Críticas

Ano 2003, Operação Terra: Futureworld (1976)

A tentativa de se esquivar de Westworld foi bem sucedida: uma continuação bem distante do carisma western do original!

Ano 2003 - Operação Terra: Futureworld
Original:Futureworld
Ano:1976•País:EUA
Direção:Richard T. Heffron
Roteiro:Mayo Simon, George Schenck
Produção:James T. Aubrey, Paul Lazarus III
Elenco:Peter Fonda, Blythe Danner, Arthur Hill, Yul Brynner,John P. Ryan, Stuart Margolin, Robert Cornthwaite, Angela Greene

O desastre do resort da Delos custou muito mais do que a morte de cinquenta civis. Além do prejuízo econômico ter quase levado à falência a empresa e todos os envolvidos, o público perdeu completamente a confiança no evento e nos androides, principalmente pelo modo como o parque fora atacado pela mídia. A única solução viável seria uma reconstrução de toda a sua estrutura, e ainda encontrar um meio de atrair mais uma vez a atenção dos visitantes. Assim, diversos líderes mundiais foram convidados a participar de sua nova versão, incluindo o jornalista Chuck Browning (Peter Fonda, de Sem Destino, 1969) e a apresentadora de TV Tracy Ballard (Blythe Danner, de O Príncipe das Marés, 1991), que, apesar de colegas de profissão, não costumam se dar bem.

O novo parque, Futureworld, vem com a proposta de trazer mais segurança e ampliar os mundos, abandonando apenas o melhor de todos, o Westworld. O velho oeste, então, transformou-se numa cidade fantasma, abandonada, com carcaças de androides e vestígios da tragédia que abalou sua estrutura. Mesmo com o convite curioso, Chuck está convencido de que existe algo obscuro nos bastidores da atração, desde que ele recebera o contato do estranho Frenchy (Ed Geldart) para um encontro às vésperas do passeio. Ansioso pela promessa de ter acesso à revelações bombásticas sobre Delos, o jornalista só não esperava encontrá-lo com um ferimento mortal e a menção do nome da empresa, atiçando ainda mais a sua veia jornalística.

Chuck e Tracy aproveitam para conhecer o Futureworld, enquanto buscam pistas nos bastidores. Participam de um xadrez virtual com pessoas ao invés de peças e disputam boxe, sem até o momento imaginar que realmente há algo misterioso por trás de toda a estrutura, envolvendo a produção de clones-androides dos representantes mundiais e deles mesmo. Os engenheiros responsáveis – Duffy (Arthur Hill, O Enigma de Andrômeda, 1971) e o Dr. Schneider (John P. Ryan, de Nasce um Monstro, 1974) – tentam esconder seus intuitos, embora não saibam que um funcionário, Harry (Stuart Margolin, de Mulheres do Planeta Pre-Histórico, 1966), está ajudando Chuck em sua investigação.

É claro que a repetição do que acontecera em Westworld não traria nada além de uma refilmagem desnecessária. A própria produtora, Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), não tinha interesse algum em fazer uma continuação do longa de 73, nem outra Ficção Científica que não fosse Fuga do Século 23, de Michael Anderson. No entanto, o produtor do original, Paul Lazarus III, já tinha o conceito da continuação em mente, e conseguiu convencer os roteiristas Mayo Simon e George Schenck na elaboração de um novo filme. Como o autor de Westworld, Michael Crichton, também não pensava em fazê-lo, o roteiro passou para as mãos de Samuel Z. Arkoff, da American International Pictures (AIP).

A produtora apostou seriamente no conceito diferente, sem androides descontrolados, mas envolto em conspiração humana com os bonecos sendo usados para fins políticos e sociais. É curioso e louvável até, porém com um certo distanciamento da diversão. A busca pelos segredos do resort segura a atenção do espectador, porém não há toda aquela tensão pela fuga de um inimigo imortal e traiçoeiro, sensação de perigo constante e nem a graça do ambiente western, com os duelos e cavalos.

O longa de Richard T. Heffron até faz referência ao anterior ao levar os personagens ao velho oeste e resgatar o personagem do pistoleiro (novamente Yul Brynner), num momento onírico constrangedor, mas esquiar em Marte ou ter a sensação de viajar em um foguete não substituem os duelos, a paisagem externa e as prostitutas dos saloons.

E nem é possível culpar os efeitos especiais! Futureworld foi o primeiro longa a trabalhar amplamente com o CGI, principalmente nas cenas que envolvem o movimento do rosto e das mãos. No caso desta última, foi feita uma digitalização das mãos usadas por Edwin Catmull no curta experimental A Computer Animated Hand, de 1972. Mesmo com uma afinada qualidade técnica e elenco, o filme afundou com as críticas negativas que apontaram o trabalho como previsível e desnecessário – o que se torna irônico pelo fato do personagem Chuck estar envolvido no passeio devido a uma crítica negativa ao Westworld!

Ainda assim, é divertida a relação entre Harry e seu parceiro androide, assim como o confronto entre humanos e seus clones! Pode até levemente entreter, mas está bem distante do longa original.

Com um título nacional pavoroso – Ano 2003, Operação Terra: Futureworld -, Futureworld se esquivou tanto do original que simplesmente despertou a vontade de revê-lo. É uma pena porque a franquia tinha – sem trocadilhos – realmente futuro!

Leia também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *