Críticas

Clinical (2017)

Clinical é uma péssima estreia de 2017 para a Netflix. Sustos fáceis, atuações indiferentes e narrativa pobre é o que te espera.

Clinical
Original:Clinical
Ano:2017•País:EUA
Direção:Alistair Legrand
Roteiro:Luke Harvis, Alistair Legrand
Produção:Ross M. Dinerstein
Elenco:Vinessa Shaw, Kevin Rahm, India Eisley, Aaron Stanford, Nestor Serrano, Wilmer Calderon, Sydney Tamiia Poitier, William Atherton, Dion Basco, Adrian Flowers.

Sempre aguardamos as produções originais do Netflix ansiosamente. Elas vêm crescendo de forma galopante e apresentam grande qualidade –  lembrando as séries lançadas em 2016, que fizeram da empresa um concorrente de peso para as tradicionais produtoras americanas.

Entretanto, é de se imaginar que quanto mais se produz, as possibilidades de defeitos têm mais chances de aparecerem. Esse é o caso do primeiro lançamento do queridinho serviço de streaming em 2017, o thriller Clinical. O ano já começou com a promessa desse lançamento em uma das datas mais queridas para os fãs de horror e o Jason: a sexta-feira 13, mas, infelizmente, deixará a todos decepcionados.

Você espera que um thriller se desenvolva através do suspense da narrativa e da ação/aparição das personagens, certo? Infelizmente esses dois quesitos são falhos em Clinical.

A premissa é bem manjada e recorrente em produções do gênero: a psiquiatra especialista em casos pós-trauma Jane Mathis (Vinessa Shaw) vive um grande trauma envolvendo Nora (India Eisley), uma de suas pacientes. Com o passar dos anos os resquícios desse acontecimento ainda povoam a mente da Dra. Jane, mas ela tenta refazer sua vida atendendo casos mais cotidianos em sua residência. Entretanto, Alex (Kevin Rahm), um homem com o rosto desfigurado, aparece e faz questão do seu atendimento. Depois disso, as imagens de Nora vão se tornando mais recorrentes para Jane.

Vamos começar pelos pontos mais irritantes, para chutar a porta logo de uma vez. Direção problemática. Esse é o segundo filme de Alistair Legrand, então talvez a desculpa seja a inexperiência, uma vez que a direção é recheada de cortes bruscos, sons altos e sem sentido, movimentação pobre das personagens e, o que mais me irritou, telas pretas que aparecem do nada e duram uns bons segundos e te fazem achar que sua bateria acabou. Esses elementos quando acontecem pelas primeiras vezes, não chegam a incomodar tanto, o problema é que se repetem incessantemente, então você começa a torcer para que na próxima tela preta os créditos apareçam.

Além disso, a atuação dos atores é no mínimo preguiçosa. Você não consegue sentir uma identificação deles com suas personagens, onde até mesmo movimentos corriqueiros começam a parecer artificiais. Além disso, a participação de Alex se faz óbvia desde o início, enquanto Nora, que na teoria deveria ter uma função de justificativa e persistência de um trauma gerado em Jane, simplesmente é ancorada a olhares assustadores com cabelo inexplicavelmente ‘molhado’, à la Sadako (Ringu, 1998). Em nenhum momento sua relação com a Dra., ou os elementos que levaram a situação de trauma são trabalhados. Tudo fica vazio.

As cenas de violência aparecem desde o início do longa e atingem seu ápice com o clímax da história, entretanto a maquiagem é bem meia boca e as cenas parecem não se enquadrarem a personagens que estavam, até então, apáticos.

Em resumo, Clinical foi uma péssima estreia de 2017 para a Netflix. Sustos fáceis, atuações indiferentes e narrativa pobre é o que te espera. Mas, calma, você pode desistir numa das telas pretas.

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