filme entrega bem isso. Cinema não é só para gênios mas a produção desse filme faz a função da sétima arte para mortais com eu; diversão! “Águas Rasas” dou cinco estrelas.

  3. Bruna

    Eu gostei, afinal um animal com um gancho preso na boca dá até pra supor que ele faria tudo isso pelo desespero de estar com esse gancho machucando sua boca e querendo a todo custo tira-lo, ele não queria comer ninguém (ainda) só tirar o bendito gancho kkkk

  4. Caio

    Filme ridículo … História sem sentido … Jamais um tubarão iria se comportar daquela maneira como se quisesse se vingar da garota.. Péssima história sem pé nem cabeça .. Parecia um filme de ficção científica

  5. Yves

    Olha, se muitos acham que um filme de tubarão assassino não vinga mais nos dias de hoje, Águas Rasas veio só pra mostrar o contrário! Muito massa!

  6. anderson

    Uma porcaria!!

  7. leandro Esteli

    Achei o filme mediano ! A paisagem muito bonita a historia prende mais com final fraquinho !!!!!

  8. everton

    Filmaço ? Vi uma patricinha surfista bancando o Rambo, enfrentando um tubarão. Não engoli. Filme razoável, se vc comprar essa ideia absurda.

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